Após mais de sete meses de restrição, ex-ministro do Turismo comemora decisão do STF, visita filho e diz que quer retomar negócios e atuação política
JC
Publicado em 01/02/2026 às 13:19
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Após 233 dias impedido de sair do Recife, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto foi autorizado pela Justiça a voltar a circular fora da capital pernambucana. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revoga uma das principais medidas cautelares impostas ao aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro no âmbito de uma investigação da Polícia Federal.
A liberação foi comemorada publicamente por Gilson nas redes sociais — um gesto simbólico, já que ele também esteve proibido de se manifestar online durante parte do período em que cumpriu as restrições judiciais. “Acabei de saber que a justiça foi feita. Fui liberado para sair do Recife, poder ir para todos os cantos e voltar a cuidar dos meus negócios”, afirmou em vídeo divulgado neste sábado.
A notícia foi levada pessoalmente ao filho, o vereador Gilson Machado Filho, em uma visita surpresa à propriedade da família em São José dos Milagres, no interior de Alagoas. Durante o encontro, Gilson segurava uma camisa com os rostos dele e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, foram os dois “caras” que mais o ajudaram ao longo do período em que esteve submetido às restrições judiciais.
“Esses dois aqui foram fundamentais. Me deram força quando eu não podia nem sair do Recife nem falar”, disse, emocionado, em referência à proibição de uso das redes sociais imposta pela Justiça.
Restrição durou mais de sete meses
Gilson Machado estava impedido de deixar o Recife desde junho do ano passado, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Embora tenha ficado poucas horas preso, a Justiça substituiu a detenção por uma série de medidas cautelares, entre elas a proibição de sair da capital pernambucana e, por um período, de utilizar redes sociais.
A investigação apura a suspeita de que o ex-ministro teria tentado intermediar a emissão de um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, que à época já estava sob medidas judiciais e impedido de deixar o país.
Gilson sempre negou qualquer irregularidade. Disse que o único contato com o Consulado de Portugal no Recife foi para buscar informações sobre a renovação do passaporte do pai, que possui cidadania portuguesa. “Nunca fui a consulado nem tratei de documento para ninguém além do meu pai”, afirmou em diferentes declarações públicas.
Prisão revogada e revisão das cautelares
Ainda no dia da operação, o ministro Alexandre de Moraes revogou a prisão preventiva do ex-ministro, entendendo que não havia necessidade de mantê-lo detido. Apesar disso, determinou o cumprimento de medidas cautelares, como a entrega do passaporte, o comparecimento periódico à Justiça e a restrição de deslocamento.
Somente agora, mais de sete meses depois, o STF autorizou que Gilson Machado volte a sair do Recife, encerrando uma das principais limitações impostas no processo.
Planos e cenário político
Com a liberação, Gilson afirmou que pretende retomar atividades profissionais e políticas. “Quero cuidar dos meus negócios e ajudar o presidente Bolsonaro”, disse, ao comentar os próximos passos após o fim da restrição de circulação.
O período de limitações teve impacto direto em sua trajetória política. Gilson tentou se viabilizar como candidato ao Senado pelo PL, mas não contou com o respaldo do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que sinalizou preferência por outros nomes em Pernambuco.
Sem espaço no partido e com Jair Bolsonaro preso em Brasília, o ex-ministro acabou se desfiliando do PL. Nos bastidores, as conversas mais avançadas ocorrem com o Podemos, que avalia lançá-lo candidato a deputado federal.


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