Presidente afirmou que não quer briga com nenhuma outra nação, mas ponderou que Brasil ‘não vai ficar de joelho’ para o governo americano
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Durante a cerimônia de entrega de títulos de regularização fundiária na comunidade de Brasília Teimosa, no Recife, nesta quinta-feira (14), o presidente Lula (PT) fez duras críticas ao governo dos Estados Unidos e ao presidente Donald Trump.
“Vocês estão vendo na televisão uma quantidade de mentiras ditas faladas contra o Brasil pelo governo americano. Ele [Trump] resolveu contar algumas mentiras sobre o Brasil e nós estamos desmentindo. Ele disse que tinha prejuízo no comércio com o Brasil, e ele só tem lucro”, afirmou Lula.
“É mentira quando o presidente norte-americano diz que é um mau parceiro comercial. O Brasil é bom, o Brasil só não vai ficar de joelho para o governo americano”, acrescentou o presidente.
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O petista também rebateu as acusações de Trump sobre a transparência do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal pela suposta tentativa de um golpe de estado.
“Ele diz que no Brasil não tem democracia e direitos humanos porque Bolsonaro está sendo julgado. Bolsonaro não está julgado por bondade, ele está sendo julgado porque tentou dar um golpe de Estado no dia 8 de janeiro. Ele tinha um plano para matar o Lula, o Alckmin e o presidente da Suprema Corte. Ele colocou um caminhão com bomba no aeroporto de Brasília, ele atacou a Polícia Federal, tocou fogo em ônibus no dia que eu fui diplomado e disse que no Brasil não tem democracia. Portanto, a democracia está julgando”.
Lula também fez um comparativo de equivalência entre Trump e Bolsonaro ao afirmar que ambos questionaram o resultado eleitoral em seus respectivos países.
“Os discursos dele [Trump] eram iguais ao outro daqui [Bolsonaro], de que as eleições não eram sérias, que ele não podia perder. Ele [Trump] invadiu o Capitólio, e lá morreram 5 pessoas. Eu disse a Trump: ‘se você morasse no Brasil e tivesse feito o que fez nos Estados Unidos, aqui também você seria julgado e, se culpado, ia para a cadeia'”, acrescentou Lula, sendo ovacionado.
“Pernambucano não tem medo de briga”
O presidente também aproveitou para reforçar uma mensagem de soberania nacional. “Amigos de Brasília Teimosa, eu quero dizer para vocês que eu sou um homem da paz, não quero briga com Uruguai, com Bolívia, Argentina, com a China, com ninguém. Mas eles têm que saber que só tem alguém que pode fazer a gente mudar de posição: é porque esse país é do povo brasileiro e é o povo brasileiro que manda nele”.
Ao final do discurso, Lula fez referência às raízes pernambucanas. “Ele não sabe que esse país está sendo governado por um cidadão nascido no estado que, antes de Dom Pedro I, já queria fazer independência. Aqui, quem nasce com sangue pernambucano não gosta de briga, mas não tem medo de briga”, finalizou Lula.
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