Assassinatos e tentativas de assassinato de mulheres cresceram no país em 2025, mantendo o aumento da violência feminicida, nos últimos anos
JC
Publicado em 22/01/2026 às 0:00
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Apesar da legislação mais rígida, dos discursos de solidariedade e comprometimento, das campanhas de conscientização e engajamento, as iniciativas de âmbito nacional e espalhadas nos estados e municípios não estão dando os resultados esperados – e não é de hoje. A violência contra as mulheres não retrocede, aparecendo nos noticiários como persistente assunto local, ou até para audiência de todo o país, na forma de assédio que se transforma em conversa do dia nos comentários sobre um famoso reality show. A componente cultural é sempre levantada, o machismo é recriminado, mas os homens continuam se achando no direito de silenciar, tolher, humilhar, se aproveitar, bater e matar mulheres. Às vezes, o que é sintomático da dimensão do problema, até os meninos adolescentes já assumem a postura da violência contra meninas.
Mesmo sem os dados referentes às ocorrências totais em dezembro, em quatro estados – inclusive Pernambuco – o Brasil teve, em média, quatro feminicídios por dia no ano passado. O número parcial divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública é de 1.470 assassinatos de mulheres, motivados pelo fato de serem mulheres, em 2025. Trata-se da maior quantidade em uma década, numa curva ascendente que se intensificou nos últimos quatro anos. Desde 2015, foram mortas por homens mais de 13 mil mulheres, a maioria, vítimas de companheiros e ex-companheiros, que já sofriam algum tipo de violência por meses ou anos, justamente por parte daqueles que depois viriam se tornar seus assassinos. Em geral, o feminicídio não é uma surpresa para a família e as amigas mais próximas da vítima., o que deixa o gosto amargo de que poderia ter sido evitado.
Há mais de dez anos, a Lei do Feminicídio endureceu as penas contra esse tipo de crime, nos contextos de violência doméstica, familiar e misoginia. De lá para cá, no entanto, os assassinatos registrados quase dobraram. A pena máxima com agravantes pode atingir 60 anos de detenção, configurando a maior pena em vigência no Brasil. Mas nem isso constrange os perpetradores. Talvez porque a legislação mais dura não tenha sido acompanhada, ainda, de medidas complementares, no âmbito da segurança pública e fora dela, como a expansão da oferta de delegacias especializadas no acolhimento às mulheres. Do ponto de vista estrutural, o acolhimento precisa abranger políticas de educação e saúde, em todas as esferas governamentais, com a participação dos demais poderes, o Legislativo e o Judiciário. Sem articulação, dificilmente os números irão indicar queda nos feminicídios.
Uma data nacional de luto e memória às vítimas de feminicídios foi instituída – 17 de outubro, em homenagem a uma delas, morta aos 15 anos de idade pelo ex-namorado, de 22, a tiros. Os gestos simbólicos são interessantes e rendem propaganda e imagens, mas não transformaram a realidade que perdura e piora. O Brasil precisa de mobilização efetiva contra o machismo, desde cedo, nas escolas e nas famílias. De modo geral, com exceções, ainda não vemos decisão política, nem percepção social, para a redução dos feminicídios.



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