Feira de Frankfurt começa abrindo espaço a Ásia e sem fugir de debater Palestina

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Feira de Frankfurt começa abrindo espaço a Ásia e sem fugir de debater Palestina


A Feira de Frankfurt, maior evento literário do mundo, começa nesta terça-feira com um olho na Itália, o país convidado de honra, e outro na Ásia, que pela primeira vez terá um palco próprio para exibir seus autores e promover debates específicos sobre a região.

O timing não poderia ser melhor, já que a sul-coreana Han Kang acaba de se tornar a primeira autora de seu país a receber o Nobel de Literatura —com uma carreira desenvolvida sem se afastar de suas raízes culturais.

Isso pode apontar para um deslocamento dos olhares de um mercado ainda muito eurocêntrico à região, o que já vem acontecendo, por exemplo, na música pop e no cinema de prestígio.

A feira é o maior balcão de negócios literários do mundo, marca incontornável no calendário dos principais editores e agentes literários de todos os continentes —além, claro, de reunir autores estrelados.

Neste ano, a abertura será feita por Elif Shafak, a escritora mais popular da Turquia e uma advogada feroz da liberdade feminina, o que a coloca em embate direto com o governo conservador de Recep Tayyip Erdogan. A autora, editada no Brasil pela HarperCollins, chegou a ir a julgamento há cerca de duas décadas por “insultar a identidade turca”.

Além disso, um novo programa chamado “Frankfurt Calling” se dedica a promover debates políticos mais quentes, recebendo por exemplo o italiano Roberto Saviano, que vive sob esquema rigoroso de segurança depois de sofrer ameaças da máfia, por seu célebre livro-reportagem “Gomorra” —tanto que foi impedido de última hora de vir à Flip em 2015.

E também o palestino Atef Abu Saif, autor de um diário da vida em Gaza após a conflagração da guerra —este, sim, recém-desembarcado desta última edição da Flip.

Não é demais lembrar que a maior polêmica da edição anterior de Frankfurt envolveu a guerra no Oriente Médio. Após os ataques do Hamas, a organização cancelou uma homenagem à palestina Adania Shibli às pressas e sem avisar a autora.

Em um artigo publicado com exclusividade no Brasil pela Folha à época, ela disse que o evento se pauta por lógica excludente e “não compreende os obstáculos racistas enfrentados por mulheres do Sul Global”.

Nem toda a programação tem potencial tão polêmico, afinal, a feira tem proporções gigantescas e recebe neste ano de cosplayers a autores pop como Matt Haig, de “A Biblioteca da Meia-Noite”, e Julia Quinn, da série “Bridgerton”.

Uma das novidades anunciadas pela edição é, de fato, feliz na mistura do entretenimento à erudição: o público poderá ganhar ingressos para a feira se participar de um “escape room”, aqueles jogos em que grupos são desafiados a sair de uma sala fechada por enigmas, baseado nos aposentos de Johann Wolfgang von Goethe —sim, o autor de “Fausto”, aliás nascido em Frankfurt.

Na programação, ainda se destacam autores como a americana Anne Applebaum, uma das estudiosas mais sofisticadas do autoritarismo, prestes a publicar o novo best-seller “Autocracia S.A.” no Brasil, e o israelense Yuval Noah Harari, o intelectual do fenômeno “Sapiens” que acaba de lançar “Nexus” em mais de 20 traduções simultaneamente, em setembro.

Pois é, o livro saiu quase no mundo todo —e negociações como essa, muitas vezes, germinam de Frankfurt.



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