Na poesia, mulheres estão ganhando dos homens, afirma Alice Ruiz, na Flip

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Na poesia, mulheres estão ganhando dos homens, afirma Alice Ruiz, na Flip


A primeira mesa da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, desta sexta-feira (1º) emocionou o público ao reunir três poetas de renome e de gerações diferentes que leram trechos de suas obras e discutiram a natureza política da poesia e a crescente produção poética por mulheres, ainda cercada por estereótipos machistas.

“Faz pouco mais de um século que as mulheres têm acesso regular à alfabetização. Portanto, se a gente olhar nos termos da duração da história, é um fenômeno maravilhoso essa quantidade de mulheres fazendo poesia”, disse Alice Ruiz, compositora, tradutora e poeta premiada com o Jabuti por seus livros de poema “Vice-versos” e “Dois em Um”.

“Os rapazes que me desculpem, mas, em matéria de quantidade e de qualidade, acho que já estamos ganhando”, brincou Ruiz, que foi casada com Paulo Leminski, autor homenageado desta edição da Flip, com quem teve três filhas.

A curitibana estava acompanhada das poetas cariocas Claudia Roquette-Pinto, que teve seus primeiros cinco livros compilados no lançamento “A Extração dos Dias”, e Marília Garcia, vencedora do Prêmio Oceanos pelo livro de poemas “Câmera Lenta” e que lançou neste ano o livro de ensaios “Pensar Com as Mãos”.

Na mediação, o jornalista Fernando Luna usou trechos das obras de cada uma delas numa divertida apresentação e entrosou as autoras ao propor perguntas com referências cruzadas.

Garcia contou que o primeiro livro que ganhou quando ingressou no mundo editorial, antes mesmo de se descobrir poeta, foi de Roquette-Pinto “Foi uma das primeiras poetas contemporâneas que eu li”, afirmou.

Roquette-Pinto, por sua vez, explicou que, para sua geração, Ruiz é uma das pioneiras que “vieram na frente, rompendo, abrindo caminho para a gente poder chegar onde está. “É uma corrente de vozes e visões e construções e dicções que vão sendo transmitidas da boca do mestre para discípulos.”

Ela lembrou do tempo em que recebia elogios do tipo “você escreve poesia que nem homem” e a produção literária de mulheres era segregada nas livrarias e bibliotecas em espaços indicados como “literatura feminina”. Antes disso, o mediador abriu o debate evocando os efeitos da homenagem a Leminski em Ruiz.

“É a primeira vez que vou responder à pergunta sobre a emoção sem ser rabugenta”, disse ela. “É porque normalmente se pergunta sobre emoção só para mulheres, mesmo quando o assunto é trabalho”, explicou-se, ressalvando que a ocasião era, de fato, excepcional.

“Além do próprio talento do Paulo, eu e minhas filhas temos trabalhado para sua obra não fique esquecida no tempo. E ver o trabalho dele e o nosso surtindo efeito, dando frutos, é uma felicidade. Acho que esse negócio de estar vivo se justifica por estes momentos”, disse, lamentando o fato de Leminski não ter vivido para esta consagração. “Mas quem mandou ele ter pressa e ir embora cedo?”

Ruiz ainda declamou algumas de suas letras de músicas mais famosas, como “Socorro”, gravada por Gal Costa e Arnaldo Antunes, e contou que ela e Leminski costumavam ser os primeiros leitores das produções literárias de um e de outro.

“Eu sou muito exigente com quem eu amo, e não deixava barato para o Paulo. Quando ele me mostrava alguma coisa mais ou menos, eu dizia, cara, não precisava de você para fazer isso”, disse, para deleite do público que lotou o auditório. “Uma maravilha um espaço deste lotado de pessoas interessadas em poesias de mulheres às 10h da manhã.”



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *