Integração além da emergência

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Integração além da emergência



Depois da morte violenta de mais de 120 pessoas numa operação policial, colaboração anunciada entre os governos federal e estadual precisa evoluir

Por

JC


Publicado em 30/10/2025 às 0:00

Clique aqui e escute a matéria

A indignação faz parte do luto. E depois da maior operação policial já realizada em comunidades populosas no Rio de Janeiro, com as forças do Estado em ataque planejado contra uma facção do crime organizado, o que resta da matança de mais de 120 pessoas é a impressão de que não se pode mais prosseguir nesse caminho sem integração. Não se trata de um governo estadual, é do povo do Rio submetido aos bandidos. Não se trata da decisão isolada de um governador, mas do rumo coletivo que estamos dispostos a trilhar para que a segurança encontre o bem-estar da população. Não se trata mais de uma unidade da federação, é do país que precisamos cuidar e proteger da contaminação dos negócios escusos – que também precisam ser punidos no topo da escala da criminalidade, e não somente no patamar dos quem moram e se escondem nas comunidades.
Em anúncio cercado de expectativas, pela gravidade do momento que expõe o Rio de Janeiro e o Brasil, de modo negativo, no plano internacional, o governador Cláudio Castro e o ministro Ricardo Lewandowski conversaram sobre o ocorrido, e resolveram criar um escritório emergencial de enfrentamento ao crime organizado. O que não disseram não deixa de ser impactante, pelo silêncio constrangedor para qualquer governante eleito democraticamente, diante de tantos cadáveres resultantes de uma escolha pensada e tomada – da violência contra a violência.
Para atender ao cidadão e vencer a burocracia, a iniciativa deve buscar maior permanência de planos e ações em defesa da segurança, sem focar apenas no ataque como resposta. Se a integração é urgente – integração de polícias, de informações e de governos – o combate ao crime organizado no Brasil terá chance de ser eficiente quando não for tão somente vislumbrado como providência emergencial, e portanto, sob a pecha do improviso. Se foi positiva a reunião do governador do Rio com o ministro da Justiça, esse tipo de encontro precisa ser a regra, e não, a exceção no auge de uma crise cujas proporções ainda nem discernimos, tamanha é a falta de clareza sobre o que aconteceu.
Até o governador, que celebrou o sucesso da operação com indisfarçada euforia, no primeiro instante, revelou desconforto com as repercussões, dentro e fora do país, que qualificam sua decisão como chacina. “Para não deixar que o que aconteceu desta vez aconteça de novo”, disse o governador, ao anunciar a criação da força-tarefa conjunta com o governo federal, ao lado do ministro da Justiça.
Em comentário preparado para não sair diretamente de sua fala, mas escrito nas redes sociais, o presidente Lula corroborou a necessidade da integração, para que os brasileiros de todos os estados vejam a segurança como sinônimo de paz. “Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, afirmou. A PEC da segurança pública está no ponto de ser aprimorada e aprovada no Congresso. E um de seus principais atributos é a integração do combate ao crime. A intenção, que parece consenso, tem que sair do papel e dos discursos.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *