Discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, dá o tom da impaciência diplomática com a indecisão e a omissão de governantes
JC
Publicado em 07/11/2025 às 0:00
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A cada encontro de cúpula seguido de negociações diplomáticas exaustivas, o que se extrai dos grandes eventos em torno do meio ambiente e, de alguns anos para trás, do que se chama de crise climática, quase não passa de imagens para apropriação política. Os acordos de escala global estão em baixa, e um dos desafios da COP30, em Belém do Pará, será despertar credibilidade e confiança no resto do mundo, sem o engajamento dos Estados Unidos e da China, potências que consomem os recursos naturais em larga escala, emitem gases poluentes e respondem por parcela considerável dos fatores que têm elevado a temperatura média da Terra ao nível do que cientistas afirmam estar em ponto sem volta para um desastre iminente.
A questão do clima quente derretendo geleiras, alterando as correntes marítimas e os rios aéreos que podem reconfigurar o habitat planetário, não é apenas uma questão de dinheiro. Os recursos podem ser prometidos e obtidos. Mas continua faltando decisão sobre as escolhas a serem feitas, com ou sem recursos, em benefício da humanidade e demais seres vivos, em nossa época e nas décadas e século adiante. Para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a escolha é clara: partindo da falácia de que as mudanças climáticas são um engodo, as causas ambientais não merecem atenção, nem investimento. E ponto.
Mas mesmo o país anfitrião da COP30 se encontra imerso em contradições, entre o que se diz na vitrine política para as câmeras e os eleitores, e o que se aprova e se faz, de fato, além de repetir promessas e apontar a responsabilidade dos outros. Nesse contexto, o Brasil aproveita o conceito oportuno e verdadeiro da transição energética para conciliar água e óleo, verde e vermelho, empurrando para o futuro indefinido a conta ambiental.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, tem ficado rouco de tanto alertar os líderes mundiais para as consequências da falha humana em conter o avanço da temperatura. Em seu discurso na abertura da COP30, na quinta-feira, não foi diferente. Sem meias palavras, disse: “Os combustíveis fósseis ainda recebem enormes subsídios públicos, gastando bilhões em lobby, enganando o público e impedindo o progresso”. A frase pode ter sido genérica, mas a aprovação de exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira, juntinho da Amazônia, se enquadra como uma das motivações para a indignação incontida.
Guterres lembrou que as soluções para a economia verde estão postas, são viáveis, mas falta decisão política para adotar e massificar um novo modelo de civilização baseado nessas possibilidades. Duas COP atrás, em Dubai, houve o que parecia um comprometimento geral para uma transição energética gradual e crescente. O compromisso virou fumaça e o calor do planeta só aumenta. Em Belém, não haverá magia diplomática que consiga juntar mais que bilhões de dólares num fundo necessário, mas igualmente indefinido acerca de objetivos e beneficiários. O que se espera dos líderes e suas comitivas é mais decisão, e menos jogo de cena.




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