Esta é a edição da newsletter Tudo a Ler desta quarta-feira (2). Quer recebê-la no seu email? Inscreva-se abaixo:
Tudo a Ler
Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias
A maior autora viva do Uruguai, Cristina Peri Rossi, uma vez afirmou que “desde criança tinha o desejo veemente de escrever contra vento e maré” —um desejo que a acompanhou por toda a vida.
Hoje, aos 83 anos, Rossi mora em Barcelona, onde passou a morar depois de seu trabalho chamar a atenção da repressão que comandava seu país natal na década de 1970. Seu “caráter transgressor”, como define a colunista Sylvia Colombo, finalmente pode ser contemplado no Brasil com o lançamento de três de seus livros.
Apesar de inéditas por aqui, as obras podem soar familiares por uma história que é comum a toda a vizinhança latina: a de pessoas caladas por um regime.
Leila Guerriero, que chega ao Brasil com seu livro-reportagem “A Chamada”, mergulha na ditadura militar argentina através da guerrilheira torturada Silvia Labayru.
Diante de um governo que hoje afirma que o impacto da repressão é exagerado pelo público, “a obra de Guerriero reforça que ainda há muito que se descobrir sobre a ditadura e que há relatos de sobreviventes que faltam ser escutados”, escreve a repórter Mayara Paixão.
A argentina Beatriz Sarlo foi essencial nesse debate intelectual. Hoje com seu nome em um testamento disputado, a crítica dedicou sua carreira à recuperação e reordenação da história de seu país, mesmo sabendo das dificuldades de cumprir essa tarefa.
“O passado é sempre conflituoso. A ele se referem, em concorrência, a memória e a história, porque nem sempre a história consegue acreditar na memória”, escreveu Sarlo.
Acabou de Chegar
“As Filhas de Safo” (trad. Nara Vidal, Autêntica Contemporânea, R$ 79,80, 272 págs.), de Selby Wynn Schwartz, passa por mais de 40 personagens históricas feministas que se relacionaram com mulheres e combateram o patriarcado na Europa dos séculos 19 e 20, como Virginia Woolf, Gertrude Stein e Isadora Duncan. A amarração entre todas, como aponta o crítico Guilherme Gontijo Flores, se dá pela poeta grega arcaica Safo de Lesbos, que inspirou os termos “sáfica” e “lésbica”.
“O que Sei de Você” (trad. Letícia Mei, DBA, R$ 84,90, 272 págs.), de Éric Chacour, narra um romance entre dois homens árabes no Egito dos anos 1980. Para além da “temática excepcional”, como escreve o crítico Diogo Bercito, o livro se destaca pelo modo como trata da imigração e do que acontece com as pessoas após saíram de sua terra natal.
“Pensar com as Mãos” (WMF Martins Fontes, R$ 64,90, 256 págs.) é uma reunião de ensaios sobre poesia da escritora Marília Garcia. O compilado de seus textos já publicados em revistas, sites ou jornais incorpora, segundo a crítica Ana Luiza Rigueto, a procura reflexiva e pessoal típica da autoria da poeta-ensaísta.
E mais
Em seu novo livro “Memórias do Cacique” (Companhia das Letras, R$ 89,90, 296 págs.), Raoni Mẽtyktire, uma das lideranças indígenas mais importantes do mundo, narra suas vivências, desde encontros com presidentes até uma expedição em busca de Che Guevara. Em relatos sem data, uma vez que os indígenas não contam o tempo como os brancos, Raoni faz um registro etnográfico e cosmológico da história de seu povo.
Como escreve o repórter João Gabriel, o livro de Raoni marca o início de seu “último ato”. Perto de sua décima década de vida, o pajé conjecturou com a Folha como será o futuro após sua despedida e, pela primeira vez, citou nomes para sucedê-lo, entre eles dois de seus netos de consideração.
Em “O Problema Não É Você” (trad. Livia de Almeida, Sextante, R$ 59,90, 256 págs.), a psicóloga Ramani Durvasula discute com a repórter Giulia Peruzzo as razões de pessoas narcisistas trazerem sofrimento às pessoas em seu entorno.
Além dos Livros
O cordel, gênero de folhetos coloridos e ilustrações em xilogravura, resiste ao preconceito e tem até uma Academia própria. Como conta a jornalista Giovana Kebian, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel ocupa um endereço no centro do Rio de Janeiro, onde reúne cerca de 150 mil folhetos e 12 mil títulos de autores de todo o país. Com plenárias mensais, a associação mantém viva a tradição da literatura de cordel.
A agenda de eventos na capital paulista só cresce. Em julho, São Paulo se prepara para receber a Arena da Palavra, que toma 27 livrarias de rua da cidade. O Painel das Letras destaca encontros com Aline Bei na Livraria Simples, Lilia Guerra na Livraria da Vila e Marcelo Leite na livraria Na Nuvem.
Nesta última semana, o escritor amazonense Milton Hatoum se candidatou pela primeira vez a uma vaga na ABL. O autor de clássicos recentes como “Dois Irmãos” e “Cinzas do Norte” se inscreveu para ocupar a cadeira deixada pelo jornalista Cícero Sandroni. Ele chega à eleição como favorito sobre os outros candidatos, Eduardo Baccarin-Costa e José Marques de Abreu.
/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2600867014.png?w=300&resize=300,300&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2607269536.png?w=300&resize=300,300&ssl=1)







/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2600867014.png?w=150&resize=150,150&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2607269536.png?w=150&resize=150,150&ssl=1)
