Boicote de presidentes da Câmara e do Senado ao ato no Planalto; sabatina de Messias ao STF; e silêncio de prefeitos sobre as aposentadorias especiais
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A INDICAÇÃO NÃO CHEGOU, AINDA
No Senado, corre à boca miúda que o “pulo do gato” no episódio da indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, é que, se de um lado o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pretende impor um prazo apertado para a sabatina e a votação do nome, por outro, o documento oficial com a indicação ainda não chegou à mesa do senador.
SEM DÚVIDAS
O presidente Lula da Silva (PT) não tem dúvidas de que seu nome é Messias, mas, em função dos atropelos, do calendário apertado e do clima de torcida contra, a indicação pode ficar para o ano que vem. Desde Frederico de Barros Barreto, o bolo de rolo não faz parte do cafezinho dos ministros do STF. Nomeado por Getúlio Vargas, ele integrou o Supremo entre 1939 e 1963.
MAIS POBRES NA MIRA
Lula ignorou o “boicote” dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre, na solenidade no Planalto em que assinou a lei que isenta do pagamento do Imposto de Renda os contribuintes que recebem menos de R$ 5 mil mensais. “O pobre não quer muita coisa. Quer garantia de que vai ter comida, estudo, moradia, emprego”, afirmou.
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DADOS ASSUSTADORES
Pesquisa realizada pelo DataSenado revela que 3,7 milhões de brasileiras “sofreram violência no último ano” e que, “na maioria dos casos de agressão presencial, os filhos foram as testemunhas”. Os dados estão na Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, lançada nesta quarta-feira (26).
SOMENTE LEWANDOWSKI
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, insiste em manter, na PEC da Segurança Pública, o artigo que atribui exclusividade à Polícia Federal para conduzir investigações contra organizações criminosas. O presidente da Adeppe, Diogo Victor, disse à coluna que a insistência do ministro ocorre por ele “desconhecer a realidade fática das polícias estaduais na pressão às facções criminosas e, mesmo reconhecendo que a PF não tem efetivo para tanto, insiste nessa tese”. Além de Diogo Victor, participaram do encontro nacional das Polícias Civis, em Brasília, a vice-presidente da entidade, Claudia Molina, e o delegado Antônio Cândido.
ESTADOS E MUNICÍPIOS É QUE PAGAM
Há um certo receio das entidades de governadores e prefeitos e prefeituras, mas a conta vai chegar. Caso a Câmara aprove na próxima semana o projeto que concede aposentadorias especiais para agentes de saúde e de combate a endemias poderá causar um rombo no caixa da Previdência Social estimado em R$ 24,7 bilhões, tende a ser “diluído” nas contas federais e nos fundos de participação de estados e municípios.
TÊTE-À-TÊTE…
…o tradicional frente a frente dos governistas que tanto criticaram o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), já tem data marcada: 3 de dezembro. A CPI do Crime Organizado quer ouvir Castro sobre a Operação Contenção, que culminou com a morte de cinco policiais e 117 integrantes de facções criminosas.
PENSE NISSO!
Ou o presidente Lula tem uma carta na manga — e ele tem — ou Lula é muito cabeça dura — e o é — para manter o nome do advogado Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal.
Quando se diz: “ah, o clima não é para aprovação”, há um certo realismo fantasioso nisso tudo, como em Cem Anos de Solidão, do colombiano Gabriel García Márquez (1927–2014), quando Remédios, a Bela, sobe aos céus: “Uma personagem, devastada de tristeza, ascende aos céus em pleno dia, enquanto estende lençóis no quintal, como se fosse o acontecimento mais natural do mundo”.
Vamos aos fatos: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tinha tanta certeza de que “dobraria” Lula que apostou todas as fichas no afilhado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e perdeu. Lula preferiu Messias.
Qualquer senador ajuizado, incluindo governistas, não esconde que Messias não teria mais que 35 votos, se a votação [secreta] fosse hoje. São necessários pelo menos 41 apoios. Mas Lula dobrou a aposta.
Há uma investigação em curso envolvendo a tramóia do Banco Master, e o Planalto sabe que alguns políticos com mandato de senador tomaram champagne praticamente na mesma taça do dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.
“Lula sabe o que faz”, adverte um senador que vez ou outra toma café com o presidente. A ver!
Pense nisso!





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