Na capital pernambucana, a caminhada da Rua da Aurora ao Marco Zero reafirmou a tradição de lutas populares e resistência democrática
JC
Publicado em 21/09/2025 às 18:41
| Atualizado em 21/09/2025 às 18:56
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O Recife voltou a escrever, neste domingo (21), mais um capítulo da sua longa tradição de lutas em defesa da democracia. Da Rua da Aurora ao Marco Zero, uma multidão ocupou o Centro da capital pernambucana para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e o projeto de lei que prevê anistia a condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A concentração teve início em frente ao Ginásio Pernambucano, na Aurora, local simbólico para a história política do estado. Ali, desde o século XIX, estudantes, trabalhadores e movimentos sociais se reúnem para marcar posição diante das crises nacionais. Por volta das 15h40, a caminhada seguiu pela Rua João Lira, Parque 13 de Maio e Ponte Princesa Isabel, até desembocar no Marco Zero, coração da cidade, onde o ato foi encerrado com apresentações de cultura popular.
O protesto assumiu caráter político-cultural. Dois trios elétricos reuniram artistas, grupos de maracatu e a batucada do bloco carnavalesco Eu Acho É Pouco, que levou ao ato o dragão vermelho, símbolo irreverente da resistência popular de Olinda. Enquanto o dragão cruzava a ponte Princesa Isabel, ainda havia milhares de pessoas na Aurora, demonstrando a força da mobilização.
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Do Ginásio Pernambucano ao Marco Zero, manifestantes transformaram o Recife em palco de defesa da democracia neste domingo (21) – Henrique Lima/PT Pernambuco
Segundo os organizadores, 50 mil pessoas participaram da manifestação, convocada pela União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) com apoio das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Entre cartazes e coro ao longo do percurso, frases como “sem anistia” e menções ao ex-presidente Jair Bolsonaro sintetizavam a mensagem dos protestos.
O deputado federal e presidente do PT Pernambuco, Carlos Veras, defendeu a importância de a população ocupar as ruas neste momento. “O nosso compromisso é com o povo trabalhador, com a soberania nacional e com as pautas que podem melhorar de fato a vida da maioria. Por isso, somos contra a anistia para golpistas e convocamos toda a militância a se somar a esses atos de luta neste domingo”, afirmou.
O PT destaca que, enquanto o Congresso corre para aprovar medidas que buscam perdoar golpistas, a população exige prioridade para a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos e taxação dos super-ricos, o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a defesa da soberania nacional.

Cartazes, batuques e palavras de ordem marcaram a caminhada que tomou as ruas da capital pernambucana – PT Pernambuco/Divulgação
Campanha antecipada para Lula
A vereadora do Recife, Cida Pedrosa (PCdoB) defendeu o fortalecimento das instituições e antecipou campanha para o presidente Lula em 2026. “Nós estamos aqui nesses lugar lindo, à beira do (Rio) Capibaribe para dizer não à anistia, não à PEC da Blindagem. Dizer ao povo brasileiro que a democracia não pode ser desrespeitada. A gente não pode baixar a cabeça para parte do Congresso Nacional formado pela direita e pela extrema direita, que está tentando fazer da nossa Casa Parlamentar um estado de narco-estado. Porque se a gente deixa passar a PEC da Blindagem, o Congresso será um lugar para bandidos. Um lugar para aqueles que não respondem democraticamente à Justiça Brasileira. Temos que fortalecer nossas instituições, o Congresso Nacional. Temos que fazer com que o projeto político do presidente Lula seja reconhecido pela nossa população. Nós temos que reeleger o presidente Lula porque isso é a diferença entre o estado civilizatório e a barbárie. Nós estamos numa encruzilhada histórica”, discursou.
O deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB) participou do ato no Recife e destacou que a mobilização deste domingo foi um recado direto ao Congresso Nacional, que aprovou a PEC da Blindagem e agora discute o projeto de anistia aos golpistas. Para ele, a presença massiva de pessoas nas ruas marca a retomada das grandes manifestações das forças democráticas no país, com o objetivo de enfrentar o golpismo, cobrar transparência e defender melhores condições de vida para a população.
Atos pelo Brasil

Cartazes, batuques e palavras de ordem marcaram a caminhada que tomou as ruas da capital pernambucana – Henrique Lima/PT Pernambuco
As manifestações no Recife se somaram a outras realizadas em mais de 30 cidades brasileiras. O ponto comum em todas elas foi a defesa da democracia e a recusa ao que os organizadores chamam de tentativa de colocar parlamentares e golpistas acima da lei.
A PEC da Blindagem, já aprovada pela Câmara dos Deputados, busca tornar obrigatória a autorização prévia da Câmara ou do Senado para abertura de processos contra parlamentares no Supremo Tribunal Federal. Críticos lembram que, quando regra semelhante vigorou no país, praticamente nenhum processo foi autorizado. Agora, o texto segue para análise no Senado, onde enfrenta forte resistência. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar (PSD-BA), classificou a proposta como “murro na barriga e tapa na cara do eleitor” e prometeu trabalhar para rejeitá-la.
No Recife, a resposta popular deixou claro que Pernambuco segue fiel à sua vocação histórica: das ruas de 1817, 1824 e 1968 às lutas atuais, o estado reafirma seu papel de sentinela da democracia brasileira.


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