My Chemical Romance enche Allianz Parque com horda de emos de gerações variadas

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My Chemical Romance enche Allianz Parque com horda de emos de gerações variadas


“Make Brazil emo again”, ou faça o Brasil emo de novo. A frase, uma tirada que ironiza o slogan de Donald Trump, “Faça a América grande de novo”, estava estampada em incontáveis camisetas e bonés vistos por todo o Allianz Parque na noite desta quinta-feira, quando a banda americana My Chemical Romance subiu ao palco para seu primeiro show no Brasil desde 2008.

A julgar pela empolgação do público e pela variedade de faixas etárias —de contemporâneos do vocalista, Gerard Way, 48, a adolescentes que nem eram nascidos quando a banda esteve aqui pela última vez— o Brasil nunca deixou de ser emo, e o estilo atravessa gerações de fãs brasileiros, que cantaram todas as letras e exibiram uma devoção impressionante ao grupo formado por Way, pelos guitarristas Frank Iero e Ray Toro e por Mikey Way, baixista.

A banda faz uma animada mistura de punk, pop e emo, com canções rápidas e letras confessionais que falam direto aos corações tristes de seus fãs. A banda bebe no punk-pop dos anos 1990 de bandas como Green Day e Offspring, somado a pitadas do pós-punk e dos sons góticos oitentistas de The Cure e Siouxsie and the Banshees e a um gosto pelo épico que lembra os momentos mais teatrais do Queen e de David Bowie na fase “Ziggy Stardust”.

Essa geleia geral do My Chemical Romance resultou em discos de imenso sucesso comercial, como “Three Cheers for Sweet Revenge”, de 2004, e “The Black Parade”, de 2006. A atual turnê celebra os 20 anos do lançamento de “The Black Parade“, e a primeira parte do show é dedicada inteiramente ao álbum, que é tocado na íntegra.

O disco conta a história de um homem que está morrendo de câncer e é visitado pela Morte e levado para uma viagem por suas memórias —tudo encenado pelos músicos no palco com alguns coadjuvantes, efeitos especiais e trocas de cenários.

Antes, porém, o público foi animado pelo rock de garagem divertido e energético dos suecos do The Hives. Liderados pelo cantor Howlin’ Pelle Almqvist, o quinteto emendou 11 músicas em 45 minutos, incluindo sucessos como “Tick Tick Boom”, “The Hives Forever Forever The Hives” e o maior hit do grupo, “Hate to Say I Told You So”. O público adorou.

O show do My Chemical Romance estava marcado para 21h, mas eles subiram ao palco 10 minutos antes do horário previsto e foram recebidos com gritos beatlemaníacos. A banda tocou o LP “The Black Parade” na íntegra e na mesma ordem do disco, e por vezes era difícil ouvir a voz de Way, tamanho o volume dos gritos das fãs. Das 14 músicas do LP, as que causaram as maiores comoções foram “Mama”, “I Don’t Love You” e, especialmente, “Welcome to the Black Parade”.

Durante o show, o grupo fez alusões ao Brasil: o guitarrista Frank Iero vestia uma jaqueta do Sepultura, e Gerard Way dedicou uma canção aos irmãos gêmeos brasileiros Fábio Bá e Gabriel Moon, artistas que desenham quadrinhos e são amigos de longa data de Way —Bá criou com o vocalista a famosa série de HQs “The Umbrella Academy“, depois adaptada numa série da Netflix.

Depois de completar as 14 faixas de “The Black Parade”, o show assumiu um ar menos teatral: foram-se os cenários e os figurantes e ficou apenas a banda no palco, tocando músicas que não faziam parte daquele disco, incluindo sucessos como “I’m not OK (I Promise)”, “Na na na”, “Helena” e “Cemetery Drive”, além de surpresas como “The World is Ugly”, lançada como lado B de um dos singles de “The Black Parade”.

Sem os efeitos especiais e os cenários, o My Chemical Romance ficou restrito a ser o que é: uma ótima banda ao vivo, com músicos que tocam juntos há muito tempo e têm um repertório cheio de boas canções, apesar de não lançar um LP de inéditas há 16 anos. No fim, o show teve 25 músicas em quase 2h15. Foi uma verdadeira maratona emo.



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