Toda vez que repete que o PIB cresceu 3%, o presidente aprofunda sua trincheira e fica cada vez mais difícil voltar à superfície para ganhar terreno.
Publicado em 12/03/2025 às 20:00
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Um grande erro da política é cavar trincheiras profundas demais na hora de defender seu próprio trabalho. O problema das trincheiras muito complexas é a dificuldade de sair delas avançar no terreno quando for necessário depois.
Lula (PT), por exemplo, resolveu montar uma linha de defesa com o crescimento do PIB e a ela se apegou, esquecendo que precisará avançar. A dependência é tamanha que ele já está usando o crescimento do PIB até para responder sobre o número de ministérios.
O PIB
Aconteceu esta semana, num evento com o presidente petista em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que não é nenhum exemplo de perspicácia mas tem boa avaliação como governador (62% na Quaest), elogiou a si mesmo e numa crítica velada a Lula disse que trabalha com apenas 13 secretarias para alcançar eficiência. O presidente, que comanda 38 ministros, incomodou-se e sacou o PIB como resposta: “Zema não lembra há quanto tempo a economia não crescia 3%”.
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Zema
Não foi a primeira vez. Nas últimas entrevistas que concedeu, Lula tem repetido o mantra do crescimento da economia para tudo. Fala-se em inflação de alimentos, ele cita o PIB. Fala-se em cotação do dólar, ele cita o PIB. Fala-se em desequilíbrio fiscal, e lá vem o PIB como resposta.
Se alguém reclamar que o cabelo dele está desalinhado, vai receber o “crescimento do PIB” de contra ataque. Zema poderia ter rebatido (mas como já se sabe tem problemas de perspicácia) que o estado governado por ele, com 13 secretários, cresceu em média 3,1% nos últimos três anos.
O problema de Lula, porém, é maior do que Zema.
Orçamento
Acontece que o crescimento do PIB só é bom se tiver qualidade. É preciso ter sustentação para ele, ou entra no modo gangorra. Crescer 3% num ano e cair 5% no ano seguinte não é vantagem. Quando ele não é sustentado por investimento em maquinário na indústria, por exemplo ou em inovação tecnológica, pode acabar despencando no médio prazo.
O Brasil não investe como deveria em modernização. O orçamento de 2025, que deveria estar assinado desde o fim de 2024, ainda não foi nem aprovado no Congresso porque o governo não consegue articular com os deputados e senadores.
Venezuela
Crescimento do PIB também não significa melhoria na qualidade de vida. Quer saber um país que cresceu mais do que o Brasil em 2024? A Venezuela, que apresentou resultado de quase 9%. E você não encontra brasileiros sonhando em ir morar lá por conta disso.
Os 3% de crescimento do Brasil, aliás, em comparação com o resto do mundo, fizeram o país cair da 9ª para a 10ª posição entre as maiores economias do mundo. Os 3% de crescimento também não reduziram a inflação dos alimentos.
Inflação
A inflação, aliás, é o grande problema dessa argumentação falaciosa toda do presidente da República sobre o crescimento do PIB. Esta semana também foi divulgado o número da inflação geral para o mês de fevereiro. O percentual de 1,31% é o maior para esse único mês do ano nos últimos 22 anos. A última vez que os preços subiram nesse patamar num mês de fevereiro foi há mais de duas décadas. Nos últimos 12 meses o índice ultrapassou 5%.
E se você for reclamar, Lula vai responder que o PIB cresceu 3% em 2024. E fim.
Milagre
Crescimento do PIB é reflexo do aquecimento da economia. Sem controle e sem qualidade, ele incentiva a inflação. Acuado pela falta de popularidade e por um Legislativo que sonha em mantê-lo fraco até 2026 para ter mais controle sobre o orçamento e influência na eleição, Lula promove mais e mais medidas populistas buscando milagres.
Quase todas essas medidas são incentivadoras de aquecimento econômico, colocam mais dinheiro circulando e promovem ainda mais inflação.
Trincheira
Para conter a crise inflacionária será necessário organizar as contas e tomar medidas drásticas que vão estancar o crescimento por um bom tempo. O país vai parar de crescer. Mas como fazer isso se, a cada dia, parece que o único trunfo lulista é o PIB de 3%?
Toda vez que repete a frase sobre o PIB ter crescido em 3%, o presidente aprofunda a trincheira e vai ficando cada vez mais difícil voltar à superfície para ganhar terreno. E o Brasil afunda junto.



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