Lula prefere embate à diplomacia e isso pode ampliar prejuízos

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Lula prefere embate à diplomacia e isso pode ampliar prejuízos


Acordo entre EUA e União Europeia mostra como negociar em desvantagem. Se escolher caminho oposto, Brasil arrisca perder ainda mais.



Clique aqui e escute a matéria

O acordo da União Europeia com os EUA dividiu opiniões entre os próprios chefes de Estado do continente. O premiê da França, por exemplo, chamou o resultado alcançado com a taxa de 15% de “um dia sombrio para os europeus”. Mas há no resultado das conversas entre UE e EUA algo que pode ser didático para o Brasil. É que, muitas vezes em nossas vidas, é preciso aceitar antes de poder impor.

Na vida e na política, às vezes você engole uma lagartixa a seco para ter condições de cuspir um jacaré no dia seguinte. Principalmente quando você está em desvantagem na situação, como o Brasil está em relação aos americanos.

E por que os europeus resolveram engolir essa lagartixa de 15%? O problema deles é comercial, mas principalmente é militar.

Dependência militar

A dependência militar da União Europeia em relação aos Estados Unidos permanece significativa.

Os EUA ainda respondem por cerca de dois terços dos gastos totais da OTAN, enquanto a maioria dos países europeus segue com orçamentos militares proporcionalmente menores.

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

Em 2023, por exemplo, os países da UE dedicaram, em média, 1,3% do PIB à defesa, enquanto os EUA ultrapassaram 2,9%.

Além disso, a estrutura de gastos europeia destina parcela menor à modernização e inovação tecnológica, com apenas 19,5% voltados à formação de capital, frente a 40,7% no orçamento americano.

Armas e logística

Outro indicativo da dependência é a origem das armas adquiridas pelos países europeus. Mais de 64% dos armamentos importados pela Europa entre 2020 e 2024 vieram dos Estados Unidos.

No caso do apoio à Ucrânia, quase metade dos recursos empregados em 2024 foi de origem americana, o que reforça o papel central dos EUA na sustentação militar das operações no leste europeu. Qual o risco disso?

Digamos que, amanhã, a Rússia decida declarar guerra a um país europeu, invadindo um membro da União Europeia. No início haverá forte resistência, mas depois a defesa só continuará sendo forte se os EUA assim quiserem ajudar.

Por enquanto, já que perderam tanto tempo confiando que eles estariam sempre dispostos a seguir ajudando e protegendo a Europa, não dá para ignorar os americanos.

Reação europeia

Mas a UE não está aceitando os 15% enquanto dorme em berço esplêndido. Eles já têm adotado medidas para reduzir a vulnerabilidade estratégica.

Programas como o “Readiness 2030” pretendem mobilizar até 800 bilhões de euros nos próximos anos para fortalecer o setor de Defesa.

Além disso, as metas estabelecidas na cúpula da OTAN em Haia, em 2025, apontam para um esforço de elevação dos investimentos em defesa a até 5% do PIB europeu, distribuídos entre pessoal, equipamentos e infraestrutura.

Toda essa situação é didática para o Brasil, não tanto pelo lado militar (que também é uma preocupação, porque o Brasil compra muito equipamento americano a preços baixos), mas principalmente pela dependência comercial.

Dependência comercial

Os EUA são, hoje, o segundo maior mercado de exportação do Brasil.

A China é o primeiro, recebendo 28% de todas as mercadorias brasileiras, e os americanos vêm em seguida com 12%. O percentual parece pequeno, mas o terceiro colocado (Argentina) tem apenas 4%, três vezes menos em volume. Significa que a dependência do país em relação aos dois primeiros da lista é preocupante.

Quase metade das nossas vendas saem para China e EUA. Mesmo quando você junta toda a União Europeia, ela ainda não chega aos 12% das terras de Trump. A União Europeia, com todos os 27 países, representa 11% das nossas exportações.

Esse é um dos motivos pelos quais talvez seja necessário negociar com muito cuidado, sem entrar em rota de colisão frontal, ao menos por enquanto. E aí entra o componente político preocupante.

Estratégia política

Lula (PT) não quer conversar por enquanto, porque é o embate que vai melhorar sua popularidade para 2026, não o acordo.

Neste momento, o melhor é ficar repetindo, como ele está, que busca diálogo e Trump não aceita e que a culpa é da família Bolsonaro “atrapalhando o Brasil para salvar da Justiça o seu líder”.

E quanto aos prejuízos econômicos, há algo que os analistas precisam considerar: o episódio ocorrido no fim de 2008, quando o mundo entrou numa crise terrível e o petista, então presidente, foi a público dizer que o “tsunami mundial” não ia ser nem uma “marolinha” no Brasil.

Para garantir que o que falava virasse realidade, financiou com dinheiro público setores que seriam mais atingidos, injetou muito dinheiro na economia e fez o Brasil parecer que não havia sido atingido, quando estava apenas adiando a tragédia. Tudo para eleger sua sucessora em 2010. Dilma Rousseff (PT) foi eleita, pegou a bomba deixada pelo padrinho político e o resultado ainda está na memória recente.

Cálculo eleitoral

Até que ponto, pensando apenas na próxima eleição, o governo Lula pode ser capaz de esticar a crise para seguir responsabilizando a atuação de Bolsonaro enquanto posa de defensor da soberania nacional, que verga, mas não quebra e resiste à força do poderoso império norte-americano?

Nesse caso, teremos um prejuízo grande que será empurrado para um futuro no qual Lula, se for reeleito, não precisará mais disputar eleição, ou o próximo presidente é que terá que se virar para resolver os problemas.

De um jeito ou de outro, o brasileiro que não disputa eleição sai perdendo caso não haja algum acordo com os EUA.





Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *