Ainda sem faixa de isenção mais justa, a abertura do prazo de declaração do IR lembra a necessidade da contrapartida de melhores serviços públicos
Publicado em 17/03/2025 às 0:00
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
O terceiro mandato do presidente Lula corre para o seu desfecho político e temporal, sem que uma das principais demandas dos brasileiros tenha virado realidade. Nesta segunda, abre-se o prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda. E mais uma vez, este ano, o desequilíbrio tributário castiga os contribuintes em uma faixa de renda que deveria ser poupada de pagar além do que já paga – o país segue com um dos lugares onde se dá uma das maiores cargas tributárias do mundo, em um sistema que sobrecarrega os cidadãos, incidindo na produção e no consumo de bens e serviços. A distorção favorece o Estado, que infla o orçamento público pela arrecadação. Mas será que devolve o que recebe em serviços públicos de qualidade? Ou promove a justiça social que se espera da tributação, investindo prioritariamente em ações para a população de baixa renda?
A abertura anual do prazo de entrega do IR configura um lembrete da precariedade das entregas da gestão pública – de governos de todos os níveis – num país marcado pela desigualdade permanente, que atravessa gerações. Há uma crueldade intrínseca ao desequilíbrio tributário, e ao mau uso do orçamento gerado em grande parte pela arrecadação de impostos e taxas de toda ordem: as pessoas que mais precisam de atenção e aplicação dos recursos, continuam sem ver os resultados, enquanto governos e parlamentares disputam a primazia de sustentar privilégios, distribuir favores e gastar mal. O Poder Judiciário não está fora desse círculo vicioso, com supersalários e benesses, por exemplo, que afrontam a realidade nacional. E o dinheiro cobiçado e utilizado pelos Três Poderes vem do povo e das empresas que pagam seus impostos.
Para não parecer alheio à continuidade da distorção no IR, o governo federal promete para esta semana o envio, para o Congresso, de um projeto de ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais – hoje esse valor é de R$ 2.824,00. O presidente da República aproveitou os últimos dias antes do período de declaração para tocar no tema, como se viesse a ser um favor, ou uma grande proposta de sua autoria. A questão é antiga, e poderia ter sido tratada no primeiro ano de mandato, para aplicação, ao menos, no segundo ano. Agora, programada para entrar na pauta legislativa na semana inicial da entrega das declarações, com previsão de aplicação para 2026, o projeto soa como busca de voto para um ano eleitoral. Ainda assim, caso seja aprovado, será a necessária correção mais justa da tabela, depois de longo atraso.
Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mais complicado do que aprovar a nova isenção é fazer a compensação financeira no orçamento, que terá um rombo por causa da correção. Uma alternativa seria dar uma olhada nas emendas opacas dos parlamentares no Congresso, ou nos gastos ministeriais com a máquina burocrática e administrativa. Mas se o governo Lula não fez isso até agora, não será para um ano eleitoral que irá fazê-lo.


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2616587724.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)






/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2616588520.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)




/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/03/creation-2616587724.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)


