Menos promessas e mais ações diferença porque entre o alerta e a catástrofe pode ser, literalmente, a distância entre o dado e a decisão.
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O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, 2022) já coloca a Região Metropolitana do Recife entre as áreas urbanas brasileiras mais vulneráveis a extremos climáticos, devido à combinação entre alta densidade populacional e infraestruturas frágeis diante do avanço do nível do mar, chuvas torrenciais e ondas de calor cada vez mais intensas. Em seu sexto relatório, o órgão evidencia que a adaptação urbana segue atrasada, e que cidades costeiras precisam acelerar investimentos e respostas estruturantes.
Devastação
E não é excesso de alarmismo: basta acompanhar o que aconteceu no Recife em maio de 2022 para entender a gravidade. Entre os dias 23 e 30 de maio de 2022, foram mais de 700 mm de chuva, quase o dobro do volume de chuva esperado para o mês inteiro.
O resultado foi devastador, com grande parte dos bairros inundados, encostas desabando e diversos óbitos por tragédias que pareciam já ter roteiro conhecido. Em Jardim Monte Verde, comunidade do bairro da Cohab no limite entre o Recife e Jaboatão dos Guararapes, 17 óbitos em uma mesma localidade, e 11 pessoas da mesma família.
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Novas tragédias
O desastre chamou a atenção de autoridades, que buscaram investir esforços para reestruturar a comunidade e facilitar ações que impedissem novas tragédias. Mas, em janeiro de 2025, outras comunidades em contexto socioambiental similar à de Jardim Monte Verde foram palco do drama. Muitas dessas famílias afetadas mesmo após mobilizações e obras emergenciais, retornaram a casas condenadas pela falta de opções habitacionais seguras.
A frequência desses episódios só escancara a desarmonia gritante entre ameaças ambientais e políticas urbanas. Faltam planos habitacionais estruturados, restam obras de contenção inacabadas e políticas públicas que não dialogam entre si.
Medo
Em 2025, segundo dados da Defesa Civil do Recife, mais de 206 mil pessoas viviam em áreas consideradas de risco apenas na capital pernambucana, e se considerados as estatísticas da Região Metropolitana os números triplicam e crescem a cada estação chuvosa.
Enquanto técnicos, pesquisadores e especialistas apontam os erros, comunidades aprendem a viver, ou a sobreviver, numa rotina marcada pela ansiedade e medo de novas tragédias.
Enquanto isso, a Defesa Civil Nacional, por sua vez, aposta em campanhas educativas e em novos sistemas de alerta por celular. Houve teste recente. Em junho passado, muitos recifenses foram pegos de surpresa pelo toque de sirenes enviando avisos de emergência via WhatsApp e SMS.
Mas, mesmo com o avanço da tecnologia, o alcance ainda é limitado: assim como em Porto Alegre e tantas outras cidades brasileiras, os sistemas fracassaram no momento decisivo, seja por cadastro insuficiente, seja por falta de integração com rádios, TVs e outros meios tradicionais de comunicação. O alerta chega, mas o socorro rápido nem sempre.
Monitoramento
O monitoramento climático é outro pilar inadiável. A comunidade científica denuncia há anos a escassez e precariedade das estações meteorológicas no Nordeste, fundamentais para previsões precisas e alertas localizados. Um exemplo: em 2021, parte dos equipamentos da estação do Inmet no Recife foi desativada. Até agora, não foram totalmente reativados, o que gera “apagão” de dados e limita a resposta estratégica frente a eventos extremos.
O Ministério da Agricultura anunciou a instalação de 220 novas estações em 2025, mas, como alertam estudiosos, converter informação em políticas públicas eficazes também exige mais do que somente os dados: demanda vontade política, articulação intersecretarial e atualização constante.
O déficit habitacional revela uma outra camada do problema, uma vez que das famílias removidas de encostas a cada desastre, poucas encontram moradias definitivas e dignas. Enquanto isso, parlamentares debatem a retirada de árvores e construção de novos habitacionais em bairros tradicionais, ou até mesmo a remoção de vegetais para construção de muro de contenção – de concreto -, mas a população teme a substituição do verde sem resolver de fato a insegurança.
Transformação
Apesar das falhas, experiências nacionais e internacionais de urbanização integrada, retrofit de imóveis e campanhas de educação climática mostram que a transformação é possível. O Recife precisa, com urgência, de políticas integradas e um pacto social pelo direito à cidade segura. Enquanto isso não acontece, quem mora nas periferias urbanas segue refém das sirenes — e dos silêncios institucionais.
A cada nova chuva, cresce o coro dos que pedem menos promessas e mais ações, porque a diferença entre o alerta e a catástrofe pode ser, literalmente, a distância entre o dado e a decisão.
Lillian Souza dos Anjos , geógrafa, doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco e colaboradora da 3R Soluções Ambientais Inteligentes, com experiência na área de climatologia geográfica, clima urbano e eventos extremos


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