O Brasil tem uma grande dificuldade de implementar políticas educacionais antecipatórias, capazes de trazer o futuro para a sala de aula
Publicado em 17/11/2024 às 16:51
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– Cortesia
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Este artigo foi inspirado no texto “Smartphones nas escolas: liberar, proibir, controlar, habilitar?” escrito pelo meu dileto amigo Sílvio Meira, que, por sua vez, teve como motivação abrir o debate sobre a regulamentação do uso destes equipamentos nas escolas públicas.
Como diz Sílvio, o relatório do deputado Diego Garcia (Republicanos – PR) tem como foco “salvaguardar a saúde mental, física e psíquica” de crianças e adolescentes, enfatizando os riscos associados ao uso imoderado de telas.
Entre as preocupações apontadas pelo relatório, estão a distração em sala de aula, o impacto no desenvolvimento psicológico, a exposição a conteúdos inadequados e o risco de nomofobia – medo ou ansiedade de ficar sem o dispositivo móvel.
O ministro da Educação Camilo Santana, por sua vez, destacou que o uso excessivo de smartphones compromete a socialização e o desenvolvimento de habilidades interpessoais essenciais, mencionando que, durante sua juventude, a interação social e as atividades físicas, como esportes e idas à biblioteca, faziam parte integral da rotina escolar.
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No cenário atual, segundo ele, a predominância de dispositivos móveis tem reduzido o convívio entre os alunos e aumentado as distrações.
A jornalista da UOL Adriana Ferraz, ao me entrevistar sobre o assunto, começou dizendo que “este tema une a direita e a esquerda no Brasil”. Ou seja, todos estão de acordo com o relatório do deputado Diego Garcia.
Então, eu perguntei para ela ‘o que você espera que eu diga?’. Disse-me então que procurava ouvir de mim algo que provocasse uma reflexão mais ampla sobre a restrição ao uso de celulares nas escolas.
Comecei explicando a ela que o Brasil tem uma grande dificuldade de implementar políticas educacionais antecipatórias, capazes de trazer o futuro para a sala de aula. Muitas vezes, é mais fácil proibir do que enfrentar os desafios da implementação de uma política complexa, mas necessária.
O próximo capítulo desta discussão – vamos aguardar – vai chegar na inteligência artificial.
Quem está responsável pela política, seja em qualquer uma das três esferas de poder, não quer se indispor com a corporação ou outros interesses que não são aqueles vinculados ao desenvolvimento pleno das crianças, como apregoa o artigo 205 da Constituição Federal, ou ainda, o artigo 2o da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O Brasil vive uma crise de lideranças transformacionais.
Sobre o caso dos smartphones, disse-lhe que também concordava com a regulamentação, obviamente necessária, mas que isso era apenas a ponta do iceberg.
Todos também concordam que tais aparelhos podem ser laboratórios portáteis para melhorar a qualidade do ensino, e, consequentemente, a aprendizagem de nossos alunos – o maior dos desafios da educação brasileira, especialmente agravado pela pandemia.
Por outro lado, para ser um laboratório portátil, e contribuir assim para o processo de ensino e de aprendizagem, duas coisas são essenciais: capacitar os professores das escolas públicas para usá-los no seu potencial máximo no campo pedagógico e prover a escola de internet de alta velocidade.
Tais desafios precisam ser enfrentados pelo país, como fizeram vários outros países pelo mundo. Por exemplo, na Austrália, como ressaltou Sílvio Meira em seu artigo, o incentivo ao uso de smartphones e dispositivos móveis em sala de aula veio acompanhado de um investimento em infraestrutura e de um programa nacional de formação que capacita professores a integrarem o digital com o tradicional.
Tais iniciativas não apenas aprimoram o aprendizado, mas também ajudam a criar culturas escolares que valorizam o uso consciente e produtivo da tecnologia.
Por fim, trago ainda uma reflexão feita por Sílvio: será que conseguiremos, em algum momento, substituir o medo pela visão e pelo planejamento? Será que, ao invés de proibir, vamos finalmente nos comprometer com o que realmente importa?
Mozart Neves Ramos, titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da USP de Ribeirão Preto e professor emérito da UFPE
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