Exército israelense afirma que havia um centro de comando do Hamas no hospital Kamal Adwan, em Beit Lahia; grupo islamista nega acusações
Publicado em 28/12/2024 às 18:49
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O exército israelense anunciou neste sábado (28) o fim de uma operação em um importante hospital da Faixa de Gaza, onde afirma que havia um centro de comando do Hamas, e a detenção do diretor da instituição, agora desativada, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O hospital Kamal Adwan, em Beit Lahia, era o último grande hospital em funcionamento no norte da Faixa de Gaza, cercada e devastada por mais de um ano de guerra entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas.
Agora o centro médico está “vazio” e “fora de serviço”, informou a OMS.
Desde o início da guerra na Faixa de Gaza, Israel acusa os combatentes do Hamas de utilizarem os hospitais como base para preparar e lançar ataques, algo que o grupo islamista nega.
O exército israelense lançou na sexta-feira uma operação contra o hospital Kamal Adwan, utilizado “como esconderijo pelos terroristas”, afirmou.
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“O exército e os serviços de inteligência terminaram uma operação seletiva contra um centro de comando do Hamas no hospital Kamal Adwan”, informou em comunicado.
“As forças prenderam mais de 240 terroristas nos arredores”, acrescentou.
O exército também confirmou a prisão do diretor da instituição, Hosam Abu Safiya, “suspeito de ser um terrorista do Hamas”.
Segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, os soldados israelenses levaram “dezenas de membros da equipe médica do hospital Kamal Adwan”, incluindo o médico Abu Safiya, para serem interrogados.
“Nus”
“A ocupação [israelense] destruiu totalmente a infraestrutura médica, humanitária e de resgate no norte da Gaza”, denunciou o porta-voz da Defesa Civil, Mahmoud Basal, em declarações à AFP, precisando que o responsável local pelos socorristas também havia sido preso.
Mohammed, uma testemunha que não quis revelar seu sobrenome, afirmou à AFP que o exército “pediu a todos os homens para se despirem antes de saírem do hospital e se dirigirem a uma escola usada como centro de detenção e interrogatório”.
“Os soldados nos fizeram perguntas sobre combatentes da resistência, Hamas, as armas e as pessoas que gravavam os bombardeios”, acrescentou este homem de 48 anos, que foi detido e posteriormente liberado.
A OMS também relatou acusações de que “várias pessoas haviam sido despidas e forçadas a caminhar para o sul” do enclave.
A agência da ONU acrescentou que, na noite de sexta-feira, “os 15 pacientes críticos que ainda estavam [no hospital], 50 auxiliares e 20 trabalhadores de saúde foram transferidos para o hospital indonésio [em Jabaliya], que carece de equipamentos e suprimentos necessários para fornecer o atendimento adequado”.
A OMS afirmou estar “consternada” pelo ataque israelense e disse que perdeu o contato com o diretor do hospital.
Israel intensificou sua ofensiva terrestre e aérea no norte da Faixa de Gaza desde 6 de outubro para impedir, segundo o exército, que os combatentes do Hamas se reorganizem.
Com esse objetivo, o exército afirmou ter lançado na manhã de sexta-feira uma operação perto do hospital Kamal Adwan, um importante estabelecimento de uma Gaza sitiada e com serviços de saúde devastados.
48 mortos em Gaza em 24 horas
O médico Abu Safiya vinha alertando há vários dias que o hospital estava sendo alvo das tropas israelenses.
“A situação é catastrófica, não há mais serviço médico, ambulâncias ou socorristas no norte” de Gaza, declarou à AFP uma testemunha, Amar al Barsh, de 50 anos.
A Defesa Civil também relatou nove mortos em um bombardeio israelense contra uma casa no centro da Faixa.
Israel anunciou na tarde deste sábado que interceptou “dois projéteis” disparados do norte de Gaza contra seu território, e alarmes foram acionados nas regiões de Jerusalém, Neguev e Sefelá.
Pelo menos 48 palestinos morreram em bombardeios israelenses na Faixa de Gaza nas últimas 48 horas, segundo o Ministério da Saúde do território.
A guerra em Gaza foi desencadeada em 7 de outubro de 2023, quando combatentes islamistas mataram mais de 1.200 pessoas no sul de Israel, em sua maioria civis, e sequestraram 251, de acordo com um balanço baseado em números oficiais israelenses.
A campanha militar lançada em represália por Israel já deixou 45.484 mortos em Gaza, a maior parte civis, segundo o Ministério da Saúde do território palestino.

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