Mortes no trânsito: MPPE denuncia motorista alcoolizado que atropelou trabalhador em Boa Viagem por homicídio qualificado, com crueldade e pede indenização de R$ 1 milhão

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Mortes no trânsito: MPPE denuncia motorista alcoolizado que atropelou trabalhador em Boa Viagem por homicídio qualificado, com crueldade e pede indenização de R$ 1 milhão


Promotor aponta dolo eventual, embriaguez e velocidade, pedindo que motorista seja julgado pelo Tribunal do Júri; vítima teve a perna decepada

Por

Roberta Soares


Publicado em 14/12/2025 às 12:25
| Atualizado em 14/12/2025 às 13:11



Clique aqui e escute a matéria

A probabilidade de o motorista que atropelou e matou violentamente um montador no Segundo Jardim de Boa Viagem, no dia 29/11/25, responder na Justiça pelo crime de homicídio doloso (intencional) – se ser julgado por um Tribunal do Júri – ficou ainda maior. Na sexta-feira (12), o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou o condutor Gabriel Graciliano Guerra Barretto de Queiroz, de 19 anos, por homicídio qualificado e duas tentativas do mesmo crime, responsabilizando-o também por quase ter atropelado outros dois montadores que estavam ao lado do colega, Alex Nunes Viana Bezerra, 25.

O promotor de Justiça Bruno Miquelão endureceu o entendimento sobre o caso, ainda mais que a Polícia Civil, que no momento do sinistro de trânsito autuou – via Delegacia de Boa Viagem – o motorista em flagrante, mas por homicídio culposo (sem intenção). Somente depois, no indiciamento, é que a Delegacia de Delitos de Trânsito alterou a tipificação e responsabilizou Gabriel Graciliano por homicídio doloso por dolo eventual. as não entendeu que houve, também, duas tentativas de homicídio – o que agora fez o MPPE.

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

Na denúncia, o MPPE enquadra Gabriel Graciliano pelo dolo eventual, uma vez que ele assumiu deliberadamente o risco de produzir o resultado morte ao dirigir alcoolizado e em excesso de velocidade. As duas tentativas de homicídio foram contra o também montador João Paulo Farias de Souza, que estava no local e por pouco não foi atropelado; e o motoqueiro Rafael Santos Silva, que momentos antes do atropelamento teve sua moto atingida pelo motorista quando trafegava pela Avenida Boa Viagem com uma pessoa na garupa.

O atropelamento foi tão violento que a vítima, Alex Nunes, teve uma das pernas arrancadas do corpo e morreu ainda no local devido à gravidade dos ferimentos. O jovem e os colegas estavam trabalhando na montagem da estrutura de uma feira cultural que aconteceria no Segundo Jardim.

CRUELDADE E INDIFERENÇA DO MOTORISTA


Reprodução

A violência da colisão foi tão grande que a vítima teve uma das pernas dilacerada na hora e morreu ainda no local devido à gravidade dos ferimentos – Reprodução

A qualificação do crime, na visão do MPPE, se sustenta em três qualificadoras: meio cruel, resultado de perigo comum e recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa das vítimas. Para a vítima Alex Nunes, o recurso tornou impossível a defesa. Enquanto que para João Paulo Farias e Rafael Santos, a defesa foi dificultada.

“Com efeito, Gabriel Graciliano ingeriu, de forma livre e consciente, grande quantidade de álcool em curto período de tempo, o que aumentou drasticamente a previsibilidade do crime que seria praticado. Ademais, o condutor possuía apenas autorização provisória para dirigir, o que somado ao estado etílico e à excessiva velocidade aplicada ao veículo culminou no resultado criminoso”, afirma o promotor.

E segue: “Some a todas essas evidências, a indiferença e desprezo pela vida alheia, que ficam evidentes nos depoimentos das testemunhas, que atestaram a completa indiferença do condutor após o atropelamento, sem demonstrar tristeza ou arrependimento . Foi nesse cenário de lazer irresponsável que o denunciado assumiu o risco de matar”, reforça.


