Diretora Juliana Beltrão passeia entre afeto e memória em “Elefante Encarnado”, filme aberto ao improviso do Carnaval: ‘Sustentar um clube exibe amor’
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artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
– TIAGO CALAZANS/DIVULGAÇÃO
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O cortejo do Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda, um dos mais tradicionais da cidade, fundado em 12 de fevereiro de 1952, é uma experiência única. A multidão se move de forma tão intensa que o folião, por vezes, chega a perder a sensação de contato com o chão.
Como traduzir essa vivência, somada à história de um Patrimônio Vivo de Pernambuco, para o audiovisual? A olindense Juliana Beltrão decidiu assumir esse desafio no documentário “Elefante Encarnado”.
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“Estamos falando de um clube que arrasta multidões, que ocupa ruas inteiras. Fazer isso caber dentro de uma tela foi um exercício constante de escolhas”, afirma a diretora, que já colaborou em projetos como Incompatível com a Vida (pré-indicado ao Oscar 2024) e agora lança seu primeiro documentário autoral.
A pré-estreia acontece neste sábado (17), às 19h, no Mercado da Ribeira. A sessão será dedicada à comunidade local e aos apaixonados pelo clube que apoiaram a realização do filme, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo em Pernambuco.
Memória coletiva

Imagens de ‘Elefante Encarnado’, documentário de Juliana Beltrão – PETRUS PITT/DIVULGAÇÃO
Ao JC, a diretora conta que buscou construir a narrativa do Elefante a partir da memória coletiva. “Mais do que contar a história de um clube carnavalesco, o filme procura revelar os vínculos emocionais que mantêm essa tradição viva ao longo do tempo”, explica.
“A ideia foi mostrar que sustentar um clube, um símbolo cultural como o Elefante, exige muito mais do que estrutura ou recursos. Exige amor, pertencimento e compromisso com a história, com a cultura e com as pessoas que fazem essa manifestação existir e persistir.”
Esse olhar passa também pela relação afetiva da própria diretora com o clube, presente desde a infância. “Minha filha, inclusive, nasceu num domingo de carnaval. Uma das primeiras coisas que pensei depois do nascimento foi: ela nasceu no dia do Elefante de Olinda”, relembra.
Desafios

Imagens de ‘Elefante Encarnado’, documentário de Juliana Beltrão – TIAGO CALAZANS/DIVULGAÇÃO
Durante a produção, surgiram desafios tanto criativos quanto práticos, diante da grandiosidade do cortejo. Foi preciso estar aberta ao acaso, ao encontro e, sobretudo, ao improviso.
“Tivemos de lidar com a imprevisibilidade do carnaval, com o fluxo intenso de pessoas e o ritmo da rua. As limitações de produção exigiram sensibilidade e adaptação”, conta.
“Criativamente, o desafio foi encontrar uma linguagem capaz de transmitir essa dimensão coletiva, a energia pulsante do carnaval de rua, a alegria e a paixão de um povo profundamente ligado à sua cultura, sem reduzir essa experiência a imagens meramente ilustrativas”, completa.
Música
Além do cinema, Beltrão também atua na produção musical e acumula no currículo turnês de artistas como Novos Baianos e Pepeu Gomes. Para ela, Elefante Encarnado nasce do encontro entre dois grandes prazeres.
“Sempre fui muito ligada à música, especialmente ao frevo, que faz parte da minha formação afetiva e cultural. Morei alguns anos em São Paulo e, quando voltei para Olinda, vivi um momento muito marcante: da janela da minha casa, eu ouvia o ensaio da Orquestra Henrique Dias. Fui assistir e não conseguia parar de chorar, emocionada por estar perto novamente das minhas raízes”, relata.
Segundo ela, esse reencontro despertou a vontade de registrar essa história para que não se perdesse no tempo. “Fui me envolvendo cada vez mais com esse universo, com as pessoas, os sons e os afetos que atravessam o carnaval de rua, o que acabou culminando, de forma natural, na realização do documentário.”
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O cortejo do Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda, um dos mais tradicionais da cidade, fundado em 12 de fevereiro de 1952, é uma experiência única. A multidão se move de forma tão intensa que o folião, por vezes, chega a perder a sensação de contato com o chão.
Como traduzir essa vivência — somada à história de um Patrimônio Vivo de Pernambuco — para o audiovisual? A olindense Juliana Beltrão decidiu assumir esse desafio no documentário Elefante Encarnado.
“Estamos falando de um clube que arrasta multidões, que ocupa ruas inteiras. Fazer isso caber dentro de uma tela foi um exercício constante de escolhas”, afirma a diretora, que já colaborou em projetos como Incompatível com a Vida (pré-indicado ao Oscar 2024) e agora lança seu primeiro documentário autoral.
A pré-estreia acontece neste sábado (17), às 19h, no Mercado da Ribeira. A sessão será dedicada à comunidade local e aos apaixonados pelo clube que apoiaram a realização do filme, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo em Pernambuco.
Memória coletiva
Ao Jornal do Commercio, a diretora conta que buscou construir a narrativa do Elefante a partir da memória coletiva. “Mais do que contar a história de um clube carnavalesco, o filme procura revelar os vínculos emocionais que mantêm essa tradição viva ao longo do tempo”, explica.
“A ideia foi mostrar que sustentar um clube, um símbolo cultural como o Elefante, exige muito mais do que estrutura ou recursos. Exige amor, pertencimento e compromisso com a história, com a cultura e com as pessoas que fazem essa manifestação existir e persistir.”
Esse olhar passa também pela relação afetiva da própria diretora com o clube, presente desde a infância. “Minha filha, inclusive, nasceu num domingo de carnaval. Uma das primeiras coisas que pensei depois do nascimento foi: ela nasceu no dia do Elefante de Olinda”, relembra.
Desafios
Durante a produção, surgiram desafios tanto criativos quanto práticos, diante da grandiosidade do cortejo. Foi preciso estar aberta ao acaso, ao encontro e, sobretudo, ao improviso.
“Tivemos de lidar com a imprevisibilidade do carnaval, com o fluxo intenso de pessoas e o ritmo da rua. As limitações de produção exigiram sensibilidade e adaptação”, conta.
“Criativamente, o desafio foi encontrar uma linguagem capaz de transmitir essa dimensão coletiva, a energia pulsante do carnaval de rua, a alegria e a paixão de um povo profundamente ligado à sua cultura, sem reduzir essa experiência a imagens meramente ilustrativas”, completa.
Música
Além do cinema, Beltrão também atua na produção musical e acumula no currículo turnês de artistas como Novos Baianos e Pepeu Gomes. Para ela, Elefante Encarnado nasce do encontro entre dois grandes prazeres.
“Sempre fui muito ligada à música, especialmente ao frevo, que faz parte da minha formação afetiva e cultural. Morei alguns anos em São Paulo e, quando voltei para Olinda, vivi um momento muito marcante: da janela da minha casa, eu ouvia o ensaio da Orquestra Henrique Dias. Fui assistir e não conseguia parar de chorar, emocionada por estar perto novamente das minhas raízes”, relata.
Segundo ela, esse reencontro despertou a vontade de registrar essa história para que não se perdesse no tempo. “Fui me envolvendo cada vez mais com esse universo, com as pessoas, os sons e os afetos que atravessam o carnaval de rua, o que acabou culminando, de forma natural, na realização do documentário.”



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