No Estado, o hip-hop ganhou cada vez mais rostos e vozes femininas, que assumem funções de liderança, produção e organização de eventos
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Clique aqui e escute a matéria
O hip-hop completou, nesta semana, 52 anos de existência, reafirmando sua força como movimento cultural e social que ultrapassa fronteiras.
Em Pernambuco, a cena ganha cada vez mais rostos e vozes femininas, que não apenas ocupam os palcos, mas também assumem funções de liderança, produção e organização de eventos.
Para as artistas, produtoras e hosts locais, ocupar esse espaço é uma luta constante, mas também uma afirmação de resistência.
Esse debate também ganha mais força ao lembrar da trajetória de Cindy Campbell, uma nova-iorquina considerada a “mãe do hip-hop” por ter organizado, em 1973, a festa de volta às aulas que marcou o nascimento oficial do movimento.
Mesmo assim, seu nome raramente aparece nos registros mais populares da história.
Cenário feminino do hip-hop pernambucano
O cenário feminino do hip-hop em Pernambuco tem avançado de forma constante, com cada vez mais grafiteiras, MCs, B-Girls (mulheres que praticam ou se identificam com a cultura do breakdance), entre outras, conquistando espaço e visibilidade.
‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}
‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}
Para Duda Serafim, B-girl, professora de dança e idealizadora do grupo de danças urbanas Serafims Company, que está na cena desde o final dos anos 2000, o espaço das mulheres no hip-hop pernambucano vem crescendo e se consolidando.
“O cenário das mulheres no hip-hop vem ganhando cada vez mais visibilidade por meio das grafiteiras, MCs, B-girls e militantes da cultura. Ainda assim, essa presença se constrói com muito esforço, na base do ‘elas por elas’, para ocupar e sustentar esses espaços, articulando-se e se afirmando de forma diversa e plural.”, afirmou Duda.
“Há muito pela frente, mas comparado a uns tempos atrás, acredito que essa é uma luta que vem sendo cada vez mais ouvida e vista. Estamos aqui, conquistando e nos articulando para afirmar, de forma firme e contínua, o nosso lugar”, completou.
Já no interior, esses obstáculos são ainda mais desafiadores: a caruaruense Maria Caroline, conhecida artisticamente como B-Girl Caracol, cofundadora da Mulheriu Gang Crew em Caruaru e produtora cultural, ressalta as dificuldades específicas de quem está fora da capital.
“O desenvolvimento cultural das mulheres do interior, principalmente do hip-hop, vem acontecendo de uma forma mais lenta do que, por exemplo, as mulheres que moram na região metropolitana em que, estruturalmente, elas têm mais espaços e mais oportunidades de desenvolver os seus trabalhos.”
“Mas quando a gente traz isso aqui para o interior e para nós mulheres, nós estamos num momento de abrir caminhos, sabe? A gente se junta para ver como a gente trabalha no nosso território e o que a gente enfrenta para conseguir trabalhar com esses obstáculos que nos impedem de desenvolver ou de ter uma renda com o nosso trabalho é justamente a falta de oportunidade.”, disse Maria Caroline.
Mulheres do hip-hop em Pernambuco quebram barreiras e fortalecem a presença na cena cultural – Duda Serafim
Avanços do movimento
As entrevistadas reconhecem que, nos últimos anos, as mulheres têm conquistado mais espaço nas batalhas, nos palcos e também nos bastidores. A presença feminina no hip-hop pernambucano tem avançado de maneira significativa, embora ainda cercada por obstáculos estruturais.
“Nos últimos anos, houve avanços visíveis na presença e visibilidade das mulheres no hip-hop pernambucano. Mas ainda há desafios significativos, como o machismo estrutural, a falta de reconhecimento, a falta de apoio para realização de eventos e valorização das artistas femininas.”, declarou Duda Serafim.
Outra presença no hip-hop pernambucano, Lara atua como host (alguém que recebe e cuida de convidados) e também colabora na organização de eventos do Jornada de MCs. Em conversa com a reportagem do JC, ela destaca um processo histórico de fortalecimento das mulheres dentro do movimento.
“Eu vejo muitos avanços e é um movimento novo considerando o tempo cronológico da sociedade, dos movimentos culturais. Temos aí 50 aninhos, mas é um tempo suficiente para criar nuances de uma história.”
“Hoje a gente não deve nada ao movimento, não há nada que a gente, como mulher, não faça. Estamos em todos os elementos: no grafite, no break, como DJs, MCs e principalmente no conhecimento, que é o quinto elemento do hip-hop”, afirma.
Já para a DJ Renna Amorim, outra voz ativa do movimento e que atua há anos na cena, falou com a reportagem que os avanços têm se refletido principalmente na produção cultural.
