Falta lógica ao cardápio do Lena, com entradas pesadas demais

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Falta lógica ao cardápio do Lena, com entradas pesadas demais


No restaurante Lena, tem kimchi na broa de milho, ponzu na costelinha com canjiquinha, molho tzatziki no angu e bolo de cenoura com creme francês de chocolate de textura sedosa no bolo de cenoura. Uma cozinha mineira revisitada, com toques de outros cantos do mundo.

O resultado são combinações saborosas, feitas com ingredientes de qualidade, que causam uma bem-vinda provocação ao conceito de cozinha regional. Na experiência à mesa, porém, faltam ajustes. Algo, aliás, que é esperado para um endereço aberto há apenas dois meses.

Um dos problemas da casa é a falta de lógica para a sequência de pratos. Entradas muito pesadas impedem que a refeição faça sentido com começo, meio e fim. Uma pena, já que as criativas receitas do chef mineiro Mário Santiago merecem ser degustadas sem que o apetite esteja comprometido.

Para começar, pedimos o pão de queijo recheado com costelinha, goiabada defumada e picles de quiabo (R$ 32). Uma entrada com direito a umami, dulçor, acidez e tudo mais que faz a gente salivar. Mas a base do pão de queijo não dá conta de tanta sustança e fica encharcada.

A broa de milho vem coberta com frango, maionese levemente picante e um gostoso kimchi de ora-pro-nóbis (R$ 35). Ela chegou com as laterais sequinhas e com interior inesperadamente cremoso. Somado ao fato de a broa ser frita e adocicada, fez o conjunto pesar no estômago. Peça se for para dividir. Comê-la sozinho coloca você no risco iminente de encerrar a refeição ali mesmo.

De principal, a bem servida galinhada (R$ 71) é uma alegria. Sobre um arroz al dente e caldoso são dispostos pedaços de sobrecoxa com pele crocante e uma gema curada em shoyu e cachaça. Passar a faca e observá-la se derramando sobre o prato é um prazer à parte. O toque de acidez fica por conta de uma delicada conserva de cebola.

Outra receita degustada foi o angu com queijo Tulha (R$ 68). Ele vem com cogumelos tostados, ervilha-torta, milho, crocante de queijo da Canastra, tzatziki (um molho grego à base de iogurte) e dill (erva também chamada de endro). Intrigante, é para ser explorado em suas várias combinações possíveis de texturas e sabores.

Para encerrar, o mil-folhas de milho (R$ 35) deixa uma sensação ambígua. Por um lado, agrada com o recheio de um curau bem delicado e pouco doce. Por outro, decepciona quem espera as finíssimas e leves camadas da receita francesa tradicional. A massa dessa sobremesa é compacta, mais próxima de um palmier.

O endereço não serve jantar, mas abre também para o café da manhã aos sábados. Para o almoço, vale ir sabendo que talvez seja mais interessante pedir direto o prato principal. Ou o pê-efe da semana (R$ 65), com um preço atraente por uma refeição completa, com direito a salada de folhas, prato do dia e docinho. Para provar as entradas, vá em grupo, ou num esquema brunch para focar nelas.

Dos pontos a acertar, o serviço é dos mais urgentes. Questionada sobre a quantidade de comida para duas pessoas, a atendente não avisou que as entradas escolhidas eram capazes de acabar com o apetite até dos clientes mais gulosos. Seguiram-se a este equívoco: um pedido que veio errado, o prato certo entregue em outra mesa, uma água que nunca chegou, e a conta com o pedido errado lançado. Duas vezes.



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