Invasão russa faz 3 anos

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Invasão russa faz 3 anos


Com as negociações de paz focadas em compensações econômicas planejadas por Putin e Trump, o futuro continua incerto para os ucranianos


Publicado em 24/02/2025 às 0:00



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Em 24 de fevereiro de 2022, tropas russas deram início a uma investida que parecia contar com alta probabilidade de ser breve. A Ucrânia, com um presidente eleito em 2019 sem experiência política, despontava como alvo fácil para a recuperação territorial nos planos de Vladimir Putin, o ditador que não esconde a intenção de “fazer a Rússia grande novamente”, à moda da antiga União Soviética. Mas desde o início dos anos 1990, quando o bloco soviético foi desmontado de dentro para fora, com a participação ativa dos ucranianos, a Ucrânia se aproximou da Comunidade Europeia e do Ocidente, com laços culturais e econômicos que tornaram a missão de Putin mais complicada do que ele pode ter suposto.
A guerra provocada pela Rússia já ameaçou sair das fronteiras entre os dois países, nesse período, e segue como problema complexo que envolve a geopolítica e a diplomacia internacionais. Na passagem do terceiro aniversário, nesta segunda-feira, os habitantes de várias cidades ucranianas contabilizam as vítimas e os prejuízos de um dos maiores ataques russos, no último domingo, com quase 300 drones. O conflito elevou os gastos militares no planeta, com o investimento de centenas de bilhões de dólares em armamentos nos últimos três anos – ou seja, em mortes, sofrimentos e destruição, gerando o êxodo de milhões de pessoas amedrontadas com o destino de suas vidas. A indústria bélica que recebe recursos estratosféricos para matar gente nunca teve tanto lucro.
Agora sem apoio incondicional dos Estados Unidos, numa não tão surpreendente aliança entre Putin e Trump, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, tem demonstrado que pode ceder às pressões, e até deixar o cargo, em nome do que chama de “uma paz justa”. Os prejuízos acumulados na infraestrutura de seu país, e a perspectiva nada animadora de um mandato inteiro de Donald Trump pela frente, fazem com que seja possível o que até agora era impensável: a capitulação de Zelenski diante dos objetivos russos. O que também tem tudo para levar a outros problemas, a partir da reinserção de parte do território ucraniano ao domínio russo.
Ao cobrar 500 bilhões de dólares da Ucrânia em recursos minerais, como pagamento ao apoio enviado por Washington, Trump resume o conflito à questão financeira, depois de reforçar a argumentação de Putin para a invasão. Condenado pelo Tribunal Penal Internacional, o presidente russo conta com um aliado capaz de mudar o curso dos fatos, para o desespero de ucranianos e europeus. Como a Casa Branca tende a se afastar da União Europeia em variadas frentes, o acordo com o Kremlin sem a participação da Europa na decisão não causa estranheza. Mas provoca um frio na espinha do mundo, num horizonte no qual as potências se alinham em eixos autoritários e financeiros.
Para os ucranianos, o futuro permanece sombriamente incerto, sob o domínio da violência de uma guerra prolongada e angustiante.



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