Proponho a seguinte indagação: por que Frei Caneca ocupa um lugar secundário na história oficial do país, vivendo à sombra de Tiradentes?
Publicado em 13/01/2025 às 5:00
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Hoje, 13 de janeiro de 2025, está-se dando a passagem dos 200 anos do arcabuzamento do Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, o nosso Frei Caneca, herói e mártir de duas revoluções.
Revolucionário de 1817 e líder máximo da Confederação do Equador de 1824, o frade carmelita tornou-se um mártir em razão das ideias libertárias que defendia, as quais influenciaram, decisivamente, as gerações que o sucederam.
Proponho, porém, na data de hoje, a seguinte indagação: por que Frei Caneca ocupa um lugar secundário na história oficial do país, vivendo à sombra de Tiradentes, patrono cívico do Brasil?
Na nossa visão, há várias explicações, muitas das quais injustas.
A mais imediata delas é de natureza geográfica.
Tiradentes era o herói de uma área que, a partir da metade do século 19, já podia ser considerada o centro econômico do país (MG, RJ e SP), ao passo que o Nordeste, no mesmo período, já era uma região em decadência financeira e política.
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Outro argumento apresentado, com o qual discordamos, seria o de que a Confederação do Equador tinha um propósito separatista, o que retiraria do movimento o seu caráter nacional.
Convenhamos, o tal propósito separatista era muito mais um grito de liberdade face às injustas penalizações que a região sofria e, principalmente, sofreu, quando o movimento eclodiu e repercutiu no centro do país.
Para o historiador mineiro José Murilo de Carvalho, enquanto Tiradentes morreu cercado de misticismo e fervor religioso, tal qual um Cristo, Frei Caneca seguiu até o seu último momento como um mártir rebelde e desafiador.
Para ele, a posição de vítima, assumida por Tiradentes, em detrimento do líder cívico altivo, encampado por Frei Caneca, teria sido mais favorável ao primeiro.
Há, também, um outro detalhe importante: com a proclamação da República, passou-se a buscar personagens que identificassem o republicanismo, em detrimento da monarquia, e a figura de Tiradentes inflou ainda mais, sendo muito usada para ressignificar a identidade brasileira, ao tal ponto de transformarem o dia 21 de abril, data da sua execução, em feriado nacional.
Não podemos nos esquecer, ainda, de que Tiradentes era militar, um alferes (patente hoje correspondente a segundo-tenente). Sendo a República proclamada por militares, foi decorrência natural essa hipervalorização do mineiro em detrimento do nosso Frei revolucionário.
Sem nenhum demérito ao mártir mineiro, por quem temos muito respeito, a nossa opinião é de que já passou da hora de dar-se ao revolucionário carmelita, líder de duas insurreições e que jamais se curvou diante do arbítrio, o lugar que lhe é devido na história.
Viva Frei Caneca!
José da Costa Soares é promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Pernambuco e sócio efetivo do IAHGP, @historia_em_retalhos


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