Eduardo Moscovis ganha Prêmio Shell e celebra: ‘Tô amarradão’; veja lista

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Eduardo Moscovis ganha Prêmio Shell e celebra: ‘Tô amarradão’; veja lista


Eduardo Moscovis, 57, ganhou na noite desta quarta-feira (18) o Prêmio Shell de Teatro pela atuação em “O Motociclista no Globo da Morte”, um monólogo com texto de Leonardo Netto. Foi a primeira premiação teatral do ator em 37 anos de carreira.

“Tô muito amarradão”, disse no palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, onde foi realizada a cerimônia de premiação. “É muito importante ganhar um prêmio como esse. O teatro norteia a minha vida. Estar em cartaz faz com que eu acorde já pensando em estar no palco”.

O espetáculo, dirigido por Rodrigo Portella, está em cartaz no Teatro Vivo, na capital paulista, após temporada lotada no Rio. Moscovis interpreta o matemático Antônio, cuja vida é transformada após ele testemunhar um ato extremamente cruel.

A 36ª edição do Shell premiou também outra peça dirigida por Portella, “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”, do Grupo Galpão. O diretor, um dos grandes nomes do teatro contemporâneo, prepara uma nova versão de “Fim de Partida”, de Samuel Beckett, estrelada por Marco Nanini.

Outros destaques da noite foram as peças “Lady Tempestade”, solo de Andrea Beltrão, com a premiação da dramaturga Silvia Gomez, pelo júri de São Paulo, e “Vinte”, com dramaturgia assinada por Maurício Lima e Tainah Longras, pelo júri do Rio.

Espetáculo da Cia Única de Teatro, de Feira de Santana (BA), “Akoko Lati Wa Ni – Tempo de Ser” venceu na categoria destaque nacional, que reconhece produções fora do eixo Rio-São Paulo. Na montagem, três jovens negros preparam uma peça de formatura enquanto questionam como farão para envelhecer em uma sociedade estruturalmente racista.

A cerimônia foi apresentada por Débora Falabella, vencedora como melhor atriz no ano passado, e Silvero Pereira. Foram mais de 70 profissionais e coletivos indicados, distribuídos em 40 espetáculos.

Homenageada da noite, a atriz e cantora Zezé Motta, 81, lembrou a carreira de seis décadas no teatro, desde a estreia profissional em “Roda Viva”, de Chico Buarque, no final da década de 1960.

“Com Roda Viva eu apanhei da censura, levei porrada do Comando de Caça aos Comunistas, fomos xingados, humilhados, mas resistimos”, disse, bastante emocionada. Ela lembrou também da turnê nos Estados Unidos, com a peça “Arena Conta Zumbi”, de Augusto Boal, quando aprendeu a enfrentar o racismo ao ver os negros americanos de cabeça erguida.

A artista dedicou a homenagem a Maria Clara Machado, fundadora do Tablado, no Rio, à atriz Marília Pêra, a Boal e a Zé Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina.

CONHEÇA TODOS OS PREMIADOS

Vencedores pelo júri de São Paulo

Dramaturgia

Silvia Gomez – “Lady Tempestade”

Direção

Rodrigo Portella – “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”

Ator

Renato Livera – “Deserto”

Atriz

Sirlea Aleixo – “Furacão”

Cenário

Luh Maza – “Carne Viva”

Figurino

Eder Lopes – “Pai Contra Mãe ou Você Está Me Ouvindo?”

Iluminação

Wagner Antônio e Dimitri Luppi – “Filoctetes em Lemnos

Música

Clara Potiguara – “Tybyra – Uma Tragédia Indígena Brasileira”

Energia que Vem da Gente

Leda Maria Martins – pesquisa e orientação artística


Vencedores pelo júri do Rio de Janeiro

Dramaturgia

Mauricio Lima e Tainah Longras – “Vinte”

Direção

Camila Bauer – “Instinto”

Ator

Eduardo Moscovis – “O Motociclista no Globo da Morte”

Atriz

Larissa Luz – “Torto Arado – O Musical”

Cenário

Cachalote Mattos – “À Vinha d’Alhos”

Figurino

Ananda Almeida e Raphael Elias – “Negra Palavra – Poesia do Samba”

Iluminação

Marina Arthuzzi – “Velocidade”

Música

Muato – “Vinte”

Energia que Vem da Gente

Turma Ok – trajetória de mais de 60 anos



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