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“Trump já expressou de várias maneiras seu desprezo pela lei, disse que queria ser ditador por um dia. Ele é um candidato à Presidência e, se diz que irá fazer isso, então nós temos que levar a sério.”
Esse é o alerta da jornalista americana Anne Applebaum, que se dedica a estudar um fenômeno que cresce no mundo de maneiras visíveis e invisíveis: o autoritarismo.
Em entrevista a João Gabriel de Lima, a autora de “Autocracia S.A.” explica que muitos países do mundo vivem na zona cinzenta que existe entre o campo de democracias e o campo de ditaduras.
Como aponta Applebaum, “há muitas práticas autocráticas dentro das democracias”. E a vitória de Trump na eleição presidencial define onde os Estados Unidos ficam nesse espectro.
Para a crítica Marina Slhessarenko Barreto, “Autocracia S.A.” é “um marco no destrinchamento das máquinas de governo dos autocratas contemporâneos”, mas erra ao optar pela omissão de alguns países relevantes nessa discussão, como Israel, e ao se centrar demais em figuras já associadas a atitudes autocráticas, não dando nomes a mais bois.
Até a próxima semana,
Isadora Laviola
Acabou de chegar
“Neca” (Companhia das Letras, R$ 59,90, 120 págs., R$ 29,90, audiolivro), romance de estreia de Amara Moira, apresenta a cultura travesti pela “língua das bichas”, o bajubá. Esse português falado pelas travestis da rua é, segundo a repórter Dani Avelar, uma coleção de expressões da comunidade LGBTQIA+ que vêm de palavras de origens africanas, indígenas e europeias.
“Ojiichan” (Fósforo, R$ 72,90, 168 págs.), de Oscar Nakasato, conta a história de Satoshi, aposentado compulsoriamente, despejado de sua casa e responsável por cuidar de sua mulher, Kimiko, que tem Alzheimer. O “sequestro do poder de escolha” dos idosos, como aponta o jornalista Diogo Bachega, é um tema recorrente no livro.
“Poemas em Coletânea” (trad. Leonardo Pinto Silva, Círculo de Poemas, R$ 104,90, 472 págs.) reúne oito livros do Nobel de Literatura norueguês Jon Fosse. A abordagem de diversos elementos e temas que também ressurgem em seus romances e dramaturgias comprovam a capacidade de Fosse de transitar entre os gêneros, mas, para a crítica Ana Luiza Rigueto, “não é na poesia que o autor alcança seu ponto de maior brilho literário”.
E mais
“O Pobre de Direita” (Civilização Brasileira, R$ 59,90, 224 págs.), novo livro do sociólogo Jessé Souza, observa a virada à direita do eleitor brasileiro, que se situa majoritariamente nas classes C, D e E. Em entrevista a João Gabriel de Lima, Souza afirma que muito dessa movimentação se dá pela busca das classes mais pobres por reconhecimento e autoestima, saciada por figuras políticas de direita e pela religião evangélica.
Antecipando os 60 anos da Rede Globo, o jornalista Ernesto Rodrigues lança o primeiro livro de uma trilogia que mergulha nos bastidores da maior emissora de televisão do Brasil, a partir de 400 depoimentos de funcionários. “A Globo Vol. 1 (Hegemonia)” (Autêntica, R$ 129,80, 672 págs.) tem a ditadura militar como tema recorrente e, segundo o jornalista Mauricio Stycer, vai contra a ideia de que Roberto Marinho abraçou de forma incondicional o regime.
O francês Édouard Louis se tornou um fenômeno literário e comercial ao relatar, em diversas obras, a vida da qual fugiu. Essa literatura de ira e revolta se popularizou por abrir espaço para vozes excluídas do mundo literário, mas, segundo a jornalista Tatiany Leite, causa estranheza quando se observa que o mesmo público que ovaciona Louis não valida a literatura comercial, que também agrega e produz identificação.
Além dos livros
Pela primeira vez, no ano que vem, a Fuvest cobrará apenas livros de autoras mulheres como obrigatórios para entrar na USP. Essa iniciativa busca, entre outras coisas, revalorizar autoras marginalizadas do século 19 e mostrou como seus livros estavam em falta nas estantes. O Painel das Letras conta que a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e a editora Carambaia fizeram uma parceria para editar três dos livros da lista numa coleção que sai no início de 2025.
Foi aprovada no Senado a Lei Cortez, que propõe a regulação de preços de livros recém-lançados e impede que eles sejam vendidos com descontos maiores que 10% no valor sugerido pelas editoras no seu primeiro ano. O texto segue para análise na Câmara dos Deputados. O objetivo da norma, segundo seus defensores, é equilibrar os preços do mercado editorial e impedir concorrência que livrarias apontam como desleais.
O vampiro é mais do que um monstro, é um vilão charmoso e aristocrático que provoca medo e sedução. Com o passar dos séculos e com o lançamento de obras como “Drácula” e “Crepúsculo”, a demanda erótica por vampiros e monstros cresceu, e hoje é saciada pelos “monster romances”, que apresentam humanos em relações românticas com figuras assustadoras e inusitadas. Como a história de M.J. Edward, sobre uma cientista que se apaixona pela Covid-19.


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