Mônica Bergamo: Marina Lima disse que Antonio Cicero ‘estava do meu lado para me defender’

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Mônica Bergamo: Marina Lima disse que Antonio Cicero ‘estava do meu lado para me defender’


Marina Lima relembrou o início da parceria criativa com seu irmão Antonio Cicero, poeta e ensaísta morto nesta quarta-feira (23), ao conversar com a coluna em maio de 2023. A quatro mãos, eles criaram versos como “Você me abre seus braços/ E a gente faz um país”, eternizados no cancioneiro brasileiro.

“Eu não tinha banda, mas tive ele como um grande companheiro. Cicero e eu criamos uma obra enorme, e ele estava do meu lado para me defender. Quase como um duo, sabe?”, disse Marina, em uma passagem até então inédita da entrevista.

Tudo começou nos EUA. Marina foi morar em Washington aos cinco anos de idade, quando o pai assumiu um cargo no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Cicero tinha 15.

A família regressou ao Brasil cerca de sete anos depois, mas mudou de ideia ao se deparar com o ambiente repressivo da ditadura militar (1964-1985). “Meu pai não se adaptou, não quis morar aqui. O Cícero era estudante de filosofia, e todo mundo do Instituto de Filosofia ia preso. Ele mandou o Cicero para Londres.”

Pouco depois, os dois irmãos se reencontraram no país norte-americano, onde o então estudante foi morar após o período na Europa. “Ele escrevia poesia escondido. Acabei musicando um poema, e criamos um repertório”, disse Marina, ao relembrar o período em que tinha 17 anos de idade.

A cantora contou à coluna que “Alma Caiada” foi a primeira canção escrita pelo irmão mais velho e musicada por ela, na década de 1970.

A obra foi parar nas mãos de Maria Bethânia e chegou a ser gravada pela baiana, mas o fonograma sofreu um veto da censura prévia da ditadura militar e jamais veio a público.

“Tinha um verso que dizia assim: ‘Mas às vezes pressinto/ Que não me enquadro na lei/ Minto sobre o que sinto/ Me esqueço tudo que sei’. Bom, devem ter achado que era a Lei de Segurança Nacional”, relembrou Marina, bem-humorada.

Assim como Bethânia, outras pessoas receberam composições de Marina e Cicero, que despacharam seu repertório para o Brasil por meio de uma fita cassete. Um primo dos dois foi o responsável por levar o material até o Rio de Janeiro.

“Tia Léa [Millon, empresária artística e prima da mãe de Marina] ligou para os meus pais [e disse]: ‘A fita da Marina fez o maior sucesso. As pessoas ficaram impressionadas. Acho que ela devia vir aqui’.”

Marina seguiu o conselho, e em 1978 fechou contrato com a Warner Music Brasil após fazer a primeira audição de sua vida. “Liguei para o Cicero [e disse]: ‘Cicero, volta pra cá que agora temos uma profissão no Brasil. Vamos compor um disco’”, relembrou. “Foi tudo assim, de repente. A vida foi acontecendo.”

com BIANKA VIEIRA, KARINA MATIAS e MANOELLA SMITH


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