Aval do novo presidente dos Estados Unidos dá cobertura ao projeto de aniquilação do Hamas por Israel – ampliando o sofrimento dos palestinos
Publicado em 19/03/2025 às 0:00
| Atualizado em 19/03/2025 às 6:45
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A interrupção do cessar-fogo resultou em mais algumas centenas de mortos, e mais destruição num território arrasado pelas bombas, num cenário de ruínas e sangue derramado. “É apenas o começo”, disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com a garantia do respaldo e o incentivo de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos. Para Trump, a Faixa de Gaza poderia ser palco de um grande negócio imobiliário.
Nem Trump, nem Netanyahu, estão preocupados com as consequências da continuidade do massacre aos palestinos a uma região marcada por confrontos há milênios. Muito menos, com o destino da população expulsa que carrega, na bagagem e no olhar, o luto por dezenas de milhares de mortos, entre familiares e amigos.
Libertar os reféns que ainda estão com o grupo terrorista, e matar todos os extremistas, são objetivos que dividem o povo israelense. A estratégia do primeiro-ministro é manter a truculência da guerra de um lado só, para se preservar onde está, no poder, agora com o aval irrestrito da Casa Branca – o que não acontecia sob a administração democrata, de Joe Biden.
A prometida “intensidade crescente” sobre Gaza pode representar uma ofensiva de ataques numa escalada de brutalidade sem precedentes, já que o apoio da maior potência ocidental retira qualquer fiapo de escrúpulo do governo de Israel. A justificativa antiterrorista – usada e abusada em ocasiões passadas pelos EUA – não encobre a crueldade, intensa e crescente, contra a população no fogo cruzado entre o Hamas e seus perseguidores.
“Serão as pessoas de Gaza que sofrerão”, afirma o comunicado oficial de Washington, depois do ataque de Israel que pode ter matado mais de 400 palestinos. E complementa: o que vier pela frente conta com o apoio da Casa Branca. Para Trump e Netanyahu, embora o discurso seja o da liberação total dos reféns pelo Hamas, quanto mais tempo o grupo terrorista se negar a fazê-lo, melhor para o ímpeto belicista que não se importa com “baixas” na população atingida por estar sendo usada como escudo, de acordo com os governos de Israel e dos EUA. Só falta a alegação de que a culpa é dos palestinos, que permitiram aos terroristas o esconderijo.
No afã que demonstra o gosto por sangue, a nova presidência norte-americana praticamente celebrou a ofensiva, dizendo que “as portas do inferno se abrirão”. Com a política da matança como premissa, para quem as portas do inferno não se abrirão? A expressão da secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Claire, menospreza os efeitos da destruição sem critérios, e de uma invasão cujos destroços materiais e humanos ainda estão sendo contabilizados.
Oficialmente, até a Rússia se opôs, desta vez, a Trump e Netanyahu, embora Vladimir Putin beba da mesma fonte nas investidas contra a Ucrânia. A volta do cessar-fogo é solicitada pela maioria dos líderes mundiais – que dificilmente acreditam em sua viabilidade, diante da revigorada aliança norte-americana com Israel.

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