Anúncio da morte do líder do Hamas pelo governo israelense anima os articuladores da paz na região, mas a situação pode estar fora de controle
Publicado em 18/10/2024 às 0:00
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Mais de um ano depois do ataque terrorista ao território israelense, e de um revide que parece não ter fim, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o anúncio da morte do líder do grupo Hamas renova a confiança na articulação de um cessar-fogo na Faixa de Gaza. O que já é tristemente sintomático dos nossos novos tempos de guerra: a morte de alguém como atalho para a paz. O problema é que o estopim aceso pelo conflito do Hamas com Israel se alastrou pelo Oriente Médio, envolvendo o grupo Hezbolla, o Líbano e o Irã. E restaurou até os temores pelo uso de armas nucleares na região ou fora dela – como vem ameaçando há algum tempo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que invadiu a Ucrânia e detonou outra frente importante de gastos com armamentos num mundo cada vez mais municiado para a autodestruição.
O chefe do grupo extremista Hamas, Yahya Sinwar, era considerado o responsável pelo planejamento dos atentados aos israelenses no ano passado. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, comemorou a eliminação do líder terrorista como um “bom dia para o mundo”, avaliando que um obstáculo para o cessar-fogo teria sido removido. A premissa do otimismo de Biden é que, com essa perda, o Hamas não estará mais no poder em Gaza, o que possibilitaria o esperado acordo político entre israelenses e palestinos para a convivência no território em longa disputa.
Aproveitando a ocasião, a ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, sugeriu que é hora de os terroristas libertarem os reféns israelenses ainda sob sua custódia. O presidente da França, Emmanuel Macron, fez coro com a alemã, solicitando a imediata soltura dos reféns. De sua parte, em tom de vitória, Benjamin Netanyahu disse que Israel acertou as contas com o mentor do “pior massacre contra nosso povo desde o Holocausto”. Ao usar a palavra massacre, Netanyahu parece não se importar que o acerto de contas tenha custado a vida de dezenas de milhares de palestinos inocentes, muitos dos quais mulheres e crianças. Ou ainda, que a guerra contra o terror siga em outros campos de batalha, ultrapassando fronteiras e provocando uma desordem difícil de arrumar no Oriente Médio: “A guerra ainda não acabou, nossa missão ainda não está completa”, disse, triunfante.
O efeito dominó deflagrado por um ato bárbaro de terror contra a população israelense, em outubro do ano passado, tem criado cenários de tensão e morte que vão além do que se iniciou em Gaza, embora tenha ali sua fonte originária. O papel dos negociadores da paz se revigora com a baixa na liderança do Hamas, mas a insatisfação de várias populações árabes com as investidas israelenses tem o potencial de forjar outros líderes, com o agravante da motivação de revides numa espiral de ódio retroalimentada de parte a parte. Mesmo que a pressão sobre Netanyahu funcione – o que não é provável, diante de sua obstinação belicosa até o momento – nada garante que os caros investimentos em armamentos nos últimos anos não sejam aproveitados. Entre o cessar-fogo e uma guerra total no Oriente Médio, o caminho talvez seja o de uma corda bamba.



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