Gigantes da tecnologia aceleram projetos de data centers no país e impulsionam debate sobre sustentabilidade e infraestrutura elétrica.
JC 360
Publicado em 31/10/2025 às 5:00
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Por Antônio Martins Neto
O avanço da era digital está levando o Brasil a um novo desafio energético. A instalação de grandes data centers — estruturas responsáveis por armazenar e processar informações da nuvem e da inteligência artificial — cresce rapidamente e já pressiona o sistema elétrico nacional.
Nos últimos anos, empresas como Google, Microsoft, Amazon, Oracle e Huawei anunciaram a construção ou ampliação de complexos de data centers no país. A maioria se concentra nas regiões Sudeste e Sul, onde há melhor infraestrutura elétrica e de conectividade. Um único centro de grande porte pode consumir tanta energia quanto uma cidade de médio porte, com cerca de 150 mil habitantes.
Com cerca de 85% de sua matriz elétrica proveniente de fontes renováveis — hidrelétrica, eólica e solar —, o Brasil se destaca como destino atrativo para investimentos em tecnologia verde. No entanto, a concentração de novos empreendimentos digitais traz riscos de sobrecarga e exige reforço na infraestrutura de transmissão e distribuição.
Segundo Reive Barros dos Santos, ex-secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, o país vive uma situação paradoxal.
Atualmente o Brasil tem uma sobreoferta de energia de fontes renováveis, mas enfrenta problemas na rede de distribuição. “Temos capacidade instalada de cerca de 215 gigawatts, para uma carga média de 92 gigawatts — ou seja, 2,6 vezes a demanda”, informou o especialista em energia. “Ainda assim, diversos projetos outorgados pela ANEEL enfrentam cancelamento ou inviabilidade por falta de margem de escoamento no sistema de transmissão”, completou.
Para Barros dos Santos, o desafio não está apenas na geração, mas no uso eficiente dessa energia, sendo necessário estimular o crescimento da carga, principalmente na Região Nordeste, onde estão concentrados os parques de geração renovável. defende. Ele destaca que a expansão dos data centers pode ser uma oportunidade estratégica para equilibrar o sistema.
“A demanda por energia para data centers no Brasil deve crescer de forma explosiva — de cerca de 843 megawatts atualmente para até 9 gigawatts até 2035, impulsionada pela inteligência artificial, pelos serviços em nuvem e pela digitalização, disse.
Sustentabilidade e eficiência entram na pauta
Dados – Pexels
O aumento do consumo também impulsiona a busca por soluções sustentáveis. As empresas vêm adotando tecnologias de resfriamento mais eficientes, sistemas de reaproveitamento de calor e o uso de inteligência artificial para otimizar o consumo de energia.
O índice PUE (Power Usage Effectiveness), que mede a eficiência energética dos data centers, tornou-se uma métrica essencial para o setor. Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho — sinal de que menos energia é desperdiçada em climatização e infraestrutura de suporte.
O uso de água nos sistemas de refrigeração também desperta atenção. Em locais com escassez hídrica, companhias têm investido em sistemas fechados e no reaproveitamento da água de condensação, reduzindo o impacto ambiental.
Energia sob medida e entraves regulatórios
Uma das principais estratégias para garantir energia limpa e previsível são os contratos de compra direta de energia renovável (PPAs, na sigla em inglês). Empresas de tecnologia têm firmado acordos com parques eólicos e solares, assegurando fornecimento de longo prazo e previsibilidade de custos.
Reive Barros dos Santos, no entanto, alerta para obstáculos que ainda dificultam o avanço do setor, como o preço da energia no Brasil, que continua muito alto, e a burocracia para implantação dos empreendimentos. “Temos todos os requisitos necessários para atrair data centers — infraestrutura de energia, conectividade e telecomunicações, localização geográfica privilegiada, mão de obra qualificada, mercado, sustentabilidade e clima”, disse. “Falta apenas destravar o ambiente regulatório”.
Estados como Minas Gerais e Ceará vêm se destacando nesse movimento. O primeiro, com ampla disponibilidade de energia solar; o segundo, com ventos constantes e ligação com cabos submarinos que conectam o Brasil à Europa e aos Estados Unidos. O Ceará também aposta em integrar os data centers à futura cadeia do hidrogênio verde, reforçando a imagem de polo de energia limpa.
Um futuro digital e energético
O consumo energético dos data centers no Brasil deve triplicar até 2030, segundo projeções do mercado. O crescimento, embora positivo para a economia digital, coloca em evidência a necessidade de equilibrar inovação tecnológica, sustentabilidade e segurança energética.
“O país tem condições únicas de se tornar um hub digital verde, combinando energia limpa e conectividade”, afirmou Reive Barros dos Santos. “Mas é preciso agir agora, com planejamento integrado e incentivos adequados, para evitar gargalos no futuro.”
À medida que o mundo se torna mais dependente da nuvem e da inteligência artificial, o Brasil se vê diante de uma escolha estratégica: transformar sua vantagem em energia renovável em motor de desenvolvimento — ou enfrentar o risco de que o avanço digital pese demais na conta de luz.


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