A escritora sul-africana Zukiswa Wanner chega ao Brasil pela primeira vez com uma missão clara: atrair também os leitores que dizem não gostar de livros.
Autora de romances como “Madames” e “Amar, Casar, Matar”, que será lançado no Brasil este mês, Wanner é uma das convidadas da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, onde participa de uma mesa com Conceição Evaristo, considerada por ela uma grande referência.
O debate “Memória e Resistência“ acontece no dia 19 de junho e conta ainda com a participação da cubana Teresa Cárdenas. As autoras vão discutir literatura e outras temáticas entre diferentes culturas e experiências.
“Quero que a leitura pareça uma conversa. Não quero que o leitor sinta que precisa fazer esforço para entender”, disse Wanner à Folha.
Seu estilo direto e bem-humorado, afirma, é uma ferramenta para abordar temas considerados difíceis, como desigualdade racial, sexismo e a relação entre patrões e trabalhadoras domésticas. “O humor permite que o leitor se questione de forma mais pessoal sem se sentir atacado”, defende.
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Filha de mãe zimbabuense e pai sul-africano, Wanner cresceu durante o apartheid e afirma ter consciência do papel da arte como catalisadora de mudança. “A arte viaja de um jeito que a política não consegue. Ela alcança as pessoas num nível mais íntimo. Foi assim na África do Sul.”
O engajamento político marca também sua atuação fora da ficção. Em 2023, Wanner escreveu “Relatos da Vida Palestina Sob Estado de Apartheid”, um livro-reportagem sobre sua visita à Cisjordânia.
Em março de 2024, devolveu o prêmio Goethe de Literatura, concedido pelo Instituto Goethe da Alemanha, em protesto contra a posição do governo alemão em relação à guerra em Gaza.
“Acredito que escritores devem ter uma postura ética diante da injustiça. A devolução do prêmio foi um ato de consciência”, afirmou na época.
Em seus romances, ela explora, entre outros temas, as dinâmicas de poder racial e de classe, traçando paralelos entre Brasil e África do Sul. Ambos os países, diz, são multiculturais, mas ainda profundamente marcados pelo racismo.
“A população pobre é majoritariamente negra. A rica, branca. O que quero é provocar o leitor a repensar essas estruturas”, diz Wanner.
Para a escritora, festivais literários como a Bienal são espaços de troca —entre autores, leitores e artistas de diferentes origens. Wanner vê na aproximação entre Brasil e África do Sul uma oportunidade para colaborações futuras, mesmo com as barreiras linguísticas. “Estou muito animada. Quero conhecer o Rio, conversar com Conceição e voltar mais vezes. Essa visita não pode ser única”.

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