Leonardo Fróes (1941 – 2025) – Morre Leonardo Fróes, poeta que leu o humano por meio da natureza, aos 84 anos

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Leonardo Fróes (1941 – 2025) – Morre Leonardo Fróes, poeta que leu o humano por meio da natureza, aos 84 anos


O poeta e tradutor Leonardo Fróes, ganhador do prêmio Jabuti de poesia, morreu nesta sexta-feira (21), aos 84 anos. A informação foi confirmada pela editora 34, que publica os livros do artista. A causa da morte não foi revelada.

Ao longo da carreira, ele se notabilizou por ler o humano por meio da natureza e por ter publicado livros como “Língua Franca” (1968), “A Vida em Comum” (1969) e “Esqueci de Avisar que Estou Vivo” (1973).

O Jabuti veio em 1996, pelo livro “Argumentos Invisíveis”, publicado no ano anterior pela Rocco, um livro tido pela crítica como uma coleção de “poemas em fábula”, ambientados no campo e arrematados por reflexões morais.

Costumava dizer que sua poesia não era de exaltação à natureza, mas bebia de suas fontes para falar sobre as grandes questões da vida. Isso não tornou sua obra homogênea, variando de tom entre a lírica, a política e a leveza cômica.

“Eu sou poeta. Se eu não vivesse no campo eu poderia morar em Copacabana ou Ipanema e continuaria a escrever poesia”, disse à Folha em 2021. “Claro que, como vim para o campo, a poesia se encheu de imagens e personagens daquilo que me rodeia.”

Nascido em Itaperuna, no Rio de Janeiro, Fróes viveu em uma casa de classe média baixa. O pai do poeta trabalhava na seção administrativa de uma companhia elétrica, enquanto a mãe era dona de casa.

Na juventude, estudou no colégio Pedro 2º, onde se destacava por ser um aluno dedicado. Após se formar na escola, fez faculdade de artes plásticas, mas interrompeu os estudos para uma temporada nos Estados Unidos e não os retomou. “Não tenho nenhum talento para a pintura. Pinto com as palavras”, disse em uma entrevista de 2016.

“Desde o ginásio, sabia que estava condenado a fazer poesia, mas tinha vergonha de me declarar poeta sem ter um livro publicado. Além disso, o concretismo era o movimento da moda. Dizia-se que poesia em verso tinha acabado. Mas eu não tinha intenção nenhuma de fazer aquele negócio. Pensava, ‘não sou geômetro!’ E ficava envergonhado.”

Após deixar de lado a tentativa de ser artista plástico, ele passou a trabalhar em editoras. Atuou como diretor de um selo espanhol com filial no Rio de Janeiro. Nesse período, transitava no meio intelectual carioca, tinha uma vida sofisticada e desfrutava de prestígio.

No entanto, esse cenário mudou quando fez 30 anos. Abandonou o trabalho e se mudou com a mulher, Regina Lustosa, para Secretário, na região serrana fluminense, onde passou a se dedicar ao cultivo e à poesia em reclusão.

Ficou ali até a morte, tendo um chalé na cidade próxima de Petrópolis como segunda casa, usada quando precisava se conectar ao mundo.

“Quando vim para cá, esqueci de tudo”, disse o poeta, em 2021. “Não dizia, ‘vou escrever poema’. Ele se escrevia em mim. Fui ficando cada vez mais um instrumento, uma flauta de osso. O poema tocava em mim. Aqui você vive em meio a uma poesia.”

Naquele ano, a editora 34 publicou uma antologia com o principal de sua poesia, e Fróes foi um dos nomes de maior destaque da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que fazia uma homenagem à literatura ligada à natureza e às plantas. A festa aconteceu virtualmente, por causa da Covid.

Fróes também teve amplo reconhecimento como tradutor, o que lhe valeu em 1998 o prêmio Paulo Rónai, da Fundação Biblioteca Nacional, e o prêmio de tradução da Academia Brasileira de Letras, em 2008.

Entre os autores que verteu ao português, estão a britânica Virginia Woolf, o americano William Faulkner, o irlandês Jonathan Swift e o alemão Johann Wolfgang von Goethe.



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