Morre Mino Carta, jornalista e criador da revista Carta Capital, aos 91 anos

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Morre Mino Carta, jornalista e criador da revista Carta Capital, aos 91 anos


Carta estava internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, há duas semanas; participou da fundação da IstoÉ, Veja e Quatro Rodas

Por

Cristiane Ribeiro


Publicado em 02/09/2025 às 7:46
| Atualizado em 02/09/2025 às 8:40



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O jornalista Mino Carta, fundador da revista Carta Capital, faleceu na manhã desta terça-feira (2) em São Paulo. Carta tinha 91 anos, quase todos dedicados à escrita e ao jornalismo, marcando a imprensa brasileira desde a sua chegada ao país.

Idas e vindas ao hospital

A notícia foi publicada pela própria revista que dirigia ainda nas primeiras horas da manhã. No texto divulgado, é informado que Mino Carta “lutava contra os problemas de saúde, em idas-e-vindas do hospital”, há pelo menos um ano.

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Jornalismo como herança

Demetrio Carta, nascido em Gênova, na Itália, fez parte da terceira geração de jornalistas da família. Seu avô, Luigi Becherucci, perdeu o cargo de direção do jornal Caffaro em meio às repressões do regime fascista. O pai, Giannino, chegou a ser preso por fazer oposição ao ditador Benito Mussolini.

Ao fim da segunda guerra, Giannino recebeu o convite para dirigir a Folha de São Paulo e migrou com a família para o Brasil, onde descobriu que a legislação o impedia de exercer a função. Ainda assim, a família permaneceu no país.

Como surge uma lenda?

A trajetória de Carta é intrinsecamente ligada à história da própria imprensa brasileira. Sua primeira publicação como jornalista foi aos 16 anos, quando já no Brasil, seu pai recebeu a proposta de dois jornais italianos para que escrevesse sobre a Copa do Brasil.

Giannino não gostava de futebol, então passou a proposta para o filho. “Como pagavam bem, eu topei, pensando em mandar fazer um terno azul-marinho em um bom alfaiate, que eu tanto desejava para participar dignamente dos bailes de sábado”, contou em entrevista ao portal da Associação Brasileira de Imprensa, como relembra a Carta Capital.

O jornalismo brasileiro tem Carta

Em 1960, seu irmão Luigi atuava na direção da Abril e insistiu que Mino integrasse a equipe. Foi assim que ele comandou a versão brasileira da revista italiana Quattroruote, de automobilismo, e aproximou-se de José Hamilton Ribeiro e Paulo Patarra, que seriam seus companheiros na criação da Veja, dentro da Editora Abril.

A proposta de Mino era fazer jornalismo político em plena ditadura militar. Mas em casa, Mino aprendeu a ser ousado. “Só aceitaria o convite se os donos da Abril, uma vez definida a fórmula da publicação, se portassem como leitores a cada edição, passível de discussão, mas a posteriori, quer dizer, quando já nas bancas”, afirmou ao longo da vida, de acordo com a Carta Capital.

Depois da sua demissão, em 1976, o jornalista participou da fundação da IstoÉ, revista que publicou a primeira entrevista com o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, em 1978. Entre idas e vindas à revista, Carta atuou na revista Senhor, na TV Bandeirantes e na TV Record.

Abrir o caminho para não ceder

A Veja nasceu em 1968, com sua marca ácida de contestar os horrores da ditadura. O enfurecimento dos militares, uma crise econômica interna e os valores editoriais colocados em jogo fizeram com que Mino Carta abandonasse a empreitada e fundasse, em 1994, a Carta Capital.

Sob os princípios da “fidelidade à verdade factual, o exercício do espírito crítico e a fiscalização do poder onde quer que ele se manifeste”, Carta construiu a revista que tanto idealizou. Foi nessa redação que Mino atuou como diretor até o fim da sua jornada, repleta de desafios, comprometimento, profissionalismo e, sobretudo, jornalismo.

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