Segurança , saúde e educação estarão no discurso, mas investigações como o escândalo do INSS ameaçam capturar o debate e desorganizar a campanha.
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O próximo ciclo eleitoral já começou a moldar o debate público. O ano de 2026 será de disputa dura, polarizada e atravessada por temas que vão muito além da pauta tradicional de campanha. Saúde, educação e segurança pública estarão no discurso dos candidatos, sim, mas há um risco real de que esse debate seja atropelado por investigações em curso e por escândalos que ainda não chegaram plenamente à luz do dia.
Os sinais estão bem evidentes nessas últimas semanas de 2025. Com prisões acontecendo até agora, às vésperas do Natal, no âmbito das investigações de escândalos como o do INSS.
Isso reforça a tendência de termos mais atraso na solução de problemas do país, com a repetição do ciclo “corrupção-indignação-voto-euforia-decepção”. Deixa-se de lado a pauta estrutural e a busca por melhora nas condições de vida da população, para ficar discutindo quem roubou quem e quando, provocando voto por impulso e deixando o resto de lado.
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Agenda
É provável que a segurança pública apareça como um dos principais temas eleitorais, sim. Violência urbana, crime organizado e sensação de insegurança dialogam diretamente com o cotidiano do eleitor. Mas dificilmente será o assunto dominante com o avanço de investigações.
Há uma pauta mais pesada, inflamável e corrosiva, que pode capturar o debate nacional. O escândalo do INSS tem potencial para atravessar 2026 com força, especialmente se os desdobramentos atuais avançarem no ritmo esperado.
Existem ainda apurações explosivas no caso do Banco Master e na destinação de Emendas Parlamentares que estão sendo investigadas.
INSS
O caso do INSS não é simples nem recente. Durante anos, sindicatos e associações obtiveram autorização para realizar descontos em benefícios de aposentados e pensionistas. O problema é que parte significativa desses descontos foi fraudulenta. Assinaturas eram falsificadas, autorizações inexistiam e valores pequenos, quase imperceptíveis individualmente, passaram a representar bilhões quando somados. O escândalo estourou, prisões foram realizadas e uma CPMI foi instalada no Congresso Nacional.
A CPMI do INSS tem prazo formal até março de 2026, mas tudo indica que será prorrogada. A justificativa é evidente. Uma parte central da investigação está sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, conduzida pelo ministro André Mendonça.
Enquanto documentos e depoimentos permanecem protegidos, o Congresso trabalha com informação incompleta. Quando o sigilo cair, e isso deve ocorrer com a investigação avançada, o cenário muda radicalmente. E isso deve acontecer no início do ano que vem.
Responsabilidade
É impossível analisar o caso sem olhar a progressão histórica. As irregularidades começam ainda no governo Michel Temer (MDB), em escala reduzida. Ganham corpo no governo Jair Bolsonaro (PL), quando os casos se multiplicam. E no governo Lula (PT) os números quadruplicam.
Isso significa que o escândalo atravessa governos e atinge diretamente os dois polos centrais da disputa de 2026. Não se trata de uma narrativa conveniente para um lado apenas. Todos acabam tendo interesse em comprometer mais o outro lado enquanto fingem preocupação com Saúde, Educação e Segurança.
Paralelos
O escândalo do INSS não está isolado. A crise envolvendo o Banco Master, com investigações também sob sigilo no STF, e o debate crescente sobre emendas parlamentares e acordos pouco republicanos ampliam a sensação de um sistema político permanentemente sob suspeita. Esses temas reforçam a tese de um ano eleitoral contaminado por investigações.
O Brasil já viveu algo parecido. Em 2018, a Operação Lava Jato atropelou a pauta eleitoral. Em 2022, investigações e denúncias seguiram presentes por causa da pandemia, ainda que em outro contexto.
A repetição desse ciclo, corrupção, indignação e eleição, revela uma dificuldade crônica de o país sustentar um debate público estável sobre políticas de longo prazo.
O risco de 2026 é ter candidatos falando de saúde, educação e segurança, sem convicção real. Eleitores dizendo querer ouvir propostas concretas, embora isso não os empolgue. Enquanto a agenda real é sequestrada por escândalos que seguem em investigação e, estes sim, mobilizam votos apaixonados e vibração efusiva.
Se isso acontecer, pior para o Brasil.

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