Da violência política às lições do pacifismo, a história mostra como o ódio ameaça democracias e como a resistência pacífica pode renovar a esperança
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A violência tem muitas faces e uma base conceitual comum: o ódio, um dos elementos constitutivos da natureza humana. Percorrem a história de mãos dadas; geram uma força mobilizadora destrutiva; atuam em sintonia com ideias sinistras e métodos aperfeiçoados de modo a prevalecer o mal.
Esta conexão diabólica gera a perigosa dimensão que é a captura do poder. Uma vez capturado, o uso do poder, tendente ao abuso, pratica, invariavelmente, a violência política contra as pessoas; desrespeita a imposição de limites, freios e contrapesos institucionais; comete agressões contra a coesão social e a estabilidade da democracia que assegura a convivência pacífica.
Ao longo da experiência histórica, o repertório é vasto. Registra regicídios. Assinala sangrentos embates na construção de impérios. Discorre sobre conflitos motivados por questões religiosas, limpeza étnica, genocídios, guerras civis, conflitos de dimensão mundial, múltiplas formas de repressão estatal, enfim um ambiente generalizado de beligerância que segue desafiando, atualmente, a paz universal e a integridade planetária.
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Tudo decorre da violência política, a mais poderosa ferramenta de manipulação coletiva, que, na mais antiga democracia do mundo (hoje, claudicante), elencou 10 atentados dentre 46 presidentes americanos, sendo que quatro foram mortos (Abraham Lincoln, James Garfield, William McKinley e John Kennedy).
É bem verdade que o contraponto do pacifismo foi (e tem sido) um exemplo admirável de coragem e heroísmo de lideranças que empenharam ideias, a própria vida, não poucas vezes, eliminadas pelo ódio, sem limites, do fanatismo extremista.
Neste sentido merece especial referência a obra e a vida de Henry David Thoreau. A obra pode ser sintetizada pela sabedoria do admirável Fernando Gabeira na apresentação no livro de Thoreau, Desobedecendo (Ed. Rocco. Rio de Janeiro, 2000): “Thoreau não foi apenas um precursor da desobediência civil, da paixão ecológica e de uma pedagogia avançada”, inventou uma nova vida ao ir para o mato e instalar-se junto à natureza. Viveu segundo o que pregava. Foi preso ao praticar a desobediência civil quando se negou a pagar impostos que financiariam a guerra dos EUA contra o México.
As crenças de Thoreau foram fontes de inspiração para Mahatma (a grande alma) Gandhi articular a luta anticolonial da Índia, praticando a não-violência ativa (a Satyagraha), mobilização que consistia em enfrentar o adversário de forma pacífica com a firmeza e a força da verdade. A fúria do ativista hindu, no dia 30 de janeiro de 1948, assassinou cruelmente o notável mensageiro da harmonia entre as pessoas e a paz entre as nações.
A tragédia pessoal de vários pacifistas, transforma a dor em força mobilizadora daqueles que acreditam numa convivência civilizada como preconiza o texto escrito em 1931 “Por um pacifismo militante” de autoria de Albert Einstein: “eu não sou só um pacifista, eu sou um pacifista, militante”. E a militância somente é possível se exercida no ambiente democrático.
Embora a democracia, por definição, ofereça regras e mecanismos capazes de solucionar conflitos por meio do diálogo, da representação popular escolhida em eleições livres e limpas, tem sido alvo da retórica radicalizada, intransigente, que ofende gravemente os valores da moderação e predispõe ao confronto o que elimina o respeito entre os diferentes.
Com efeito, a negação dos valores democráticos é o objeto a ser atingido pelo discurso populista e autoritário que oferece “soluções simples e homens fortes”, uma disputa fatal entre “amigos x inimigos” e dualidades intransponíveis: o bem contra o mal, corrupção e honestidade, defensores da moral e degenerados.
O extremismo vem ganhando espaço. É sintomática a intolerância no espaço das universidades, em princípio, um palco privilegiado para troca de conhecimento e amplo debate de ideias. Os prejuízos afetam, seriamente a universalidade dos saberes e o amadurecimento político da juventude.
Neste sentido, cabe ressaltar que, desde 2021, a parcela de universitários americanos que afirmam apoiar a violência, em certas circunstâncias, para impedir adversários de falar, subiu de 24% para 34%, segundo pesquisa da organização Fire, defensora da liberdade de expressão na academia o que demonstra um radicalismo crescente na política americana.
Na quarta-feira, 10/9/25, foi assassinado o americano Charlie Kirk, ativista de 31 anos, fundador da organização conservadora voltada ao público jovem, a Turning Point USA. A vítima promovia debates abertos com estudantes do campo oposto. O apego ao debate e à liberdade de pensar é “crime” de lesa à radicalização ideológica, estúpida na sua essência. O caldo da rotulagem infame fascista versus comunista normaliza a agressão, desumaniza a sociedade, as pessoas, o futuro.
Na edição de sexta-feira (19/09) do JC, José Paulo Cavalcanti Filho, com o talento habitual, inicia o artigo dedicado ao grande escritor Luis Fernando Verissimo, fazendo uma síntese do que define “um Brasil radicalizado, fraturado, cada vez mais longe do país cordial sonhado por tantos. Urbi et orbi, o mundo inteiro segue nessa trilha. Mata-se no Estado Unidos e celebra-se essas mortes, por aqui alegremente. Rindo. Um escritor gaúcho até dá parabéns, aos dois filhinhos do finado, que não vão mais precisar conviver como ele nos próximos anos, médicos que tem a função de salvar vidas, celebram a pontaria do atirador”.
Nesse clima hostil, um covarde agressor comete o gesto repugnante de cuspir a professora e diretora do setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná, Melina Fachin, filha do Ministro do STF, Edson Fachin, chamando-a de “lixo comunista”.
Em todos os episódios, as palavras estavam contaminadas por uma saliva envenenada.
Gustavo Krause, ex-governador de Pernambuco



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