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A autora mexicana Cristina Rivera Garza converte tragédias e ausências em grande literatura, como escreve o editor Walter Porto. Isso não se trata apenas de uma metáfora sobre transformar coisas ruins em coisas boas, mas de uma metodologia de escrita que começa com o enfrentamento de dores.
“A única diferença entre minha irmã e eu é que nunca topei com um assassino”, ela diz em “O Invencível Verão de Liliana”. O livro sobre o assassinato nunca resolvido de sua irmã rendeu à autora o prêmio Pulitzer de melhor livro de memórias ou autobiografia.
Já em outro título, “Autobiografia de Algodão”, Garza volta quase cem anos para narrar o sufocamento de uma greve de agricultores que deslocou seus avós de uma vila esquecida. O algodão foi perdido, mas a obra se esforça para não deixar essas vidas caírem no esquecimento.
Para ela, em cada história contada sobre os vivos, é necessário também incluir quem já morreu. Não de maneira macabra, mas como parte essencial da memória coletiva e da experiência humana. Pois viver é também lidar com os mortos.
Acabou de Chegar
“Corsária” (Ubu e Fósforo, R$ 79,90, 176 págs.), de Marilene Felinto, é um livro “coalhado de leitmotiv”, como escreve a crítica Luciana Araujo Marques. Ela se refere ao recurso estilístico da autora, que usa de repetições e revisões dos mesmos acontecimentos para contar a história de Lena. A protagonista, convencida de que sua mãe e seu pai foram explorados durante a infância e a juventude, se lança em pesquisas sobre sua hereditariedade.
“Fullgás: Poesia Reunida” (Companhia das Letras, R$ 79,90, 240 págs.) traça um retrato abrangente da obra de Antonio Cicero, agrupando três de seus livros (“Guardar”, de 1996, “A Cidade e os Livros”, de 2002, e “Porventura”, de 2012), poemas inéditos e algumas letras de música. A leitura revela uma poesia multifacetada que, segundo a crítica Laura Erber, “é lírica e filosófica, sensual e meditativa, fluida e meticulosa”.
“Pote de Mel e Outros Poemas” (Editora 34, R$ 57, 144 págs.) mistura as artes plásticas e a música com o texto poético, ora em consonância, ora em contraponto. O autor Leonardo Gandolfi, como aponta a crítica Giovanna Dealtry, faz como em seu livro anterior (“Robinson Crusoé e Seus Amigos”) e privilegia a visualidade, a síntese, os procedimentos intertextuais e a observação do mundo ao seu redor.
E mais
Após anos cotado para o prêmio Nobel de Literatura, o queniano Ngugi wa Thiong’o morreu sem a condecoração, o que não apagou seu mérito como autor. Em “Descolonizando a Mente” (trad. Hilton Lima, Dublinense, R$ 74,90, 224 págs.), ele explica por que só fazia literatura em sua língua materna. Foi uma atitude que levou a crítica internacional a falar mais de seu comportamento social que da estética e política de seus textos, como aponta o crítico Luiz Mauricio Azevedo.
“O Livro do Meu Pai” (Todavia, R$ 84,90, 268 págs.) nasceu de um desejo do pai da premiada autora Djaimilia Pereira de Almeida. Morto em 2021, Joaquim deixou com a filha a inspiração para um romance. “Por vezes, imaginava em pavor como seria quando morressem os meus. O maior terror do mundo é esse enigma e as circunstâncias que o rodeiam. Agora, sei como foi. O enigma desfez-se”, escreve Djaimilia. Ao repórter Isac Godinho, ela diz que, apesar de reservada, consegue se revelar por meio de seus trabalhos.
Uma obra de múltiplos autores reúne ensaios e imagens da produção de Carlito Carvalhosa, nome central da arte contemporânea brasileira e um dos representantes do ateliê Casa Sete. O livro lançado pela editora da galeria Nara Roesler leva o nome do artista e reconhece as quatro décadas de sua rica produção, “que levou sua verve experimental para pinturas, esculturas e instalações”, como escreve o repórter João Perassolo.
Fuvest
Pela primeira vez a Fuvest, vestibular que dá acesso à Universidade de São Paulo, adota uma lista de leituras obrigatórias composta totalmente por autoras mulheres, muitas delas estreantes na seleção. Tanta novidade pode assustar os estudantes, mas traz novos debates para a sala de aula.
Entre os títulos inéditos está “Opúsculo Humanitário”, de Nísia Floresta. Publicado originalmente em 1853, a obra defende que meninas recebam a mesma educação formal dos meninos. Apontada como “a primeira feminista do Brasil”, Floresta argumenta que a educação da mulher permitiria o desenvolvimento da sociedade. Ela também aponta problemas do sistema educacional da época, como salas lotadas, falta de legislação específica e professores malformados.
Além dos Livros
A Flipei, evento que começou como “festa pirata” em Paraty, aumenta de porte em São Paulo. Como conta o Painel das Letras, a Festa Literária Pirata das Editoras Independentes acontecerá de 6 a 10 de agosto na Praça das Artes, no centro paulistano, sem cobrar nada dos visitantes nem das editoras em exposição.
Os livros de colorir Bobbie Goods, da editora HarperCollins, são um fenômeno que segue em alta. O hobby, que pode ser uma atividade relaxante e funcionar como fuga das telas, pode também causar o efeito reverso. Segundo a reportagem de Giulia Peruzzo, a cobrança e a comparação que vêm por colorir na onda do modismo podem promover o contrário de relaxamento. Como dizem especialistas, colorir Bobbie Goods não é arteterapia.
Em uma sociedade que celebra a produtividade e a performance, o perfeccionismo se tornou uma qualidade positiva a ser buscada. Isso é agravado pelas redes sociais, escreve o professor e sociólogo Luís Mauro Sá Martino em seu livro “Ninguém É Perfeito”. Aí surge um paradoxo: quanto mais buscamos a perfeição e o otimismo, mais crescem as taxas de depressão e ansiedade.






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