Editoras brasileiras ganham prêmios na Feira de Frankfurt

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Editoras brasileiras ganham prêmios na Feira de Frankfurt


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A cidade alemã de Frankfurt foi palco da maior congregação de profissionais do livro do mundo na semana passada. A Feira de Frankfurt é a mais relevante do mercado literário e o Brasil não ficou de fora.

O projeto Brazilian Publishers, realizado em parceria com a ApexBrasil e o Ministério das Relações Exteriores, ajudou os editores a levarem seu catálogo para a Alemanha. O jornalista Walter Porto aponta que, no estande da iniciativa, estavam reunidas desde editoras independentes como a Aboio e universitárias como Edusp e até a Biblioteca do Exército.

A Câmara Brasileira do Livro leva também a Frankfurt o último vencedor do prêmio principal do Jabuti para oferecer ao escritor uma perspectiva de internacionalização de seu trabalho —neste ano, Fabrício Corsaletti, premiado por “Engenheiro Fantasma”.

A veterana autora de infantojuvenis Ruth Rocha, que vive um momento de ápice em sua carreira aos 93 anos, teve espaço especial no estande brasileiro buscando novas edições traduzidas para línguas estrangeiras.

O Brasil também esteve sob os holofotes com duas honrarias. Luiz Schwarcz, fundador e diretor da Companhia das Letras, recebeu o prêmio Cesare De Michelis pelo conjunto de sua carreira como editor.

E o Círculo de Poemas, reconhecido por ampliar o alcance da poesia, levou o troféu Aficionado. Rita Mattar, diretora da Fósforo e uma das idealizadoras do projeto, recebeu o prêmio em nome da editora.


Acabou de Chegar

“Jerusalém” (trad. Marina Della Valle, Veneta, R$ 350, 1.616 págs.) é a obra de ficção mais ambiciosa do britânico Alan Moore, que narra mistérios inspirados em sua cidade natal de Northampton, na Inglaterra. “Trata-se de uma mistura caótica de Inferno, Purgatório e Paraíso”, escreve o repórter Reinaldo José Lopes, “em que as almas dos mortos de todas as épocas se misturam com anjos, demônios, sonhadores, usuários de drogas e pessoas com problemas mentais”.

“Gazeta Mercantil” (Contexto, R$ 45, 176 págs.), de Célia de Gouvêa Franco, conta a história daquele que foi “o melhor jornal de economia do Brasil”. A trajetória do veículo, porém, é marcada por dois paradoxos, como destaca Oscar Pilagallo. O primeiro foi ter se tornado uma referência do capitalismo local a partir do trabalho de jornalistas de esquerda, e o segundo foi sucumbir ele mesmo a uma crise financeira.

“E Depois Também” (Círculo de Poemas, R$ 44,90, 40 págs.) mescla versos de influência concreta a temas cotidianos e poemas visuais. Para o resenhista Joca Reiners Terron, diante de um mundo em metamorfose, o livro de João Bandeira assume “posição humilde e assombrada, refletindo este momento atual em que constatamos o quão pequenos somos”


E mais

O clássico “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, vai ganhar uma nova tradução em inglês pelas mãos de Alison Entrekin, que levou uma década para produzir a nova versão. “Vastlands: The Crossing” foi arrematado em leilão pela Simon & Schuster, uma das maiores editoras americanas, e será publicado em 2026.

O prêmio Alma, um dos mais importantes reconhecimentos da literatura infantojuvenil mundial, divulgou os finalistas da próxima edição. Entre eles estão dois brasileiros, o escritor Daniel Munduruku e o ilustrador Roger Mello. Como relata o blog Era Outra Vez, o vencedor, escolhido pelo conjunto da obra ou por sua contribuição literária, receberá 5 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 2,7 milhões.

A editora Cobalto traz de volta às livrarias a melhor edição da poesia de Ezra Pound, segundo o escritor e cineasta Carlos Adriano, em versão ampliada e bilíngue. A obra organizada por Augusto de Campos é, para o resenhista, “um brinde ao leitor, sob a forma de relicário literário”.


Além dos Livros

Morreu na última semana o escritor chileno Antonio Skármeta, aos 83 anos. O autor ganhou reconhecimento mundial com “O Carteiro e o Poeta”, que narra a relação de um carteiro com o escritor Pablo Neruda. O livro foi adaptado para um filme homônimo que recebeu quatro indicações ao Oscar em 1996.

O autor israelense Yuval Noah Harari foi destaque na Feira de Frankfurt. Em palestra, ele denunciou o paradoxo de uma humanidade que precisa desacelerar, mas rápido. Harari dividiu o palco com o filósofo japonês Kohei Saito, que prega a desaceleração por uma visão sistêmica do marxismo.

Segundo o Painel das Letras, a feira alemã foi marcada por um conflito que parecia guerra civil, entre a Itália, convidada de honra da edição, e os autores italianos. Isso porque algumas das maiores estrelas literárias do país não foram convidadas por sua delegação. Antonio Scurati, autor da premiada série “M”, foi convidado pela organização da feira e, ao discursar, acusou o governo conservador de Giorgia Meloni de tratá-lo como um inimigo público.



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