Após se apresentar ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan e se declarar inocente das acusações, Maduro passará por uma nova audiência
JC
Publicado em 05/01/2026 às 22:09
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*Com agências
Maduro fez sua primeira aparição em um tribunal dos Estados Unidos, nesta segunda-feira (5), onde respondeu às acusações de narcoterrorismo usadas pela administração Trump para justificar sua captura e transferência para Nova York. Maduro declarou-se “inocente” e um “homem decente” ao se declarar inocente das acusações federais de tráfico de drogas. Ele estava com algemas nos tornozelos e fone de ouvido.
Após se apresentar ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan e se declarar inocente das acusações de ligação com o narcotráfico, o ditador Nicolás Maduro passará por uma nova audiência na Justiça no dia 17 de março.
Até lá, o venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, também ré no mesmo processo, deverão permanecer presos nos Estados Unidos por tempo indeterminado. As defesas do casal afirmam que a captura dos dois, no último sábado, 3, em Caracas, foi ilegal.
Eles foram indiciados no Distrito Sul de Nova York e respondem pelos crimes de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos.
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Ainda conforme a acusação, Maduro teria chefiado, por mais de 20 anos, uma organização criminosa estatal que utilizou estruturas do governo venezuelano para facilitar o envio de milhares de toneladas de cocaína aos EUA, em parceria com grupos classificados como terroristas e cartéis internacionais de drogas.
A acusação formal ocorreu após uma campanha de meses do governo Trump para derrubar Maduro do poder. Mas pode levar mais de um ano até que ele e sua esposa sejam julgados, de acordo com o jornal The New York Times.
O advogado de Maduro, Barry Pollack, disse ao juiz Alvin K. Hellerstein, que conduzirá o processo, que havia dúvidas sobre a legalidade do “sequestro militar” de seu cliente. E embora não tenha solicitado a libertação do presidente neste momento, a defesa reservou o direito de apresentar um pedido de fiança mais adiante.
Em relação ao caso de Cilia Flores, o advogado dela, Mark Donnelly, informou que a esposa de Maduro, atualmente com 69 anos, enfrenta “questões de saúde que exigirão atenção”, incluindo a possibilidade de fratura ou hematomas severos nas costelas.
Por esse motivo, o defensor solicitou que ela seja submetida a exames de raio-x e a uma avaliação médica completa, visto que ela poderá precisar de acompanhamento médico enquanto estiver detida.
Ao fim da sessão, foi registrado que tanto Maduro quanto Flores concordaram em permanecer detidos por ora, com a possibilidade de que pedidos de liberdade sejam analisados em momento posterior.
JUIZ DO CASO
Aos 92 anos, o juiz federal Alvin K. Hellerstein é o magistrado responsável por conduzir o processo contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro na Justiça dos Estados Unidos. Nascido em 1933, em Nova York, Hellerstein integra o Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York, uma das cortes federais mais relevantes do país, com sede em Manhattan.
Hellerstein conduziu outros casos de grande repercussão internacional, como os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, e julgou o produtor de cinema Harvey Weinstein por crimes sexuais.
Ele também foi responsável por emitir decisão impedindo Trump de usar a Lei de Inimigos Estrangeiros e é crítico da deportação de imigrantes para prisões em outros países.
Hellerstein foi nomeado juiz federal em 1998, durante o governo do então presidente Bill Clinton. A indicação ocorreu em 15 de maio daquele ano para ocupar a vaga deixada por Louis L. Stanton. Ele foi confirmado pelo Senado em 21 de outubro de 1998 e recebeu a comissão no dia seguinte.
Desde 30 de janeiro de 2011, o magistrado atua em regime de senior status, condição que permite a juízes federais mais experientes manterem atividade parcial no Judiciário. Mesmo assim, segue apto a conduzir processos de grande repercussão, como o caso envolvendo o governo venezuelano.
Formado pela Universidade Columbia, Hellerstein concluiu o bacharelado no Columbia College em 1954 e obteve o título de doutor em Direito pela Columbia Law School em 1956. No início da carreira, foi assessor jurídico do juiz Edmund Palmieri, também no Tribunal Distrital do Sul de Nova York.
Antes de chegar à magistratura federal, teve uma trajetória diversificada. Atuou no Corpo Jurídico do Exército dos Estados Unidos (JAG Corps) entre 1957 e 1960 e, em seguida, exerceu advocacia privada em Nova York por quase quatro décadas, de 1960 a 1998.


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