“Percebo avanços nos últimos anos, principalmente na área da produção cultural, muito por conta das políticas públicas que vêm fortalecendo a atuação das mulheres no hip-hop.”, destaca.
DJ Renna e Lara também afirmam que o machismo estrutural é um grande desafio a ser enfrentado nesse meio.
Desafios do reconhecimento
Apesar dos avanços, ainda há muito a ser conquistado. Para as mulheres que vivem o hip-hop no estado, ocupar esse espaço, historicamente marcado pela predominância masculina, significa enfrentar responsabilidades e cobranças que raramente recaem sobre os homens.
DJ Renna relatou um pouco da sua experiência conciliando o hip-hop com a maternidade.
“Comecei no hip-hop em 2008 pelo graffiti e, desde o início, enfrentei dificuldades como a falta de recursos para material pra estar na ativa nas ruas e falta de oportunidade para viver de arte. Em 2013, pausei minhas atividades por causa da maternidade e, depois, pela descoberta do autismo do meu filho, o que atrasou mais ainda meu retorno.”, afirmou Renna.
“Voltei à cena em 2019 como DJ, mas hoje o maior desafio é conciliar a carreira com os cuidados dele (do filho), já que nem sempre consigo deixá-lo aos cuidados minha mãe, a única que fica com ele, ou levá-lo aos eventos por conta dos muitos estímulos e pode desencadear uma crise.”, completou.
Lara também falou sobre os desafios das mulheres dentro da cena do hip-hop.
“Quando você fala do hip-hop, você fala de um movimento esteticamente muito marcado pela visão social. Então, muitas vezes é atrelado a uma violência. Quando você, por exemplo, vai falar de pichação, as pessoas acham aquilo agressivo. Geralmente as pessoas não acham um merchandising (citação ou aparição de determinada marca, produto ou serviço) da Coca-Cola numa parede agressivo”, disse Lara.
“Mas a pichação, o registro, a linguagem própria, o alfabeto da periferia é tido como agressivo. A sociedade estereotipa muito. Eu já passei por experiências de colocar um rap pra pessoas mais velhas e elas dizerem: “Essa música é de bandido?””, completou.
Inspiração para novas gerações
A forma como as mulheres projetam sua atuação no hip-hop também passa pela responsabilidade de inspirar novas gerações.
Para Duda Serafim, a dança é muito mais que um conjunto de passos coreografados: “É sobre transmitir valores como disciplina, respeito, criatividade e consciência de si e do outro”, explica.
Ela acredita que o movimento pode ser uma ferramenta de empoderamento, capaz de mostrar a meninos e meninas que têm voz, corpo e história para contar.
Já DJ Renna vê sua trajetória como uma prova de resistência e possibilidade: “mesmo diante de tantas dificuldades que eu tenho, tanto pessoal como social, é possível resistir e permanecer ativa no hip-hop”.
Multiartista, produtora cultural e mãe atípica, ela ressalta que sua caminhada, do graffiti ao DJ set especializado em batalhas de breaking, passando pela produção do Urban Fusion, é também um recado para quem vem depois: há espaço para mulheres ocuparem lugares de destaque.
Para Lara, o hip-hop deve ser entendido como uma escola, e é a partir dessa perspectiva que se constrói uma inspiração transformadora: “o movimento ensina, educa e reeduca a sociedade. Se a gente traça só a perspectiva da ostentação, a gente fica preso em um lugar infértil para muitos jovens”.
Quando o assunto é incentivar novas meninas a entrarem no hip-hop, mesmo diante do medo ou da insegurança, as artistas são unânimes em reforçar que o primeiro passo é acreditar em si mesmas.
Para Duda Serafim, a dança é também um exercício de coragem: “Vai com medo mesmo! Ninguém começa sabendo tudo, e tá tudo bem errar, cair, levantar e aprender no caminho. O hip-hop é lugar de verdade, de sentir, de botar pra fora o que é seu. Se você ama, se identifica e quer estar ali, já é metade do caminho andado”, afirma.
Já para Lara, a força está em ouvir a voz interior que guia e fortalece diante das adversidades: “O hip-hop é um movimento de sonho e de esperança. Eu diria para as meninas olharem para quem já construiu antes, se inspirarem e se recarregarem, porque esse é um caminho de empoderamento, de brilho e de reconhecimento coletivo”.

/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2579067966.png?w=300&resize=300,300&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2579373146.png?w=300&resize=300,300&ssl=1)







/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2579067966.png?w=150&resize=150,150&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2579373146.png?w=150&resize=150,150&ssl=1)