Este espaço não permite descrever todos os detalhes desta nobre tarefa, mas compartilho alguns momentos significativos da catástrofe que abalou o país
Publicado em 18/01/2025 às 5:00
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Crítica
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Era 12 de janeiro de 2010. Voltava de um shopping center na zona sul do Rio de Janeiro, onde havia comprado alguns itens para completar meu kit de sobrevivência. No dia seguinte, embarcaria para o Haiti, integrando a MISSÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA ESTABILIZAÇÃO DO HAITI (MINUSTAH), na condição de boina azul, atendendo ao compromisso assumido pelo Brasil desde 2004.
Ao abrir a porta do apartamento de meu pai, onde estava hospedado, ele veio ao meu encontro, visivelmente abalado. Sua esposa, pálida, permanecia ao seu lado, como a transmitir-lhe força.
– Filho, você viu o que aconteceu no Haiti?
– Não, pai, nem olhei o celular.
– Aconteceu um grande terremoto.
– Pai, o senhor deve estar confundindo. Não seria um furacão? Lá não há terremotos. Aliás, o último grande terremoto foi no século XVIII.
– É melhor ligar a TV, disse ele.
Assim soube da catástrofe que abalara aquele país irmão, ceifando mais de 250 mil vidas. O impacto dessa tragédia ecoa até hoje nas Forças Armadas brasileiras como a missão de paz mais desafiadora e marcante já realizada pelo nosso país.
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Este espaço não permite descrever todos os detalhes desta nobre tarefa, mas compartilho alguns momentos significativos.
O caos dominava Porto Príncipe. Sob meu comando, militares já haviam desembarcado poucos dias antes. A principal preocupação era saber se estavam bem. Estávamos em fase de rodízio, com as tropas do Comando Militar do Leste prestes a substituir as do Comando Militar do Sudeste.
As comunicações colapsaram imediatamente. O sismo de 7,3 pontos na escala Richter fraturara a cidade em duas áreas de destruição. Passei o resto do dia e toda a noite buscando informações, sem sucesso. Brasília também estava no escuro, sem notícias concretas.
Aos poucos, fragmentos de informações começaram a chegar – infelizmente, a maioria desalentadora. Perdemos militares em vários pontos da cidade. Alguns estavam desaparecidos, e muitos feridos lutavam pela vida.
O componente militar da MINUSTAH era liderado por um oficial-general brasileiro, e o Brasil contava com o maior contingente de tropas na missão. Foi o Batalhão Brasileiro de Força de Paz (BRABATT) que rapidamente retomou o estado de prontidão e iniciou as operações de resgate. Enviamos patrulhas a todos os cantos e, a cada minuto, salvávamos uma vida.
Três dias após o terremoto, cheguei a Porto Príncipe. A devastação era indescritível. Corpos dilacerados permaneciam ainda nas ruas, enquanto os escombros e detritos dificultavam a circulação.
Com resiliência, compaixão e espírito de cooperação, cada soldado brasileiro se dedicou a cumprir o lema da missão: TUDO PELA PAZ!
Durante oito meses, com breves intervalos para reenergizar-me junto à família, vivi a experiência mais desafiadora da minha vida. Foi uma honra liderar soldados brasileiros em terras estrangeiras, representando nosso país e nosso povo em uma missão de salvar vidas.
Estou seguro de que cumprimos nossa incumbência. A bandeira brasileira foi erguida como símbolo de vitória todos os dias no Campo CHARLIE – uma vitória expressa nos inúmeros relatos de gratidão dos haitianos, no respeito conquistado junto a militares de outras nações e, especialmente, no reconhecimento da ONU.
Relatórios do Departamento de Operações e Manutenção de Paz (DPKO) destacaram para o mundo um Brasil como exemplo de liderança, organização e humanidade, atributos dignos de serem seguidos por outros contingentes.
Infelizmente, passados quinze anos, ainda se tem notícias de que o Haiti frequentemente sofre com desarranjos meteorológicos, políticos, psicossociais e econômicos. Como o primeiro país a conquistar a independência no continente americano, após os Estados Unidos da América, parece ainda lutar para mantê-la.
Quanto aos soldados brasileiros, o profissionalismo forjado na disciplina, na solidariedade e no compromisso com a missão de manter a paz é um exemplo que transcende fronteiras. No Haiti, mostramos ao mundo que o espírito de servir com grandeza, inoculado em cada soldado verde e amarelo, pode ser ofertado a nacionais e não nacionais.
É com esse legado que seguimos honrando a nossa bandeira, o nosso povo, as nossas tradições, os nossos valores e nossos mortos naquela tragédia, ao mesmo tempo em que inspiramos futuras gerações.
Otávio Santana do Rêgo Barros, general de Divisão da Reserva



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