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O escritor Ocean Vuong nasceu no Vietnã e cresceu nos Estados Unidos. Já o escritor Tash Aw nasceu em Taiwan, foi criado na Malásia e se radicou no Reino Unido. Ambos são filhos da diáspora asiática e escrevem para dar sentido e se reconciliar com suas origens.
Vuong escreveu o romance “O Imperador da Felicidade” (trad. Rogério Galindo, Rocco, R$ 79,90, 400 págs.) como um contraponto para que pessoas marginalizadas possam celebrar suas juventudes como os bem-sucedidos costumam fazer. “Desde cedo, percebi que o sonho americano de prosperidade era uma alucinação para os trabalhadores pobres”, ele disse em entrevista a Isabela Yu.
Os protagonistas de Vuong, autor celebrado de “Sobre a Terra Somos Belos por um Instante”, são os imigrantes na América, pessoas às margens que, sem perspectiva de sair desse lugar, vivem dia após dia tentando não sucumbir.
Em “Estranhos no Cais” (trad. Marcela Lanius, Todavia, R$ 64,90, 88 págs.), Tash Aw traça um caminho mais explorado nas narrativas da diáspora —as ansiedades de pertencimento. Como aponta a crítica Laura Erber, Aw “construiu uma carreira literária sobre personagens deslocados cuja identidade fraturada transcende a noção de nacionalidade”.
A literatura diaspórica chama a atenção do leitor brasileiro para esse fenômeno complexo étnica e culturalmente. O lugar de um livro do gênero é delicado, porque, ao serem marcados como expressões de uma cultura distante, podem reforçar justamente o que tentam superar: o orientalismo, quando o Ocidente define a visão do que é o Oriente.
Acabou de Chegar
“Mano a Mano” (Companhia das Letras, R$ 79,90, 360 págs.) é uma coletânea de trechos do podcast de mesmo nome onde Mano Brown, maior referência do rap nacional, entrevista personalidades diversas. Como aponta o editor Walter Porto: “Mano Brown já é influência literária da juventude faz tempo. Ele só não estava antes em livro.”
“Estou Quase Pronto: Uma Biografia de Miró da Muribeca” (Cepe, R$ 70, 292 págs.) conta episódios da vida do poeta recifense, nascido João Flávio Cordeiro da Silva. O livro de Wellington de Melo narra como João Flávio virou Miró, um escritor que “encontrava no cotidiano e nos gestos mais prosaicos matéria-prima para a criação”, como escreve Erika Muniz.
“A Geração Deprimida” (Paidós, R$ 79,90) é o novo livro de Philip Gold, um dos principais pesquisadores do mundo sobre transtornos depressivos. Ele aponta que a depressão é percebida como mais comum hoje porque as pessoas estão mais conscientes sobre ela. “Minha sensação é que, há cem anos, era provavelmente mais estressante estar vivo, porque não tínhamos medicamentos que poderiam tratar infecções”, ele diz em entrevista a Luana Lisboa.
E mais
Os trabalhos finais de Mario Vargas Llosa refletem as mudanças de seus últimos anos. Morto em abril, o Nobel de Literatura peruano deixou um livro derradeiro que “sela a vitória definitiva da ficção sobre a política”, como escreve Martim Vasques da Cunha. O irônico “Dedico a Você Meu Silêncio” (trad. Paulina Wacht e Ari Roitman, Alfaguara, R$ 79,90, 208 págs.) traz a sensação de desterro e mortalidade, que o crítico literário Edward Saïd afirmava ser característica do “estilo tardio” de um artista.
Apesar de boa iniciativa, “Pelé – O Negão Planetário” (Topbooks, R$113,90, 470 págs.) se perde em digressões ao contar a história do melhor jogador de futebol, segundo a crítica de Naief Haddad. Em muitos momentos o autor e antropólogo Antonio Risério se afasta da vida da lenda do futebol para atacar o que chama de “praga do identitarismo woke”.
O livro sobre a iniciativa Teatro Experimental do Negro (TEN), lançado originalmente em 1966, foi reeditado pelas Edições Sesc e Perspectiva. O Painel das Letras conta que a nova edição celebra os 80 anos da primeira apresentação do grupo em 1945 e inclui ensaio fotográfico de José Medeiros, textos de intelectuais como Nelson Rodrigues e Florestan Fernandes, além de contribuições de encenadores como Aldri Anunciação, Eugênio Lima e Clayton Nascimento.
Além dos Livros
A Fuvest deste ano, a ser realizada a partir do próximo dia 23, é o primeiro vestibular da USP a cobrar apenas obras de mulheres como leitura obrigatória. Como aponta o Painel das Letras, provas futuras voltarão a ter autores homens, com nomes como Machado de Assis, José Saramago e João Cabral de Melo Neto. O diretor do vestibular, Gustavo Monaco, afirma que a escolha exclusiva de mulheres para a prova deste ano não foi política, mas guiada pela intenção de “trazer à luz outras autoras”.
Muitas vezes fora do radar das grandes editoras nacionais, autores alagoanos vêm apostando em selos próprios para dar visibilidade a sua produção. O maior desafio, como conta a reportagem de Josué Seixas, é fazer com que esses livros cheguem a leitores de dentro e fora do estado. “A editora surge da vontade de publicar do nosso jeito, a possibilidade de ter autonomia sobre cada etapa do processo”, diz Jean Albuquerque, um dos autores e editores da Loitxa.
Após fazer expedições no Pará para pesquisar sobre sistemas alimentares da Amazônia, a chef Bel Coelho lança um livro e um documentário na COP30 em Belém. Em entrevista a Eduardo Sombini, Coelho diz que a culinária brasileira ainda está distante da biodiversidade do país e que esquecer certos alimentos pode resultar em sua extinção.

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