Diretor do filme ‘Parasita’ brinca com a desgraça do mundo atual em ‘Mickey 17’

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Diretor do filme ‘Parasita’ brinca com a desgraça do mundo atual em ‘Mickey 17’


“Mickey 17” é o novo filme de Bong Joon-Ho, de “Parasita”. É bom esquecer a crítica social e a história ácida na casa de concreto que arrebatou quatro estatuetas do Oscar em 2020. O Bong de agora está de volta à ficção científica, mais próximo de “Okja” e produções anteriores. A nova história não chega a lugar nenhum, mas diverte no caminho.

A produção foi lançada nesta semana durante o 75º Festival de Berlim, fora de competição.

O Mickey 17 do título é a 17ª cópia de Mickey Barnes, um Robert Pattinson meio abobalhado, que, metido em uma enrascada na Terra, embarca em um projeto de colônia interplanetária. Não está sozinho quem pensou em Elon Musk. A empreitada é patrocinada por uma igreja-empresa e capitaneada por um político que perdeu a eleição.

Se alguém então pensou em Donald Trump, o primeiro discurso de Mark Ruffalo como o histriônico Hieronymous Marshall parece uma cópia da posse do presidente americano, há um mês, em Washington —o fim do mundo depois das fronteiras, habitado por “alienígenas, criminosos” e perigos de todo o tipo. A piada é que o filme foi feito em 2022.

Mas a história é de Mickey, em 2054. Para garantir a vaga, ele se candidata a um cargo tão difícil como inusitado: ser dispensável, eufemismo para morrer. Encara as missões fatais em nome da ciência, e sua existência posterior é garantida por uma impressora que recria seu corpo.

A primeira pergunta que Mickey ouve no filme é a que todo mundo quer fazer, como é morrer. Bong não investe na digressão filosófica, mas se arrisca a transformá-la em um panfleto sobre ensaios totalitários do momento. Panfleto, mas bem-humorado.

Leitura bem mais política faz Radu Jude em “Kontinental’25”, a história de uma oficial de Justiça que entra em crise na Transilvânia depois que um homem que ela despejou comete suicídio. O diretor romeno, que já venceu o Urso de Ouro por “Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental”, usa planos-sequência longos para discutir a situação social da Romênia, o pós-comunismo, a invasão da Ucrânia e quase tudo o mais que conseguiu encaixar.

Com elegância, sublinha a crise habitacional do país, basicamente mostrando cenas de diferentes prédios da cidade de Cluj. A sutileza aparece também no pôster, quase sem destaque, em uma parede de um bar de cinema: “Europa’51”, filme de Roberto Rossellini, declarada inspiração de Jude.

O filme de Radu Jude está na mostra competitiva da Berlinale, que define os vencedores desta edição do festival no próximo sábado, 22 de fevereiro.



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