Acervo pessoal

Alex Nunes Viana Bezerra, 25, montador atropelado violentamente por motorista embriagado na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife – Acervo pessoal

O Ministério Público chegou a destacar a crueldade do ato ao analisar o impacto do atropelamento. De acordo com a denúncia, a violência da colisão “impôs sofrimento físico desnecessário, atroz e desproporcional” aos trabalhadores e ao condutor da motocicleta. E destaca: “Alex Nunes, a vítima fatal, sofreu múltiplas fraturas no crânio e tronco, além de ter a perna decepada do corpo”.

O promotor também entendeu que a imprudência e irresponsabilidade do condutor colocou em perigo comum e direto outros trabalhadores, transeuntes e condutores que circulavam nas vias por onde o denunciado havia passado.

As razões para o pedido de condenação e submissão ao júri popular são reforçadas pela descrição do motorista após o ocorrido. Na denúncia, o promotor diz que testemunhas atestaram a completa indiferença de Gabriel Graciliano, que não demonstrou tristeza ou arrependimento pelo que tinha feito. “Uma das testemunhas relatou que, ao ser retirado do prédio pela Polícia Militar, o condutor chegou a fazer um sinal irônico de “legal” para a população revoltada”, é relatado.

EMBRIAGUEZ E DESPREZO PELA VIDA ALHEIA JUSTIFICAM JÚRI POPULAR


Cortesia

Jovem de 19 anos tinha habilitação provisória e, mesmo assim, bebeu antes de dirigir. Também excedeu a velocidade – Cortesia

O promotor Bruno Miquelão Gottardi detalhou no documento o cenário que levou à tragédia. O denunciado estava sob forte embriaguez, tendo confessado em interrogatório o consumo de bebida alcoólica durante o almoço e, pouco antes do crime, ingerido uma garrafa de vinho sozinho em uma pizzaria em curto espaço de tempo. Somado ao estado etílico, ele dirigia com excessiva velocidade e possuía apenas autorização provisória para dirigir.

O atropelamento ocorreu após o denunciado invadir uma área que estava isolada por cones, barreiras e gradis. As vítimas, que trabalhavam na montagem de estruturas metálicas para um evento, foram surpreendidas pelo veículo. Alex Nunes, por exemplo, buscava complementar a renda para comprar uma geladeira nova para a mãe. A invasão inopinada da área isolada, que deveria ser segura, constituiu um ataque por surpresa, impossibilitando a defesa das vítimas.

O MPPE rejeitou a tese defensiva do acusado de que uma motocicleta o teria “fechado”, afirmando que as imagens demonstram a trajetória retilínea do veículo e a existência de espaço livre na via. A indiferença demonstrada por Gabriel Graciliano após o fato apenas reforça o dolo eventual.

Diante da pluralidade de resultados (um consumado e dois tentados), o Ministério Público requereu o recebimento da denúncia para que o acusado seja levado a julgamento perante o Tribunal do Júri. Além disso, solicitou a manutenção da prisão preventiva de Gabriel Graciliano para a garantia da ordem pública. A frieza e a ausência de remorso demonstradas são elementos concretos que indicam a periculosidade social do agente e a possibilidade de reiteração criminosa, justificando a prisão como forma de acautelar o meio social e evitar a banalização da vida.

INDENIZAÇÃO DE R$ 1 MILHÃO E SUSPENSÃO IMEDIATA DA CNH, QUE ERA PROVISÓRIA 

Denúncia atropelamento Boa Viagem by Roberta Soares

O MPPE também requereu R$ 1 milhão de reparação por danos morais e uma pensão civil mensal em favor da mãe da vítima até ela completar 70 anos. Por fim, solicitou a suspensão imediata da permissão para dirigir do denunciado e a inabilitação para dirigir veículo, caso haja condenação.

Confira os requerimentos para a indenização:

a) Danos morais: no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) em favor da genitora da vítima Alex Nunes;

b) Danos materiais/pensão civil: na forma de pensionamento mensal em favor da genitora de Alex Nunes, até a expectativa de vida da vítima, no valor de 2/3 (dois terços) da remuneração da vítima no momento do crime, acrescida pela parcela anual de 1/12 (um doze avos) da remuneração, referente ao 13º salário, até quando a vítima completaria 70 (setenta) anos de idade.

c) Danos materiais: R$ 500,00 como valor mínimo das avarias da motocicleta de uma das vítimas que por pouco também não foi atropelada.





Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *