Prefeito articula manutenção de Alckmin na vice-presidência e palanque único em Pernambuco, enquanto Lula evita definição e mantém diálogo com Raquel
Rodrigo Fernandes
Publicado em 07/02/2026 às 13:47
| Atualizado em 07/02/2026 às 14:00
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O prefeito do Recife, João Campos (PSB), vem trabalhando para assegurar o apoio do presidente Lula (PT) na eleição de 2026, articulando movimentos tanto no plano local quanto no nacional.
A estratégia do recifense se apoia em duas frentes principais. A primeira busca manter Geraldo Alckmin (PSB) na vice-presidência da República. A segunda mira a construção de um palanque único de Lula em Pernambuco, estado natal do presidente. No fim das contas, os dois meios estão interligados.
Nesta semana, Lula admitiu em entrevista ao UOL a possibilidade de destinar Alckmin para disputar algum cargo em São Paulo, hipótese que não agrada ao vice-presidente – e nem a João, que perderia o espaço de relação do PSB com o Planalto, abrindo espaço para o MDB pleitear a desejada vice.
No evento de aniversário do Partido dos Trabalhadores, realizado neste sábado (7) em Salvador, Lula rasgou elogios a Alckmin, mas evitou tratar do futuro do vice na chapa.
“Quando é que vocês imaginaram que eu e Alckmin estaríamos juntos? Nunca. O dado concreto é que isso mostra que a política é uma arte, e que a gente tem que saber lidar com ela. […] Eu sempre digo que na minha vida as coisas só acontecem porque Deus quer que aconteça. E Geraldo Alckmin é uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida porque é um homem extraordinário que eu respeito e admiro”, disse Lula.
João Campos foi a Salvador para participar do ato do PT, em mais um gesto de aproximação com o presidente. Na capital baiana, em entrevista ao Metrópoles, o prefeito defendeu abertamente a permanência de Alckmin na vice.
“Enxergo uma máxima que é comum ouvir no jargão popular, que também pode ser utilizado na política: não se mexe em time que está ganhando. O vice-presidente Alckmin fez um grande trabalho. A gente não precisa fazer futurologia de como ele seria como vice-presidente porque ele já é hoje e já demonstra sua capacidade. Quando veio o tarifaço quem veio para a linha de frente ao lado do presidente? Foi Alckmin que conduziu o seu diálogo. Em momentos desafiadores ele sempre está presente. E é alguém que reúne as condições necessárias. É alguém leal, honesto, preparado. Então o nosso partido defende a manutenção do vice-presidente Alckmin na chapa deste ano”, disse João Campos.
O palanque pernambucano
Paralelamente à defesa de Alckmin, o socialista costura o apoio direto de Lula ao seu palanque em Pernambuco em outubro, quando deverá disputar o governo de Pernambuco contra a governadora Raquel Lyra (PSD), que buscará a reeleição.
Lula, por enquanto, não deu garantia de apoio exclusivo a João Campos. O presidente, inclusive, mantém relação de proximidade com Raquel Lyra, com quem se reuniu duas vezes na semana passada para tratar exclusivamente de política, segundo relatos de bastidores. Uma eventual aliança com Raquel, no entanto, teria que passar pelo PSD de Gilberto Kassab, que trabalha com a hipótese de lançar uma chapa própria à presidência.
Enquanto isso, João Campos acelera articulações com aliados, antecipando a montagem das chapas proporcionais e o desenho da majoritária. Além da sinalização favorável da senadora Teresa Leitão (PT), João recebeu, na última semana, um aceno do senador Humberto Costa, também petista. Apesar do apreço pela governadora, Humberto afirmou que o PT deve caminhar com o prefeito do Recife.
João Campos sabe que precisará reunir o maior número possível de apoios. Na última sexta-feira (6), pesquisa Datafolha indicou uma reação de Raquel Lyra na disputa pela reeleição, ainda que o prefeito lidere e vença no primeiro turno, considerando os votos válidos.
Mesmo assim, nos bastidores é consenso que o apoio de Lula encurtaria significativamente o caminho para a vitória. Um eventual alinhamento do presidente com a governadora representaria um obstáculo relevante para o socialista.
Lula, por sua vez, não esconde que dará atenção especial ao Nordeste em 2026, tanto que escolheu Salvador para celebrar o aniversário do PT.
Em Pernambuco, estava prevista uma visita do presidente durante o sábado de Carnaval, com agenda no desfile do Galo da Madrugada e a inauguração de um hospital em Garanhuns, que levará o nome de Dona Lindu, mãe do presidente. Contudo, a ida de Lula ao hospital foi desmarcada e a vinda somente para o Carnaval está indefinida.
Em Brasília, caciques do PT ainda guardam ressentimentos em relação à postura de João Campos na eleição municipal de 2020, quando fez críticas duras ao partido, representado naquele pleito por Marília Arraes, e defendem que Lula mantenha distância do prefeito. Com Alckmin fora da vice, o caminho do PSB em Pernambuco ficaria ainda mais distante dos rumos do PT.
Diante desse cenário, João Campos busca consolidar seu espaço ao lado de Lula mirando inicialmente o mês de abril, quando terá que decidir se deixa a prefeitura para disputar o governo do estado. Para o socialista, a combinação do apoio presidencial com sua alta popularidade no estado pode ser decisiva para um desfecho favorável na eleição, lá em outubro.

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