Em culto à própria identidade, Bad Bunny exalta cultura latina e bate de frente com a política anti-imigratória em plenos EUA

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Em culto à própria identidade, Bad Bunny exalta cultura latina e bate de frente com a política anti-imigratória em plenos EUA


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Para quem acompanha o rapper porto-riquenho Bad Bunny há alguns anos, já esperava o tipo de posicionamento que ele teria diante da maior audiência da história da televisão estadunidense, no Halftime Show do Super Bown LX, o show de intervalo da final da NFL. A apresentação do último domingo (8), realizada no Levi’s Stadium, em Santa Monica, no estado da Califórnia, foi assistido por mais de 130 milhões de pessoas, segundo números da Nielsen.

Mas, acima de qualquer performance, Benito Antonio Martínez Ocasio, como foi batizado, fez um manifesto à identidade latino-americana. O artista, que já era conhecido por bater de frente contra a política colonialista dos EUA diante de Porto Rico, apenas reforçou o que já vinha fazendo no decorrer da carreira.

Terra natal de Bad Bunny, a ilha caribenha é um território que pertence aos Estados Unidos (EUA), mas que tem como predominante o idioma espanhol e a cultura latino-americana.

E diante da forte atuação do ICE, polícia que atua contra imigrantes ilegais e vem cometendo grandes abusos e até mortes, fez-se mais necessário uma das vozes mais ativas do cenário musical global “fincar sua bandeira” num momento de marginalização de povos.

Após o lançamento do álbum “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, que exalta a cultura porto-riquenha e latino-americana, a postura de Bad Bunny diante de leis anti-imigratórias ficou ainda mais acentuada.

A ilha de Porto Rico, terra natal do cantor Bad Bunny, que comandou o Super Bowl LX, tem status político ambíguo – Mark J. Terrill / Estadão Conteúdo

Trazer os elementos e sucessos desse álbum para os espectadores norte-americanos foi o que tornou a apresentação especial não só para o artista, mas para quem, de alguma forma ou em algum momento, se viu dentro de algum costume ou vivência como latino-americano.

Peças da história de Porto Rico e de outros países da América Latina, como a plantação da cana-de-açucar, costumes litorâneos – como a água de coco e drinks alcoólicos – e até a prática do Boxe, modalidade no qual países caribenhos se destacaram com o passar dos anos, foram sendo destacados em sequência na performance do último domingo.

A norte-americana Lady Gaga e o também porto-riquenho Ricky Martin, convidados da noite, enriqueceram ainda mais o repertório de Bad Bunny no Levi’s Stadium. Outras celebridades latino-americanas também marcaram presença no gramado do estádio, como os atores Pedro Pascal e Jéssica Alba, a cantora Karol G, a rapper Cardi B, entre outros nomes.

A reta final da apresentação foi com o rapper entonando a frase “God Bless America” – em português: Deus abençoe a América. Constantemente usada por norte-americanos para exaltar apenas a região dos Estados Unidos, a expressão – dessa vez dita pelo rapper – ganhou outra proporção.

Bad Bunny baseou seu show em exaltar a América por inteira, mencionando os países do continente, do Chile ao Canadá e trazendo bandeira de todos ao “palco”. Ao fim da performance, mostrou uma bola de futebol americano que estampava a frase “Together, we are America”, em português: Juntos, nós somos América, e falando em espanhol “continuamos aqui”.

Reação imediata de Trump

Mesmo sem ter sido mencionado diretamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já havia criticado a escolha de Bad Bunny como a atração para o show do intervalo da NFL, não poupou críticas à performance do porto-riquenho.

Assim que a apresentação terminou, o chefe de estado publicou em sua rede social, Truth Social, a seguinte mensagem:

“O show do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido, é uma afronta à Grandeza da América, e não representa nossos padrões de Sucesso, Criatividade ou Excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é nojenta, especialmente para crianças pequenas que estão assistindo por todos os Estados Unidos e no mundo. Este ‘show’ é apenas um ‘tapa na cara’ do nosso País, que estabelece novos padrões e recordes todos os dias, incluindo o melhor mercado de ações na história! Não há nada inspiracional nessa bagunça de show do intervalo, que terá ótimos reviews da mídia de fake news, porque eles não têm ideia do que está acontecendo no MUNDO REAL. E, aliás, a NFL deveria substituir imediatamente essa regra do pontapé inicial. FAÇA A AMÉRICA GRANDE DE NOVO! Presidente Donald J. Trump”.

Cachê mínimo, mas retorno no streaming

Apesar do comum para Bad Bunny, atualmente, ser receber grandes cachês, não foi assim na final da NFL. O valor real do cachê do Super Bowl é sempre “simbólico” para os padrões da indústria: o cantor recebeu apenas US$ 1.000 (cerca de R$ 5.193).

O valor corresponde ao piso salarial estabelecido pelo sindicato americano de artistas (SAG-AFTRA). Essa é uma política padrão da NFL: a liga não paga cachês milionários aos artistas do Halftime Show, mas cobre todos os custos de produção do espetáculo.

LYNNE SLADKY/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O cantor porto-riquenho Bad Bunny se apresenta no intervalo do Super Bowl 60 da NFL, em Santa Clara, na Califórnia – LYNNE SLADKY/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Mas, se o pagamento direto é irrisório, o retorno em marketing é imediato. A exposição para mais de 100 milhões de telespectadores gerou um impacto brutal no consumo digital do artista.

Segundo dados do Spotify, as reproduções das músicas de Bad Bunny cresceram 210% na plataforma global logo após o show. O fenômeno se repete ano a ano: em 2025, Kendrick Lamar viu sua faixa Not Like Us crescer 430%, e em 2024, o catálogo de Usher saltou 550% após a final da NFL.

Bad Bunny no Brasil

Ainda em fevereiro, Bad Bunny vai deletar o fato de nunca ter feito show no Brasil em toda sua carreira. Nos dias 20 e 21 de fevereiro, logo após o Carnaval, o porto-riquenho fará história e pretende lotar o Allianz Parque, em São Paulo, nas duas datas, sendo o primeiro artista latino a alcançar esse feito em estádios brasileiros nessa escala.



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