Mobilização também pede pela redução da maioridade penal, que hoje é de 18 anos no Brasil. Os suspeitos pela morte de Orelha são quatro adolescentes
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A morte do cão Orelha mobilizou atos pelo Brasil neste domingo, 1º de fevereiro, com o objetivo de cobrar justiça e a responsabilização dos envolvidos no caso. Em São Paulo, manifestantes se reuniram pela manhã no vão livre do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na Avenida Paulista.
A caminhada teve início 30 minutos após a concentração, marcada para 10h. Alguns manifestantes carregavam cartazes e bandeiras com mensagens de protesto, e outros levaram seus próprios cães ao ato.
A mobilização também pede pela redução da maioridade penal, que hoje é de 18 anos no Brasil. Os suspeitos pela morte de Orelha são quatro adolescentes.
A ato teve a presença de parlamentares, ativistas e artistas. A primeira-dama de São Paulo, Regina Nunes, participou da manifestação e divulgou imagens nas redes sociais. “Os animais não falam, eu sou a voz deles”, diz a biografia dela no Instagram, onde os registros foram compartilhados.
A ativista Luisa Mell, que ganhou fama com resgate e proteção de animais, também participou do ato.
No Rio de Janeiro, o protesto também teve início às 10h, no Aterro do Flamengo, em frente ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, na Glória. Outro foi realizado à tarde, do Posto 2 de Copacabana, até o final da Praia do Leme.
Em Florianópolis, onde Orelha foi morto, o protesto ocorreu no trapiche da Avenida Beira Mar Norte, no centro da cidade. Vídeos compartilhados por manifestantes nas redes sociais mostram manifestantes reunidos e pedindo, em coro, “justiça por Orelha”.
Os atos reuniram artistas, ativistas e políticos. A atriz Heloisa Perissé fez um apelo pela participação no ato no Rio ainda no sábado, 31, por meio do Instagram. “Infelizmente, pelo que percebi, isso é só a ponta de um iceberg de coisas tenebrosas que estão acontecendo por aí. Isso também é um pedido de alerta para ver o que estão fazendo com a cabeça dos jovens, coma humanidade”, disse.
Ao menos cinco ataques a cães, em Estados diferentes (Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul), geraram indignação nos últimos dias. Conforme mostrou esta reportagem do Estadão, os casos podem estar relacionados a grupos de ódio na internet que incitam adolescentes a torturar animais.
A morte do cão Orelha
Orelha morreu no início de janeiro, após sofrer agressões na região da cabeça. De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as lesões foram tão graves que o animal precisou ser submetido à eutanásia durante atendimento veterinário que buscava reverter seu quadro clínico.
A Polícia Civil tomou conhecimento do caso em 16 de janeiro. Quatro adolescentes são investigados por supostamente agredirem o animal de forma violenta, com a intenção de causar sua morte. Parte das agressões teria se concentrado na cabeça do cão.
No dia 26 de janeiro, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos, mas ninguém foi preso. Dois deles estavam nos Estados Unidos e tiveram celulares e roupas apreendidos pela Polícia Civil na quinta-feira, 29, ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis.
A defesa dos suspeitos informou que a volta dos jovens foi articulada com os policiais e confirmou que eles entregaram os aparelhos telefônicos e outros pertences às autoridades em uma sala restrita do aeroporto. Os adolescentes também foram intimados a prestar depoimento.
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