A comunidade de Fazendinha fica à beira do canal de Boa Viagem. Famílias que vivem no local enfrentam insegurança alimentar e falta de saneamento
Publicado em 11/03/2025 às 8:13
| Atualizado em 11/03/2025 às 8:16
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Na comunidade de Fazendinha, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, onde moradores lutam diariamente contra a falta de infraestrutura e os riscos ambientais, a Horta Popular Sonho de Viver se tornou um símbolo de esperança.
A comunidade está entre os bairros de Boa Viagem e Imbiribeira e é uma das muitas áreas vulneráveis da capital pernambucana. Sob um viaduto e próximo ao canal de Boa Viagem e manguezais, mais de 175 famílias convivem com a invisibilidade social e enfrentam as consequências das enchentes anuais.
Em contraste com os prédios modernos da Zona Sul da cidade, os moradores de Fazendinha vivem com falta de saneamento básico, infraestrutura e segurança alimentar.
De acordo com dados da PNAD Contínua 2023, do IBGE, 37,5% dos domicílios estão em algum grau de insegurança alimentar em Pernambuco.
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Essa realidade é vivida por muitos moradores da comunidade, que enfrentam não apenas a escassez de alimentos, mas também a falta de acesso a uma alimentação saudável e diversificada.
Horta

Tamires dos Santos, de 34 anos – Junior Souza/JC Imagem
A Horta Popular Agroecológica Sonho de Viver nasceu da vontade das mulheres da comunidade em ter um espaço para produzir seus próprios alimentos, garantindo mais dignidade para si e para suas famílias.
Idealizada por Tamires dos Santos, 34, agricultora urbana e militante do MTST, a horta começou com um pequeno espaço solicitado à prefeitura, mas rapidamente se expandiu. Com apoio da ONG Centro Sabiá, começou a se estruturar e entrou para a lista de hortas atendidas pelos módulos da Escola Marias de Agroecologia e Agricultura Urbana.
Ali, elas aprenderam a cultivar uma variedade de alimentos, como macaxeira, quiabo, berinjela, batata doce, couve e alface, que levam para casa, além de uma diversidade de plantas medicinais.

A horta fica à beira do canal de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife – Junior Souza/JC Imagem
“A gente mora de lado do canal, a gente não tem uma moradia digna, a gente sofre com falta de saneamento básico, e a horta é uma esperança”, reforça Tamires.
A denúncia feita por Tamires é comprovada por dados: segundo o levantamento mais recente, com dados da PNAD Contínua 2022, o Recife enfrenta um déficit habitacional de 54 mil moradias, com mais de 1.500 habitações precárias, como as das famílias em fazendinha.

O grupo faz o cuidado semanal do espaço e se revezam entre as tarefas – Junior Souza/JC Imagem
Educação política, empoderamento e saúde mental

Donda Vera se tornou aluna da Escola Marias após participação do filho na horta – Junior Souza/JC Imagem
Além do aprendizado técnico, o curso também oferece um espaço para a educação política. “As aulas dentro da universidade estão sendo bem importantes, e a gente também começa a aprender o nosso direito dentro da comunidade”, comenta Tamires.
Para ela, a agricultura urbana não é apenas uma forma de gerar alimentos, mas também uma maneira de empoderar as mulheres, especialmente aquelas que enfrentam múltiplas formas de violência.
Vera Lúcia, de 53 anos, começou a frequentar o espaço por conta do filho Robson, que é uma pessoa com deficiência e já fazia parte das atividades da horta. Dona Vera sempre o acompanhou e ambos se inscreveram para as turmas da Escola Marias: ele foi da primeira turma e ela, da segunda, que finaliza o curso neste mês de março.
A sensação de comunidade e pertencimento são comuns entre as agricultoras. “A gente tem roda de mulheres, cada um com suas histórias, a gente ri, a gente chora, a gente conversa. Esse espaço fortalece a vida de todos que estão participando”, explica Vera.
Simone Arimatéia, técnica em agricultura e agroecologia do Centro Sabiá, fica de perto, durante os dias de cuidados do espaço, colocando aquilo que as alunas aprenderam na sala de aula em prática, orientando sobre o solo, cultivo e colheita.
Mas além do conhecimento técnico, Simone destaca o bem-estar das alunas como fator fundamental no desenvolvimento. “A prática coletiva tem um grande impacto na saúde mental das participantes. A troca, o trabalho em conjunto, o simples fato de estar junto… Embora não possamos mudar a realidade que cada um enfrenta, podemos nos apoiar, nos ouvir e, quando possível, construir soluções coletivas”, ressalta.
“Tem momentos que eu estou meio triste e esse ar, essas plantas, essas coisas aqui fazem a gente viver, sabe?”, reforça outra agricultora, Dona Denise Maria, de 51 anos.


A escola
A Escola Marias de Agricultura Urbana é uma iniciativa que visa, além de ensinar técnicas de cultivo agroecológico, promover o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional nas comunidades mais vulneráveis.
“A Escola Marias surge a partir de uma demanda identificada ao longo dos anos, dentro dos grupos de mulheres que o Centro Sabiá já assessorava nas hortas urbanas. Percebemos a necessidade de expandir para um ambiente ‘mais escolar’”, salienta a técnica.
O projeto é uma parceria entre a Organização sem Fins Lucrativos Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e é dividido em dois módulos.
O primeiro foca na produção de alimentos e práticas de cultivo e manejo agroecológico, enquanto o segundo ensina técnicas de processamento e preservação dos produtos agrícolas.
As hortas atendidas, além da Sonho de Viver, são:
- Horta Quilombola Onze Negras – Burama, Cabo de Santo Agostinho
- Horta Popular Agroecológica Dandara – Peixinhos, Recife
- Horta Cozinha Solidária da Vila Santa Luzia – Torre, Recife
- Horta Margaridas – Jiquiá, Recife



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