O lado real da economia, em 2024, foi bem, apesar da retração no setor primário. O mercado de trabalho apresentou taxas cadentes de desemprego
Publicado em 26/02/2025 às 7:00
| Atualizado em 26/02/2025 às 8:03
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No ano passado o crescimento da economia medido pelo indicador do Banco Central foi de 3,8% e pelo IBRE da FGV em 3,5%, uma expressiva expansão apesar da retração no setor agropecuário de -2,5%. Indústria (3,4%) e Serviços (3,8%) puxaram a economia.
Entretanto o final do ano passado, particularmente novembro e dezembro, trouxe, além de Papai Noel, sinais preocupantes sobre o desempenho da economia brasileira e uma percepção dicotômica sobre os seus resultados.
O lado real da economia, no conjunto do ano de 2024, foi bem, apesar da retração no setor primário. O mercado de trabalho apresentou taxas cadentes de desemprego aberto e expansão nos rendimentos reais do trabalho com exceção do mês de dezembro.
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Descompasso entre política fiscal e monetária
Entretanto, o lado monetário e financeiro apresentou crescentes déficits primários, inflação em alta e acima do teto da meta e bolsa de valores volátil e com tendência à queda. Duas realidades distintas.
O fato é que devido à expansão dos gastos públicos (2,4%), do consumo das famílias (5,1%), do investimento (7,3%) e das exportações (3,3%), ou seja do conjunto da demanda agregada, o ritmo de crescimento da economia, segundo os analistas (Boletim Macro, IBRE/FGV) situou-se acima da capacidade instalada no país de produzir bens e serviços finais.
A resultante desse descompasso, em 2024, foi a inflação, especialmente no setor serviços, que terminou o ano (4,83%) acima do teto da meta (4,5%), um déficit primário, descontadas todas as “arrumações”, de R$ 11 bilhões, dentro do intervalo previsto pelo arcabouço fiscal, e uma queda no IBOVESPA de 10,36%.
Quando a economia cresce acima da sua capacidade, esses desajustes macroeconômicos, especialmente os fiscais e monetários se apresentam com força e agravam-se ainda mais quando se tem um desequilíbrio entre uma política fiscal expansionista e uma política monetária restritiva com a SELIC em 13,25% e caminhando a passos largos para 15,0% no final deste ano.
Essa falta de sincronia traz elevados custos macroeconômicos que se manifestam nos juros e no câmbio.
A taxa de juros real está agora em 10%, 4,0% a mais do que se situava no início de 2024. Os setores mais dependentes de crédito já estão sofrendo e vão continuar sendo impactados negativamente em 2025.
Não surpreende, portanto, o que já se observou no final do ano passado e que estende para 2025 como descrito a seguir.
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Perspectivas para 2025
No final do ano passado, o comercio varejista, inclusive construção civil e veículos, e o setor de serviços apresentaram variação negativa tanto em dezembro com relação a novembro quanto deste mês em relação à outubro.
A taxa de desemprego que estava em queda, cresceu discretamente em dezembro para 6,2%, em quanto a variação real dos rendimentos do trabalho no mesmo mês declinou de 7,8%para 7,6%.
De forma consistente a economia brasileira demitiu 535,6 mil trabalhadores a mais do que admitiu em 2024, um saldo negativo maior do que o observado em 2023 e generalizado do ponto de vista setorial.
O IBRE da FGV estima que, após crescer 0,5% no quarto trimestre de 2024, com relação ao trimestre anterior e, apesar de ser esperado um bom resultado no primeiro trimestre de 2015 (1,1%) devido ao desempenho da agropecuária, o PIB desacelere nos trimestres seguintes, apresentando crescimento médio trimestral entre 0 e 0,1% por trimestre, ou seja, um cenário de estagnação.
Assim, o cenário é de baixo crescimento nos últimos nove meses deste ano, o que pode mudar caso o governo resolva adotar medidas contracíclicas que podem melhorar o desempenho da economia, mas que podem conduzir a uma elevação no patamar da inflação. Esse cenário está sendo confirmado pelos indicadores de confiança setoriais.
O Indicador de confiança empresarial recuou 1,8 pontos percentuais em janeiro enquanto o índice de confiança do consumidor caiu 5,1 pontos no mesmo período.
Neste mesmo mês, o indicador de incerteza da economia atingiu 116,9 pontos, o maior desde julho de 2022 (120,8 pontos). Espero que nós e os indicadores estejamos todos errados nas nossas previsões. A conferir!
Jorge Jatobá, Doutor em Economia, Professor Titular da UFPE, Ex-Secretário da Fazenda de Pernambuco, Presidente do Conselho de Honra do LIDE-PE. Sócio da CEPLAN- Consultoria Econômica e Planejamento


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