Lula e Bolsonaro na eleição de São Paulo – Parte 2

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Lula e Bolsonaro na eleição de São Paulo – Parte 2


Para definir a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo eleitoral da capital paulista bastam duas palavras: silêncio e irrelevância.


Publicado em 12/10/2024 às 20:00




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Esta é a segunda parte de uma análise sobre o papel de Lula (PT) e Bolsonaro (PL) nas eleições de São Paulo. A capital paulista é a maior e mais importante cidade da América Latina. O que acontece lá tem influência em todo o país e entender como a polarização se desenvolve numa eleição municipal é uma boa forma de antecipar alguns eventos que devem ocorrer em 2026 nas eleições nacionais. Se você quiser ver a primeira parte desse texto, sobre o PT e Lula, é só acessar a edição anterior, do sábado (12).

Agora, Bolsonaro

Quando foi divulgada a primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno da eleição de São Paulo, na última quinta-feira (10), passou a ser possível definir a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo eleitoral da cidade com duas palavras: silêncio e irrelevância. Um dos filhos, Carlos Bolsonaro, o mais reativo à realidade entre eles, pegou o resultado da eleição e declarou que “os votos de Ricardo Nunes (MDB) também eram do seu pai”.

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É uma estupidez para qualquer um que tenha acompanhado a campanha. O eleitor paulistano só tinha uma mínima ideia sobre quem era o candidato de Bolsonaro no primeiro turno. Se não fosse pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Nunes estaria fora do segundo turno. Esta é a verdade. E não seria por falta de votos à direita, mas por falta de direção.

Votos à direita

Nesta eleição, o cidadão paulistano apostou forte nos candidatos à direita. Foram quase 3,8 milhões de votos para Nunes, Pablo Marçal (PRTB), Datena (PSDB) e Maria Helena (Novo). Os candidatos de esquerda, somados, tiveram menos de 2,4 milhões de votos. Poderia ser fácil para Bolsonaro correr sozinho num ambiente propício a uma vitória no primeiro turno.

Mas para isso é preciso ter capacidade de liderança e articulação que o ex-presidente não tem. Muito disso vem da personalidade dele e do erro de acreditar que liderança se constrói sem desagradar ninguém.

Impasse crucial

A carreira militar é propícia para desenvolver líderes, mas dependendo da personalidade o sujeito tende a usar a hierarquia formal como muleta de liderança. E daí vem o sujeito que só consegue ser assertivo com aqueles que estão abaixo dele na hierarquia ou quando tem um cargo de poder e o usa para ser obedecido. É o caso de Bolsonaro.

Uma vez que ficou sem mandato, não é presidente de partido (Pelo contrário, é funcionário do PL) e não pode obrigar seu grupo a seguí-lo, o ex-presidente da República ficou completamente perdido, desnorteado ao ser desafiado por Pablo Marçal. Enquanto via o candidato adversário roubar eleitores de Nunes (a quem havia declarado apoio), Bolsonaro silenciou com medo de desagradar seus apoiadores.

Imaginou que a ascensão de Marçal era definitiva quando o atual prefeito caiu para terceiro nas pesquisas. E não valia a pena brigar com o “coach”. Ao invés de convocar seus eleitores e direcioná-los para Nunes, preferiu não se comprometer e esperar que alguém se sobressaísse. Por isso, foi chamado de covarde e omisso até pelo seu maior apoiador, o pastor Silas Malafaia, aquele que paga os trios elétricos nas manifestações bolsonaristas.

Tarcísio

Ao ver que o candidato à reeleição estava abandonado pelas circunstâncias e pelo ex-presidente, coube ao governador de São Paulo tomar uma decisão ousada: pegou Nunes pela mão, ignorou o favoritismo momentâneo de Marçal, e foi às ruas fazer campanha.

O movimento coincidiu com o início da propaganda eleitoral em Rádio e TV, na qual o atual prefeito tinha muito mais tempo que os adversários e muito mais espaço que Marçal. O candidato do PRTB simplesmente não tinha espaço na programação e começou a desidratar.

Bolsonaro e os filhos não previram isso, talvez porque acreditam no conto de que as redes sociais sozinhas é que elegem candidatos no Brasil. Uma ilusão da qual ainda não se libertaram.

É mais do que justo que, tendo passado ao segundo turno em primeiro lugar, Nunes tenha feito um agradecimento especial a Tarcísio de Freitas (Republicanos) sem ter mencionado Bolsonaro nem uma vez em todo o discurso após a votação. Somente nos dias posteriores, cobrado pelos aliados de Bolsonaro, citou o ex-presidente e disse esperar ele na campanha. Mas já é tarde. A irrelevância ficou comprovada.

As descobertas

A eleição de São Paulo promoveu para os políticos de direita algumas descobertas sobre o bolsonarismo nesses tempos de inelegibilidade do ex-presidente. A primeira é a de que existe vida nesse viés ideológico sem a necessidade de render loas eternas a Jair Bolsonaro. Outras lideranças nacionais estão surgindo e Tarcísio de Freitas é uma delas que demonstrou ter mais senso de liderança do que seu antigo chefe.

A segunda descoberta importante é que é possível reivindicar esse posto de liderança sem sofrer execração pública e sem acabar depenado politicamente como aconteceu nos meses logo após a saída dele da presidência. Marçal acabou comprovando isso. Sem o cargo, Bolsonaro perdeu capacidade de liderança. E, sem liderança, perdeu a capacidade mais ativa de retaliar concorrentes que antes ficavam amedrontados de parecerem estar ameaçando sua hegemonia.





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