A polarização política nos últimos anos parece ter sido assimilada pela população que não se acanha de invadir as redes sociais para exercer o ódio
Publicado em 26/01/2025 às 0:00
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Justamente celebrada como representante da cultura brasileira no Oscar, finalista concorrente à estatueta de melhor atriz pela atuação no filme “Ainda estou aqui”, Fernanda Torres precisou acalmar os ânimos da torcida nas redes sociais. Ocorre que, além de externarem o entusiasmo pelo país na disputa do mais badalado prêmio do cinema, muitos torcedores têm destilado xingamentos e provocações àquela considerada uma das favoritas, a atriz espanhola Karla Sofia Gascón. “Não vamos tratar ninguém mal e criar uma coisa de que é um contra o outro, pelo amor de Deus”, pediu Fernanda Torres. E foi ainda mais incisiva e direta: “Não vamos alimentar ódio, sabe? Eu quero dizer: Karla Sofía Gascón, te amo para sempre. Uma mulher generosa, talentosa que merece todo o nosso carinho”, afirmou.
A sensatez da filha de Fernanda Montenegro surge como contraponto necessário, em uma nação onde parcela infelizmente grande das pessoas não esconde a contaminação pelo vírus da intolerância. Mas o comportamento coletivo de violência virtual, que emerge da soma de atitudes individuais, não vem do nada. Nas últimas décadas, a segregação político-partidária vem reduzindo o espaço da mediação, da ponderação e do equilíbrio, fazendo com que a dicotomia adote tons de torcida organizada – inclusive a violência cega na direção de quem não veste a mesma camisa. Não por acaso, a representação parlamentar federal decaiu para a quase inexistência do centro, substituído por um autodenominado Centrão que, no fundo, serve para agregar partidos e personagens que podem integrar a base e a equipe de qualquer governo. O governo Lula e o anterior, de Bolsonaro, se aproximam na mediana trágica do Centrão, embora os líderes partidários sigam alimentando as claques com discursos maniqueístas mutuamente excludentes.
Em entrevista a Igor Maciel no programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, a doutora em Filosofia e escritora Catarina Rochamonte defendeu a superação dos radicalismos que integram a direita e a esquerda na estupidez. O debate na política brasileira deixou de ser motivo de aprofundamento das questões, e de busca de consensos, para se tornar a repetição de posturas superficiais e caricatas. Como resultado, a direita é composta por muitos reacionários que “fazem apologia de sua própria ignorância”, e a esquerda, radicalizada nas pautas identitárias, não se abre ao diálogo. Para que o Brasil comece a andar na sensatez, diz Rochamonte, pessoas ponderadas da esquerda e da direita precisam conversar.
O exemplo dos ataques à atriz espanhola que disputa o Oscar com Fernanda Torres é um dentre vários que ilustram a disseminação da superficialidade e da caricatura no ódio praticado nas redes sociais. O cenário descrito pela professora Catarina Rochamonte vai muito além da política. Mas deve vir da política um impulso de desintoxicação do radicalismo dominante, para que a polarização de tudo não continue valendo como regra, deixando de fora a chance do equilíbrio que permite a convivência em harmonia, base para a vida democrática e o alcance do bem comum.
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