Com quase um terço dos eleitores sem ir às urnas, grandes cidades brasileiras ilustram um problema que pode comprometer a democracia no País
Publicado em 29/10/2024 às 0:00
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Pouco mais de um quinto dos brasileiros, em média, não foram exercer o direito à escolha de prefeitos e vereadores no primeiro turno das eleições municipais deste ano. Em Porto Alegre, a ausência dos gaúchos foi a maior do Brasil na primeira votação – 31,5%. O percentual foi similar ao não comparecimento dos paulistanos: na maior cidade da América Latina, São Paulo, a abstenção venceu até o segundo colocado, com mais votos não computados do que os conferidos a Guilherme Boulos. Na capital gaúcha, o segundo turno foi ainda mais contundente, com cerca de 35% das pessoas habilitadas para irem às urnas preferindo não ir votar, abrindo mão da prerrogativa democrática básica. Em Goiânia, o número foi de 34%, em Belo Horizonte quase 32%, em Porto Velho e Curitiba, 30%.
O desinteresse recorde pelo voto em alguns municípios levanta a questão do desinteresse maior pela política. É preocupante quando a cidadania, a duras penas conquistada e distribuída, é abandonada pela população no ato mais necessário de engajamento político. É claro que isso deve ser atribuído, em primeiro lugar, à qualidade da política em voga na atualidade brasileira – há muitos anos, não apenas no presente. Com o passar dos anos e a sucessão de gerações, a população vai nivelando por baixo os representantes e lideranças, confundindo os maus políticos com a política, ao ponto de apresentar frustração com os princípios democráticos. Como se a vida fosse melhorar sem as virtudes – e os problemas que precisam ser enfrentados – encontrados numa democracia.
No Rio Grande do Sul, além da capital, outras quatro cidades onde houve o segundo turno registraram grandes taxas de abstenção: Caxias, Pelotas, Canoas e Santa Maria. Um debate foi aberto no estado, com o objetivo de aprofundar a compreensão pela desilusão – ou revolta – coletiva, negando-se à ir às urnas em tão larga escala. Em São Paulo, o volume do desinteresse é assustador: quase 3 milhões de paulistanos não foram votar, enquanto o segundo colocado na eleição, Boulos, teve 2,3 milhões de votos, e o vitorioso, reeleito, Ricardo Nunes, contabilizou quase 3,4 milhões de votos. Na zona eleitoral em que havia recebido mais votos no primeiro turno, Boulos viu, no segundo, uma abstenção de quase 40%, a mais alta da cidade.
O fenômeno do aumento das abstenções merece análises detidas, com desdobramentos que ultrapassem, no entanto, o âmbito de campanhas publicitárias de conscientização. A participação do cidadão é crucial para a democracia, não somente na digitação do voto, mas durante a campanha e o exercício dos mandatos. Mas para que haja maior participação, as cobranças devem ser escutadas, as promessas, cumpridas, e a realidade, transformada de fato pela política, elevando a credibilidade do processo democrático que inclui a representatividade coletiva fiada em indivíduos identificados como lideranças – municipais, estaduais ou nacionais.
Para a presidente do TSE, Carmen Lúcia, a causa do desinteresse é local. Trata-se de uma boa hipótese para começar a reflexão. Mas o problema é nacional, podendo ser visto em outros países.


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2616619803.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)








/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/horoscopo-do-dia-previsao.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2616619803.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)


