‘Não deixe de viver’, diz jovem de 19 anos que enfrenta a Doença de Crohn

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‘Não deixe de viver’, diz jovem de 19 anos que enfrenta a Doença de Crohn


A Doença de Crohn, uma condição inflamatória crônica que atinge o trato gastrointestinal, afeta milhares de brasileiros. Embora ainda pouco conhecida pelo público em geral, ela exige adaptações rigorosas na rotina, na alimentação e no convívio social, especialmente para quem é diagnosticado ainda jovem. É o caso de Ruan Nascimento Gonçalves, estudante de 19 anos, morador da cidade de Cedro, no interior do Ceará.

Ruan descobriu a doença durante a adolescência, em um momento em que a maioria dos jovens ainda está aprendendo a lidar com a própria identidade. “Foi algo complicado na época. Me senti triste por ter um diagnóstico da Doença de Crohn sendo tão jovem”, relembra o jovem, em entrevista exclusiva à Catraca Livre, para a série de conteúdos especiais do Maio Roxo, campanha que visa conscientizar sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs).

Jovem de 19 anos enfrenta a Doença de Crohn e transforma dor em força: ‘Não deixe de viver’ – Reprodução/Instagram @ruansmc

Sintomas que exigem resistência diária

Os sintomas da Doença de Crohn são variados e imprevisíveis. No caso de Ruan, eles se manifestam de forma intensa e impactam diretamente sua rotina. “Sinto muitas vezes uma espécie de enjoo no intestino… outras vezes sem energia pra fazer nada”, relata. Além disso, o excesso de gases e as crises intestinais geram desconforto físico e abalam o emocional. “Tenho muita ansiedade nos dias que sinto que meu intestino não está dos melhores, e isso come muito meu juízo”, afirma.

Essa sobreposição de sintomas físicos e mentais impõe um tipo de resistência diária, não visível a olho nu, mas profundamente presente. Ainda assim, ele insiste: “De qualquer jeito eu enfrento quando possível”.

A doença e o amadurecimento forçado

No lugar de uma juventude despreocupada, Ruan encontrou a necessidade de amadurecer cedo. “Precisei dominar mais as minhas vontades e entender que preciso ser forte pra não desanimar”, diz. Essa força se manifesta também na renúncia a experiências que para outros são triviais. Participar de eventos sociais, por exemplo, tornou-se uma tarefa delicada. “Tenho muito receio… a dor de cabeça pra ajeitar os alimentos é muito grande”.

Ruan Nascimento em sua cidade natal, Cedro (CE): “Precisei amadurecer mais rápido por causa da doença”
Ruan Nascimento em sua cidade natal, Cedro (CE): “Precisei amadurecer mais rápido por causa da doença” – Reprodução/Instagram @ruansmc

A alimentação como campo de batalha

A mudança alimentar foi drástica e obrigatória. A escassez de opções seguras para quem convive com uma DII, especialmente em cidades pequenas, é um dos maiores obstáculos. “Aprendi a cozinhar a maioria das coisas que eu como”, conta. Fora de casa, o cardápio restrito vira motivo de tensão. “Muitos lugares têm opções limitadíssimas para mim”.

Esse cenário ilustra um problema maior: a falta de inclusão alimentar em espaços públicos e sociais, algo que impacta diretamente a autonomia e o bem-estar de pessoas com DII.

Impacto na autoestima e saúde mental

As consequências emocionais também são profundas. “Depois do diagnóstico, minhas inseguranças ficaram maiores”, confessa Ruan. Ele teme pelo futuro e pela forma como será visto nos relacionamentos. “Tenho insegurança sobre o que uma potencial parceira vai achar de mim”. Com apoio psicológico, tem aprendido a enfrentar esses medos.

Alimentação restrita e desafios invisíveis: a Doença de Crohn exige adaptações constantes na rotina de Ruan
Alimentação restrita e desafios invisíveis: a Doença de Crohn exige adaptações constantes na rotina de Ruan – Reprodução/Instagram @ruansmc

Rede de apoio

Felizmente, encontrou acolhimento no ambiente educacional. “Tive apoio sim, graças a Deus. As pessoas entendem que tenho esse problema”. Embora não participe de grupos formais de apoio, acompanha perfis e conteúdos sobre a doença nas redes sociais, que lhe servem como fonte de identificação e informação.

Sua mensagem para outros jovens diagnosticados é clara: “Quando estiver vivendo momentos bons, viva mesmo. Não deixe a ansiedade dominar a sua cabeça. Tenha fé em Deus que vai dar tudo certo. Não deixe de viver por causa da doença”.





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