No 1º de outubro, a história de quem voltou a estudar após os 60 mostra que a sala de aula é espaço de liberdade, dignidade e novos caminhos
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A sala de aula não tem idade. Entre cadernos riscados, letras desenhadas com calma e olhares que carregam décadas de histórias, a educação ressurge como um direito e também como um reencontro.
Para muitos idosos, voltar a estudar é mais do que aprender fórmulas e palavras, é afirmar que o conhecimento pertence a todas as fases da vida.
No Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, histórias de superação e coragem se multiplicam em todo o Brasil.
São homens e mulheres que, depois dos 60, decidiram atravessar o portão da escola ou da universidade para ocupar um espaço que lhes foi negado ou interrompido antes.
A presença deles rompe os estigmas e mostra que aprender é um gesto de dignidade e pertencimento.
O que dizem os dados?
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil conta hoje com cerca de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15% da população.
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Esse envelhecimento traz consigo um retrato ainda marcado por desigualdades educacionais.
Enquanto a taxa geral de analfabetismo no país caiu para 5,3% em 2024, entre os idosos o índice chega a 14,9%, quase três vezes maior.
A distância regional também é evidente: no Nordeste, um em cada três idosos não sabe ler nem escrever, enquanto no Sudeste a proporção cai para menos de 9%.
Mesmo diante desses desafios, há sinais de transformação. A Educação de Jovens e Adultos (EJA), embora tenha registrado queda nas matrículas nos últimos anos, ainda reúne milhões de brasileiros que retomam os estudos. Em 2024, foram 2,4 milhões de matrículas, segundo o Censo Escolar.
O Ministério da Educação aponta que a conclusão da EJA pode representar ganhos de até 23% na renda dos estudantes entre 46 e 60 anos, reforçando a dimensão concreta que a educação traz para a vida adulta e idosa.
O poder da educação
É nesse espaço que histórias como a de Marcelo Melo, de 71 anos, ganham força. O idoso voltou aos estudos no EJA depois de ter interrompido a escola ainda jovem, quando precisou trabalhar para sustentar a família.
O reencontro com a leitura transformou sua rotina. Ele lembra que antes não conseguia se localizar nem pelo nome de uma rua e dependia sempre de alguém para guiá-lo, mas hoje a realidade é outra.
“Eu não sabia nem ler o letreiro do ônibus ou o nome de uma rua, e agora já faço tudo isso. Me ajudou muito, cem por cento. Agora já posso pegar um ônibus sozinho, ir para um banco sozinho. Antigamente eu não podia, sempre ia com guia. Mandavam para uma rua e eu não sabia chegar, agora sei chegar sozinho”, conta.

Marcelo Melo, 71 anos – Reprodução/Sempre Viva
Aprender a ler trouxe para ele uma sensação de autonomia que vai muito além da sala de aula. “Depois que aprendi, me libertei de muitas coisas. Agora já sei ler uma receita, um papel no trabalho, até meu nome eu assino bonito. Antes dependia dos outros, agora faço por mim mesmo”, afirma, orgulhoso.
Essa conquista, no entanto, não o blindou de comentários desmotivadores e etaristas. “Já me chamaram de burro, de ignorante, diziam que não precisava mais estudar porque eu era idoso. Mas eu nunca desisti”, relata.
É justamente dessa insistência que nasce o conselho que ele faz questão de deixar registrado.
“Insista, nunca desista. Pode ouvir o que for, mas siga em frente em busca da sua liberdade. Quando a pessoa aprende a ler, encontra a liberdade. Esse é o recado que dou para meus companheiros e companheiras: não desistam, aprendam sempre alguma coisa, porque quando a gente aprende, a liberdade chega“, finaliza.
Oportunidades mudam vidas
A história de Marcelo também revela o quanto a oportunidade de estudar pode mudar vidas inteiras. Foi no Sempre Viva, instituição comunitária, que ele encontrou espaço para voltar à sala de aula.
“Seu Marcelo chegou acompanhado de pessoas da comunidade e começou a participar das palestras educativas. Logo se tornou nosso voluntário. Foi quando percebi que ele não sabia ler nem escrever. É muito gratificante acompanhar seu progresso, desde a dificuldade para escrever o próprio nome até hoje, quando já consegue assinar com firmeza”, recorda Silvana Souza, presidente da instituição.
Para ela, a alfabetização tardia é também um resgate simbólico e que é “muito lindo” perceber como a educação transforma a vida dos idosos.
Quando a pessoa aprende a ler, encontra a liberdade
Marcelo Melo, 71 anos
“O que mais ouvimos deles é que se trata de um resgate de sonhos interrompidos. Muitos queriam estudar, mas a vida não permitiu. Voltar para a sala de aula, mesmo em idade avançada, é resgatar esses sonhos da infância”, destaca Silvana.
A presidente do Sempre Viva acredita que esse movimento tem também uma dimensão coletiva. Nessa retomada, eles ampliam possibilidades e mostram que a educação continua sendo o caminho em todas as faixas etárias.
“A sociedade colocou os idosos à margem, e quando trazemos essas pessoas para a sala de aula, elas se redescobrem, ampliam a participação social e vivem o envelhecimento com dignidade, aprendizado e inclusão. Eu não vejo outro caminho que não seja a educação”, conclui.
Espaço de renascimento
A presença de idosos nas salas de aula mostra que envelhecer não significa parar, mas seguir abrindo caminhos. Ao se sentar diante de um caderno, o idoso faz o tempo se prolongar.
Não há passado perdido, mas presente em construção. A cada letra escrita e a cada página virada, nasce a prova de que o desejo de aprender resiste a tudo, até mesmo às décadas que tentaram parar seus sonhos.
O Dia do Idoso se torna então mais do que uma data no calendário. É um lembrete de que o envelhecer pode ser reinvenção, e que o conhecimento não tem idade e a dignidade, também não.
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